Observadores registram Líridas, a mais antiga chuva de meteoros conhecida, no céu de abril
A chuva de meteoros Líridas ganhou força nos últimos dias. O fenômeno anual atinge o pico de atividade e pode ser observado em partes do Brasil até o fim desta semana.
Registros fotográficos mostram traços luminosos no céu noturno. A atividade ocorre enquanto a Terra cruza a trilha de partículas deixada por um cometa. Especialistas indicam que o evento representa a primeira grande oportunidade do ano para quem acompanha o céu.
Chuva ativa desde meados de abril
O fenômeno começou no dia 16 de abril e permanece visível até o dia 25. O momento de maior intensidade aconteceu nas noites de 21 e 22 de abril. Em condições favoráveis, observadores em locais escuros registraram entre cinco e 11 meteoros por hora.
A Lua em fase crescente não interferiu tanto nas madrugadas mais escuras. No Hemisfério Norte, a taxa chegou a 18 meteoros por hora em alguns momentos. No Brasil, o número é menor porque o radiante fica na região norte do céu.
- Locais afastados de grandes cidades oferecem as melhores condições
- Horários após a meia-noite aumentam as chances de visibilidade
- Direção norte ajuda a localizar a origem aparente dos traços
- Aplicativos de astronomia indicam a posição da constelação da Lira
- Evitar poluição luminosa faz diferença no número de meteoros vistos
Origem cósmica do espetáculo
Os meteoros surgem quando fragmentos de rocha espacial entram na atmosfera terrestre em alta velocidade. O atrito gera uma bolha de plasma que brilha por frações de segundo. Na Líridas, esses fragmentos vêm do cometa C/1861 G1 Thatcher.
A Terra cruza essa nuvem de detritos todo mês de abril. Marcelo Zurita, da Rede Brasileira de Observação de Meteoros, explica que todos os meteoros de uma mesma chuva seguem trajetórias paralelas. O efeito de perspectiva faz com que pareçam partir de um único ponto, chamado radiante, na constelação da Lira.
A few Lyrid meteors from last night! The shower peaks tonight, up to 20 meteors per hour are possible.#Lyrids #MeteorShower #NightSky pic.twitter.com/sd4KiWQwRU
— Jeremy Cruz (@J_master_caster) April 21, 2026
História registrada há milênios
Astrônomos chineses documentaram a Líridas há mais de 2,7 mil anos. Trata-se da chuva de meteoros mais antiga com registros contínuos. Observações antigas relatam meteoros caindo como chuva em determinadas noites.
A constelação da Lira dá nome ao evento. Vega, uma de suas estrelas mais brilhantes, serve como referência para localizar o radiante. No Brasil, quanto mais ao norte o observador, maior a chance de ver meteoros. Ainda assim, é possível registrar traços em qualquer direção do céu.
Como distinguir os Líridas de outros fenômenos
Meteoros esporádicos aparecem em qualquer noite. Os da Líridas mantêm direção paralela e velocidade característica. Apps como Stellarium ou Star Walk ajudam a confirmar o radiante e diferenciar os eventos.
A chuva não exige equipamentos especiais. Basta um local escuro, paciência e olhar para cima. Fotografias com exposição longa capturam os traços com mais facilidade. Muitos registros recentes vieram de observadores na Europa e na Ásia.
O que muda para o resto do ano
A Líridas encerra um período mais calmo após as Quadrântidas de janeiro. Outras chuvas importantes virão nos próximos meses. Astrônomos acompanham o céu para registrar possíveis surtos ou variações na atividade anual.
O fenômeno reforça a rotina de observação cidadã. Grupos como a BRAMON coletam dados de amadores em todo o país. Essas informações contribuem para o entendimento de como a Terra interage com material cósmico.
Registros continuam possíveis até o dia 25 de abril, embora com intensidade menor após o pico. Quem perdeu as noites principais ainda tem oportunidade em locais com céu limpo. O evento lembra que o céu oferece espetáculos regulares para quem dedica tempo à observação.
Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.








