A continuidade ou não da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro será objeto de reavaliação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A corte examinará se os critérios que justificaram a medida ainda se mantêm ao término do prazo estabelecido. Caso contrário, Bolsonaro poderá retornar a um regime prisional anterior.
Um boletim médico recente, divulgado na última sexta-feira, apontou uma evolução positiva no estado de saúde do ex-presidente. O relatório detalhou melhoras no tratamento do ombro operado e uma diminuição nas crises de soluço, além de maior disposição física. No entanto, o documento também mencionou efeitos colaterais como sonolência diurna e instabilidade no equilíbrio. Esta atualização é fundamental, pois a condição de saúde foi um dos argumentos centrais para a concessão da prisão domiciliar, influenciando diretamente a deliberação judicial sobre sua manutenção.
Em outra frente, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou, pela segunda vez, um pedido ao STF para revogar a prisão domiciliar. A nova solicitação do parlamentar baseia-se em um episódio onde a equipe de segurança de Bolsonaro teria impedido a entrega de uma intimação da Polícia Civil do Distrito Federal. A investigação em questão trata da apreensão de uma arma de fogo com um dos seguranças do ex-presidente.
Para Lindbergh Farias, o incidente demonstra que as condições da prisão domiciliar não estão sendo integralmente respeitadas. Tal descumprimento, segundo o deputado, justificaria o retorno de Jair Bolsonaro ao regime carcerário anterior.
A Polícia Civil já havia solicitado ao ministro Moraes autorização para interrogar Bolsonaro sobre o caso, inicialmente por videoconferência. Contudo, o ministro determinou que o depoimento ocorra de forma presencial. O interrogatório está agendado para terça-feira, dia 23, às 15h, na residência onde o ex-presidente cumpre a pena.

