Gatos e cães: nova pesquisa holandesa esclarece o real impacto no humor de tutores estressados

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Pets, cachorro e gato brincando

Pets, cachorro e gato brincando - Foto: PixelPerfected/ Shutterstock.com

Uma investigação recente buscou determinar se a companhia de gatos e cães pode, de fato, mitigar o estresse em seus tutores após um dia desgastante. O estudo analisou se a interação breve com animais de estimação age como um “amortecedor” contra os efeitos adversos da rotina diária.

Publicado na revista científica Frontiers in Psychology, o trabalho liderado por uma equipe da Holanda focou em como a influência dos pets variava entre as espécies. As conclusões revelaram distinções claras na forma como a interação com felinos e caninos afetava os donos em situações de estresse.

A pesquisa revelou que a simples companhia de animais de estimação nem sempre resulta em um grande alívio para o estresse; surpreendentemente, para quem tem gatos, a interação pode até intensificar sentimentos negativos em momentos de tensão, desafiando a percepção comum de que pets são sempre um refúgio para o estresse.

Conhecendo a metodologia utilizada na análise

Os pesquisadores empregaram uma metodologia de Avaliação Momentânea Ecológica (EMA), também conhecida como Método de Amostragem de Experiências (ESM), uma técnica que se destaca por coletar dados em tempo real diretamente dos participantes.

O levantamento incluiu 188 indivíduos, todos eles proprietários de pelo menos um cão ou gato. Os grupos eram distribuídos entre 75 pessoas com apenas cães (60,5%), 36 com somente gatos (29,0%) e 13 que tinham ambos os animais (10,5%).

Após a inscrição, os participantes receberam dez alertas diários em um aplicativo durante cinco dias consecutivos. As notificações solicitavam que respondessem a questionários sobre seu estado emocional, suas atividades e se estavam próximos ou interagindo com seus animais.

A coleta de aproximadamente 8.000 relatórios de dados em tempo real construiu um banco de informações detalhado sobre as interações entre tutores e pets, oferecendo uma compreensão mais aprofundada de como os animais de companhia influenciam as emoções humanas no cotidiano.

Os resultados preliminares indicaram que, de modo geral, o contato com os animais de estimação gerava emoções positivas para os tutores. Em momentos de maior interação, as pessoas relataram mais sentimentos positivos e menos negativos, um padrão consistente para donos de cães e gatos.

A equipe, em seguida, buscou entender se a interação ativa com um pet era mais eficaz para reduzir o impacto negativo do estresse do que simplesmente estar na presença do animal. Foi constatado que a interação com os bichos, em momentos de estresse, não oferecia proteção contra os efeitos adversos do estresse no humor dos tutores.

Essa análise aponta que o benefício da interação com pets pode não estar ligado diretamente à regulação do estresse – ou seja, à diminuição do impacto negativo da tensão –, mas sim a um mecanismo diferente que ainda precisa ser explorado.

Distinção entre o comportamento de gatos e cachorros

Conforme o estudo, o contato com gatos não elevou o afeto negativo de forma indiscriminada. Em vez disso, a interação com esses felinos acentuou a conexão entre o estresse, especialmente aquele vinculado a eventos específicos, e a manifestação de sentimentos negativos.

Tal observação sugere que, diante de situações estressantes, tutores de gatos que passavam mais tempo interagindo com seus bichanos experimentaram um incremento mais significativo nas emoções negativas, um achado que desafia a percepção comum sobre a relação com felinos.

Por outro lado, entre os tutores de cães, as interações com seus animais de estimação não intensificaram as emoções negativas vivenciadas em cenários estressantes, mas também não provocaram uma melhora perceptível no estado de ânimo.

Apesar das diferenças observadas, os pesquisadores ainda não têm uma explicação conclusiva para os achados. A equipe recomendou que as descobertas sejam interpretadas com cautela, considerando o tamanho reduzido da amostra de donos de gatos no estudo e a inconsistência da associação entre gatos e tutores estressados.

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