Etiqueta à mesa: pequenas regras sobre como segurar o garfo identificam estilos culturais

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prato - Alexandr Jitarev/Shutterstock.com

Mais de uma maneira correta de manusear os talheres existe, segundo especialistas em etiqueta. O estilo conhecido como “continental” é o mais amplamente adotado em diversas partes do mundo.

Quando Brooke Black e seu parceiro dinamarquês iniciaram a vida a dois nos Estados Unidos, a forma distinta como comiam à mesa não representou um tópico de discussão importante entre eles.

A verdadeira consciência sobre a diferença na utilização dos talheres surgiu para a mãe de dois filhos apenas em 2020, ao se mudar para a Dinamarca, percebendo que sua maneira contrastava com a do marido e da maioria dos europeus ao redor.

Criada em Illinois, nos Estados Unidos, Black relata que sua mãe geralmente dispunha apenas garfos na mesa de jantar familiar, recorrendo à faca somente para pratos como bifes que exigiam corte.

“Nunca usei faca em toda a minha vida”, afirma Black, que documenta as particularidades culturais do dia a dia dinamarquês em sua página no Instagram. Embora ela diga, em tom de brincadeira, que “um garfo também pode funcionar como faca”, ela nunca aprendeu o método “em ziguezague”, comum entre muitos norte-americanos, que consiste em cortar a carne com a faca na mão dominante e, em seguida, transferir o garfo para a mesma mão para comer.

Contudo, durante reuniões de família na Dinamarca, segurando o garfo na mão direita com os dentes voltados para cima desde o início e deixando a faca quase intocada ao lado do prato, Black rapidamente notou que sua prática se destacava.

“A família do meu marido vive me zoando. Na casa da minha sogra, à mesa, todos perguntam: ‘O que você está fazendo?’, porque eles comem com o garfo na mão esquerda, os dentes para baixo, e a faca na mão direita”, ela compartilha.

Black conta que gradualmente se adaptou, ao menos em contextos sociais, ao que é chamado de estilo continental, utilizando o garfo na mão esquerda e a faca na direita para cortar pratos típicos dinamarqueses, como os delicados smørrebrød, sanduíches abertos tradicionais.

Mesmo ao comer “à moda dinamarquesa”, ela frequentemente se sente um pouco deslocada.

“Todos eles têm aquele jeito discreto e sensato de fazer as coisas. E eu sou apenas uma mulher barulhenta espetando comida”, ela brinca.

As particularidades sobre como os talheres são empregados em ambos os lados do Atlântico podem ser bastante complexas. Embora existam algumas distinções evidentes, as sutilezas podem ser mais desafiadoras de dominar, e a origem exata dessas divergências permanece incerta.

As mesas em grande parte do Ocidente podem ser arrumadas de forma semelhante, mas os dois principais métodos de uso dos talheres – o americano e o continental – apresentam nuances que nem sempre são fáceis de assimilar. A compreensão dessas distinções vai além da mera formalidade, sendo essencial para evitar gafes sociais e promover uma integração cultural mais suave em um mundo cada vez mais conectado.

Jacqueline Whitmore, especialista em etiqueta corporativa e fundadora da Protocol School of Palm Beach, na Flórida, sintetiza as diferenças da seguinte maneira.

“No estilo continental, faca e garfo são usados simultaneamente, levando o garfo à boca com os dentes apontando para baixo, sem jamais repousar a faca enquanto se come”, explica. A faca permanece na mão dominante, pronta para cortar quando preciso ou para auxiliar a empurrar alimentos que não podem ser espetados nos dentes invertidos do garfo.

O que se entende por estilo americano adota uma abordagem de cortar e alternar. A faca é empunhada na mão dominante para efetuar o corte, enquanto o garfo na mão não dominante fixa o alimento, com os dentes voltados para baixo. Após o corte, a faca é colocada em repouso no prato, permitindo que o garfo seja transferido para a mão dominante, com os dentes para cima, para o consumo.

“O estilo americano assemelha-se a um movimento em ziguezague. Você corta a carne, deposita a faca de lado no prato e troca o garfo de uma mão para a outra. Por isso, é um pouco mais trabalhoso”, admite Whitmore.

Para adicionar ainda mais complexidade, o estilo de refeição britânico possui sua própria maneira de utilizar os talheres, diferindo, ainda que sutilmente, do estilo continental, segundo o especialista britânico em etiqueta William Hanson, autor do livro “Just Good Manners”. Os estilos britânico e continental são frequentemente confundidos, afirma Hanson, que possui quase quatro milhões de seguidores no Instagram.

Como se essa variedade já não bastasse, nem todos os consultores de etiqueta concordam precisamente sobre quais práticas definem cada estilo. No entanto, em sua essência, a etiqueta visa ser afável e garantir que os convidados se sintam à vontade, independentemente de como seguram seus talheres.

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