Risco radioativo: cápsula contendo material perigoso some e mobiliza autoridades na Argentina

Blocos com um símbolo de risco radioativo

Blocos com um símbolo de risco radioativo - Toey Andante/shutterstock.com

As autoridades argentinas investigam o desaparecimento de uma cápsula contendo Césio-137 em um instituto médico na cidade de Rosário, província de Santa Fé. O episódio resultou na emissão de um alerta nacional por causa das propriedades radioativas do material, empregado na calibração de aparelhos de medicina nuclear.

O sumiço foi detectado na última terça-feira, durante verificação rotineira realizada por técnicos do centro médico. Ao acessarem o local de armazenamento da fonte radioativa em um dos equipamentos, os profissionais constataram que a cápsula não se encontrava mais na área protegida.

De acordo com a Autoridade Regulatória Nuclear (ARN), a fonte ficava guardada em um recipiente blindado de chumbo, projetado especificamente para conter a radiação. O material serve para testar e calibrar dispositivos usados em exames e tratamentos da medicina nuclear.

Após confirmar o desaparecimento, a ARN ativou de imediato o Sistema de Intervenção em Emergências Radiológicas (SIER). O órgão também notificou instâncias de segurança nacionais, como a Agência Federal de Emergências e divisões especializadas da Polícia Federal Argentina.

Investigação busca identificar responsáveis

As apurações priorizam a revisão dos controles internos do instituto médico e o mapeamento de quem tinha permissão para entrar na zona de armazenamento. Conforme relatos da imprensa local, apenas um grupo limitado de profissionais contava com autorização de acesso ao local.

Os investigadores examinam ainda registros de entrada e saída, documentos internos e gravações de câmeras de segurança. O objetivo é estabelecer o momento exato do desaparecimento e identificar possíveis responsáveis pela retirada da cápsula.

Entre as linhas de investigação estão possíveis falhas nos protocolos de segurança ou a remoção não autorizada por alguém que tivesse acesso às instalações do instituto.

Desaparecimento de cápsula com material radioativo na Argentina – Divulgação/ Autoridade Regulatória Nuclear da Argentina ARN

Autoridades alertam para riscos

Especialistas indicam que o risco à população permanece baixo enquanto a cápsula continuar intacta dentro da blindagem de chumbo. A preocupação principal surge apenas se houver dano ou abertura do recipiente protetor.

Em comunicado oficial, a Autoridade Regulatória Nuclear orientou que ninguém deve tentar manusear qualquer objeto semelhante ao descrito. O órgão reforçou a necessidade de evitar qualquer contato direto.

“Embora o risco radiológico seja muito baixo, caso a encontre, não a toque nem a manipule”, alertou o órgão em nota.

O Césio-137 consiste em um isótopo radioativo usado em diversas aplicações médicas, científicas e industriais. Ele emite radiação beta e gama, o que exige protocolos rigorosos de guarda e transporte.

A maior inquietação, segundo técnicos, envolve o eventual encontro por pessoas sem conhecimento do conteúdo. Se a blindagem for violada, a exposição contínua pode provocar queimaduras, danos a órgãos internos, problemas na medula óssea e elevação do risco de câncer a longo prazo. O caso reacende memórias da tragédia de Goiânia, em 1987, quando o mesmo material causou contaminação em larga escala no Brasil após manipulação inadequada.

As autoridades argentinas permanecem mobilizadas para recuperar a cápsula e apurar as circunstâncias do incidente. Qualquer informação sobre o paradeiro do material deve ser repassada imediatamente aos órgãos de segurança e de controle nuclear.

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