Fatih Birol afirma que crise energética global ameaça economia mais que crises de 1973 e 1979

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Fatih Birol Foto: Fatih Birol - Alexandros Michailidis/ Shutterstock.com

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que a crise energética atual representa uma ameaça grave à economia global e supera em escala as crises do petróleo dos anos 1970 e os impactos do conflito Rússia-Ucrânia no mercado de gás. Em discurso na Associação de Jornalistas Australianos, Birol destacou que o bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã interrompeu fluxos essenciais de petróleo, gás natural liquefeito e outros produtos críticos. A perda diária de oferta de petróleo já atinge 11 milhões de barris, volume superior aos choques combinados de 1973 e 1979.

A agência coordenou a liberação recorde de 400 milhões de barris de reservas estratégicas de petróleo por parte de seus membros para mitigar os efeitos imediatos no mercado. Birol enfatizou que negociações ocorrem com diversos países, incluindo Canadá e México, para elevar a produção e abastecer o mercado global. Ele mencionou ainda que instalações de refino em vários locais recebem orientações para acelerar respostas.

Bloqueio no Estreito de Ormuz afeta rotas vitais

O Estreito de Ormuz continua como ponto central da crise, com a Ásia na linha de frente devido à dependência da rota para importações de energia. Ataques com mísseis iranianos interromperam exportações de GNL do Catar, gerando escassez adicional no suprimento global.

A Austrália surge como possível fornecedora alternativa de GNL, mas Birol alertou que o país sozinho não cobre toda a demanda perdida no Oriente Médio. Novas instalações de GNL em várias regiões devem entrar em operação nos próximos períodos, o que pode aliviar parte da pressão.

  • O bloqueio impacta não apenas petróleo e gás, mas também petroquímicos, fertilizantes e outros bens essenciais.
  • Pelo menos 44 instalações energéticas em nove países da região registraram danos graves.
  • Medidas de conservação de energia, semelhantes às adotadas na pandemia de Covid-19, podem ser necessárias em alguns locais.

Negociações e liberações de reservas em andamento

A AIE mantém contatos com governos mundiais para avaliar liberações adicionais de reservas, caso a situação persista. Birol reforçou que essas ações estabilizam o mercado temporariamente, mas não resolvem o problema de fundo.

A reabertura do comércio no Estreito de Ormuz permanece como a solução principal apontada pela agência. Países produtores fora do conflito recebem incentivos para aumentar a oferta e compensar as perdas.

Impactos regionais e globais se intensificam

Países mais pobres enfrentam maiores dificuldades com o encarecimento da energia e possíveis racionamentos. A interrupção no fluxo de commodities essenciais amplia os riscos para cadeias produtivas industriais e agrícolas em escala mundial.

Birol indicou que a crise afeta múltiplos setores, com interrupções no comércio de enxofre, hélio e fertilizantes. A agência monitora a evolução para coordenar respostas coordenadas entre membros.

Medidas de resposta coordenada

A liberação histórica de reservas busca tranquilizar os mercados e evitar picos excessivos de preços. Birol destacou que novas liberações permanecem como opção, dependendo da duração do bloqueio.

Negociações com nações produtoras visam elevar a produção de forma rápida. A agência avalia cenários para minimizar os efeitos econômicos globais.

A crise energética atual demonstra vulnerabilidades na infraestrutura global de suprimentos.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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