Netflix reitera não investir em conteúdo vertical mesmo com novo app móvel no painel do Rio2CPor Janderson Luiz
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A Netflix não planeja dedicar-se a produções originais no formato vertical, apesar do recente lançamento de um novo aplicativo móvel que inclui clipes curtos para apresentar séries e filmes. Essa posição foi esclarecida por Elisabetta Zenatti, vice-presidente de Conteúdo da Netflix, durante sua participação em um painel no Rio2C, evento realizado no Rio de Janeiro. A executiva enfatizou que, no momento, a prioridade da plataforma de streaming se mantém na experiência de tela grande.
O painel, que discutiu o futuro do audiovisual em 2030, reuniu importantes nomes da indústria, como representantes da Netflix, Globo e YouTube. Dentro deste contexto, foi revelado que o uso do YouTube em televisores no Brasil já superou a utilização da plataforma em dispositivos móveis, conforme dados apresentados por Patricia Muratori, diretora geral do YouTube para a América Latina.
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Netflix prioriza experiência em televisores
A companhia mantém o televisor como espaço prioritário para seus conteúdos, visando a imersão completa do espectador. Elisabetta Zenatti afirmou que a Netflix não vislumbra a aposta em conteúdo vertical a curto prazo. “Na companhia sempre dizemos que não sabemos o futuro porque estamos sempre mudando, mas no momento nosso foco é manter as pessoas na frente da TV, engajadas com narrativas longas, de qualidade e ambiciosas, e que impactam a sociedade”, declarou Zenatti, reforçando a estratégia atual. Este posicionamento direciona os investimentos da plataforma para produções que melhor se adaptam e aproveitam o formato horizontal da televisão. A decisão reflete uma análise do comportamento do consumidor e das tendências de consumo de mídia em larga escala.
O compromisso com a experiência em televisores visa maximizar o impacto visual e narrativo das produções. Embora o aplicativo móvel tenha sido atualizado com uma funcionalidade de clipes curtos, projetada para descoberta de conteúdo, esta adição não altera a direção estratégica em relação à produção de originais. A integração de novas funcionalidades no ambiente mobile serve mais como um portal de entrada e engajamento inicial para o vasto catálogo, direcionando os usuários para a experiência principal em telas maiores. A busca por este tipo de envolvimento prolongado é um dos pilares da estratégia de conteúdo da empresa.
Narrativas longas mantêm engajamento do público
A estratégia da Netflix foca em narrativas que prendem a atenção do espectador por períodos prolongados, fomentando discussões e reflexões. A executiva mencionou a série “Adolescência” como um exemplo de produção que se alinha a essa visão, gerando ampla repercussão e impacto social. Este tipo de conteúdo é fundamental para a plataforma, pois estimula o diálogo e a conexão da audiência com as histórias apresentadas. A qualidade e a ambição das narrativas são fatores determinantes para o sucesso e a longevidade do engajamento do público.
A prioridade da Netflix em narrativas longas é demonstrada por:
- Foco em narrativas longas de qualidade.
- Engajamento do público em frente à TV.
- Busca por histórias ambiciosas.
- Conteúdos com impacto social e repercussão.
Esses pilares guiam a seleção e o desenvolvimento de novos projetos, buscando um diferencial no mercado de streaming. A empresa continua a investir em produções que não apenas entretêm, mas que também provocam discussões e deixam uma marca duradoura na cultura. O feedback da audiência sobre estas produções é constantemente monitorado para ajustar e refinar as futuras estratégias de conteúdo.
Modelo de lançamento “maratonar” permanece na plataforma
A Netflix mantém seu modelo de entrega de conteúdo que permite aos usuários “maratonar” séries, disponibilizando todos os episódios de uma temporada de uma só vez. Este formato, que se tornou uma marca registrada da plataforma, é visto como essencial para o foco no tempo de tela e na narrativa longa. Existem exceções pontuais a esta regra, principalmente no caso de realities shows, cujos episódios são distribuídos progressivamente, mantendo a expectativa e o engajamento semana a semana. No entanto, para a vasta maioria de suas séries dramáticas e de comédia, a liberação completa é a abordagem preferida.
Este método de lançamento tem sido um dos pilares para a popularização do consumo de conteúdo sob demanda, permitindo que os espectadores controlem seu próprio ritmo. A possibilidade de assistir a uma história completa sem interrupções contribui significativamente para a imersão e a satisfação do usuário. A flexibilidade oferecida pelo modelo “maratonar” alinha-se diretamente com a proposta de valor da Netflix de proporcionar uma experiência de entretenimento contínua e de alta qualidade. A companhia avalia constantemente o impacto desse modelo no comportamento de consumo e na retenção de assinantes.
O cenário do audiovisual no Rio2C e tendências do mercado
O Rio2C, evento de inovação e criatividade, serviu de palco para importantes discussões sobre o futuro da indústria audiovisual. Realizado na Cidade das Artes, no Rio, o encontro prosseguiu até o dia 31 de maio, reunindo líderes e especialistas. A participação de executivas de gigantes como Netflix, Globo e YouTube sublinhou a relevância dos debates sobre as direções do mercado e as adaptações necessárias diante das novas tecnologias e hábitos de consumo.
A análise do cenário atual inclui o dado apresentado por Patricia Muratori, do YouTube, que mostrou a crescente preferência do público brasileiro por consumir conteúdo da plataforma em televisores, superando o uso mobile. Este dado ressalta uma tendência de busca por experiências de tela maior, que converge com o foco da Netflix na TV e em narrativas longas. As discussões no Rio2C evidenciam que, enquanto novas funcionalidades móveis surgem, a tela grande continua sendo um ponto central para o engajamento aprofundado com o conteúdo audiovisual de alta qualidade.















