Cientistas identificam prática de remoção de cérebros em mulheres da Escócia da Idade do Ferro como parte de rituais funerários

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Cérebro humano

Cérebro humano - KUSHEI/ Shutterstock.com

Novas evidências indicam que indivíduos do sexo feminino na Escócia, durante o período da Idade do Ferro, possivelmente tiveram seus cérebros extraídos post-mortem. Essa revelação aponta para a existência de complexos rituais de sepultamento, nos quais a manipulação do corpo poderia ter significados profundos relacionados à passagem para a vida após a morte, algo comum em diversas culturas antigas.

Um grupo de pesquisadores, reunindo experts do Reino Unido e dos Estados Unidos, identificou um sulco interno no crânio de um esqueleto. A análise preliminar sugere que os restos pertenciam a uma mulher com idade superior a 30 anos no momento de seu falecimento.

Publicado na renomada revista acadêmica “Antiquity”, o estudo descreve que essas incisões, retas e paralelas, foram provavelmente criadas de forma intencional por meio de uma ferramenta cortante.

Os cientistas também notaram que a base do crânio exibia um tipo de dano considerado atípico. Isso sugere que a lesão foi provocada por um “impacto deliberado”, não acidental.

Ainda segundo a equipe, a coexistência da fratura e das incisões reforça a hipótese de que a extração do cérebro foi um ato intencional. A ação teria ocorrido em um período curto após a morte do indivíduo.

As mesmas marcas foram localizadas nas áreas onde os ligamentos cranianos se conectam ao cérebro. “A intenção de remover o cérebro justificaria a raspagem nessas regiões específicas”, afirmou Laura Castells Navarro. A arqueóloga, autora principal da pesquisa e pós-doutoranda na Universidade de York, no Reino Unido, comentou o achado em recente entrevista.

Médico modelo de cerebro exame – Foto: Nadzeya Haroshka/istock

Os arqueólogos também revelaram que, além do crânio, pelo menos quatro ossos longos da mulher foram processados. Entre eles, o fêmur, os dois úmeros e a ulna, todos manipulados antes de serem colocados na sepultura.

Um relatório anterior, datado de 2003, sugeriu que as marcas nos ossos poderiam ser resultado da ação de roedores. No entanto, a pesquisadora Navarro contestou essa teoria, enfatizando que roedores “não deixam superfícies lisas” e que as análises recentes mostram “vestígios de polimento”, evidenciando um tratamento mais elaborado.

A especialista explicou que os ossos foram aparentemente fraturados no meio de seu comprimento. Suas bordas apresentavam-se afiadas, com extremidades alongadas.

Essa metodologia de tratamento ósseo foi observada na ulna e no úmero. O fêmur, por sua vez, exibia uma superfície lisa e plana, conforme detalhado no estudo científico.

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