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A prática conhecida como turismo de parto transformou as Ilhas Marianas do Norte, território americano no Pacífico, em destino frequente para casais chineses que buscam cidadania americana para seus filhos. A Comunidade das Ilhas Marianas do Norte, incluindo a ilha principal de Saipan, registra aumento significativo de nascimentos de bebês de mães chinesas desde 2009, quando o governo Obama implementou programa de isenção de visto para cidadãos chineses. Esse mecanismo permite entrada sem visto por período limitado, facilitando viagens para gestantes que planejam o parto em solo americano. Autoridades e observadores estimam que milhares de crianças nasceram sob essa modalidade nas últimas décadas, com pacotes oferecidos por empresas chinesas que incluem hospedagem, cuidados médicos e serviços pós-parto.

O fenômeno ganhou destaque recente devido a questionamentos de parlamentares republicanos. Em março de 2026, grupo de deputados enviou carta a secretários do governo Trump solicitando dados sobre o alcance do turismo de parto chinês. Eles expressaram preocupações com possíveis ligações de pais com o Partido Comunista Chinês e riscos à segurança nacional. A carta destacou a ausência de relatórios federais detalhados sobre o número exato de nascimentos e pediu prestação de contas sobre o programa de entrada sem visto.

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Aumento de nascimentos e estimativas

Nascimentos de mães estrangeiras em Saipan cresceram de menos de 10 em 2009 para quase 600 em 2018. Relatos indicam mais de 3.300 bebês nascidos de mães chinesas desde o início do programa de isenção.

Estimativas de observadores chineses apontam para cerca de 1.000 empresas oferecendo serviços de turismo de parto em territórios americanos, incluindo as Ilhas Marianas do Norte e o continente. Alguns cálculos sugerem entre 750 mil e 1,5 milhão de crianças com cidadania americana criadas na China por pais que usaram essa rota.

O primeiro bebê americano de 2025 nasceu em Saipan, de mãe chinesa de Xangai, reforçando a continuidade da prática no território.

Pacotes oferecidos pelas empresas

Empresas baseadas em Xangai, como a Global Baby 8, anunciam pacotes variados para atrair clientes. O plano econômico parte de US$ 14 mil e oferece apartamento básico para a gestante.

Pacotes premium chegam a US$ 45 mil e incluem villa de luxo independente, acompanhamento personalizado, passeios de compras e lazer três vezes por semana, tour pela ilha e babá pós-parto para tarefas domésticas e cuidados com o bebê. Muitas agências destacam a criação de memórias agradáveis durante a estadia.

Outra companhia, MifuBaby, opera em Saipan e atende também clientes de outras nacionalidades asiáticas, com foco em serviços semelhantes.

Gravidez, sexo masculino, mãe de menino
Gravidez – Prostock-studio/ Shutterstock.com

Preocupações com cidadania e imigração em cadeia

Crianças nascidas em território americano recebem cidadania automática pelo direito de solo. Ao completarem 21 anos, elas podem patrocinar green card para pais e irmãos, abrindo caminho para reunificação familiar.

Esse mecanismo, chamado imigração em cadeia, representou 77% dos novos green cards em 2024, segundo dados institucionais. Parlamentares republicanos alertam que famílias com recursos para pagar pacotes caros podem usar essa via para residência permanente nos Estados Unidos.

Críticos questionam se pais com conexões governamentais chinesas exploram o sistema para influência de longo prazo.

Reações políticas e questionamentos

Parlamentares republicanos, incluindo deputados de vários estados, pressionam por revisão das políticas de entrada sem visto nas Ilhas Marianas do Norte. Eles argumentam que o programa cria vulnerabilidades no sistema imigratório americano.

Senadores republicanos enviaram carta em janeiro de 2026 pedindo o fim do waiver para chineses em territórios do Pacífico. A demanda inclui dados sobre nascimentos desde 2009 e possíveis vínculos com o Partido Comunista Chinês.

Autoridades locais em Saipan contestam algumas estimativas, apontando declínio nos nascimentos de turistas nos últimos anos e impacto econômico positivo do turismo em geral.

Detalhes operacionais no território

O hospital principal em Saipan, único no arquipélago, registra aumento histórico nos atendimentos obstétricos relacionados a visitantes. Custos de parto no local adicionam cerca de US$ 10 mil aos pacotes.

Muitas gestantes chegam por voos diretos da China continental ou Hong Kong, aproveitando a proximidade geográfica em comparação com o continente americano.

O território mantém economia dependente do turismo, com cassinos e praias como atrativos adicionais para as famílias durante a estadia.

Aspectos legais e ausência de dados oficiais

O turismo de parto não é ilegal se os visitantes cumprem regras de entrada e pagam despesas médicas. Autoridades americanas não mantêm contagem sistemática específica para essa prática.

Críticos destacam falta de relatórios federais sobre o tema, o que dificulta avaliação precisa do impacto. Parlamentares solicitam informações detalhadas para embasar possíveis mudanças nas políticas.

Especialistas em imigração observam que o direito de cidadania por nascimento permanece constitucional, mas o uso intencional por estrangeiros gera debate contínuo.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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