Deolane Bezerra nega ligação com PCC e diz estar presa por pura perseguição
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra enviou carta da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista negando participação em lavagem de dinheiro e afirmando sofrer perseguição judicial. A comunicação foi ditada à sua irmã, Dayanne Bezerra, também advogada, e reforça argumentos de defesa contra acusações do Ministério Público e Polícia Civil.
Deolane reitera que nunca integrou o crime organizado e que sua prisão preventiva se justifica unicamente por R$ 24.500 em honorários advocatícios que recebeu como profissional. Segundo ela, o valor foi depositado em sua conta em espécie, informação que consta no próprio inquérito.
Conteúdo da carta e alegações de defesa
Na carta, Deolane afirma estar “enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião” e denuncia ciclo de acusações que se estende por mais de 5 anos. Ela rejeita especificamente a alegação de que possui 37 empresas em seu nome, classificando essa informação como falsa e facilmente comprovável mediante consulta à junta comercial.
A defesa alega falta de direito à oitiva durante a investigação. Deolane afirma que, apesar de sua vida pública e endereço conhecido, nunca foi chamada para prestar esclarecimentos sobre o caso em mais de 4 anos. Ela relata ter sido acordada com “fuzil apontado” durante prisão domiciliar e ter sido levada sem oportunidade de se defender.
Conforme carta integral divulgada:
- Nega participação em crime organizado e reafirma inocência múltiplas vezes
- Questiona acusações de 37 empresas, qualificando como “mentira repetida”
- Afirma nunca ter visitado a Penitenciária II de Presidente Venceslau
- Destaca trajetória como “advogada atuante em centenas de processos”
- Reivindica status de “mãe, empresária, advogada”
Decisões judiciais e próximas ações
O Tribunal de Justiça de São Paulo negou, no domingo (24), pedido de habeas corpus em caráter liminar apresentado pela defesa. A decisão ocorreu um dia após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, rejeitar pedido de prisão domiciliar após avaliar que não houve “manifesta ilegalidade” na prisão preventiva.
A defesa de Deolane aguarda julgamento do mérito do habeas corpus e avalia possibilidade de recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. Ela segue presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, mantendo postura de confiança na justiça conforme expressa em sua correspondência.
Origem da investigação e acusações
A investigação iniciou em 2019 após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos em celas e caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos continham ordens internas do Primeiro Comando da Capital, contatos de integrantes da facção e referências a ações violentas contra servidores públicos.
A partir dessa documentação, investigadores mapearam uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, próxima ao complexo penitenciário, que seria usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro da facção. Segundo o Ministério Público, a empresa fazia repasses para contas de terceiros a fim de ocultar origem dos recursos do PCC. Duas dessas contas estariam registradas no nome de Deolane.
O Ministério Público sustenta que a influenciadora atuava na lavagem de dinheiro para a organização criminosa, acusação que ela nega integralmente. Deolane afirma que os R$ 24.500 foram recebidos legitimamente como honorários advocatícios por serviços prestados, não por vinculação a qualquer esquema ilícito relacionado à facção.
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