Brasil promulga lei para autonomia em saúde, impulsionando produção e inovação em medicamentos para o SUSPor Luís Pereira
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O Brasil deu um passo significativo em direção à sua soberania em saúde com a sanção, nesta segunda-feira (20/7), do Projeto de Lei 2.583/2020. A nova legislação estabelece a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, consolidando como política permanente uma série de instrumentos para fortalecer a capacidade do país.
A medida visa primordialmente o desenvolvimento, a produção e a inovação de tecnologias essenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os objetivos centrais, destaca-se a busca por uma maior autonomia nacional em áreas críticas, como a fabricação de medicamentos, vacinas e dispositivos médicos, reduzindo a dependência de importações e ampliando o acesso da população a tratamentos modernos.
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Estratégia busca soberania tecnológica e acesso ampliado
A iniciativa governamental é desenhada para alavancar o expressivo poder de compra do SUS, transformando-o em um catalisador para a indústria nacional de saúde. Ao direcionar essa demanda para a produção interna, a estratégia busca não apenas diminuir a vulnerabilidade do Brasil a choques externos, mas também fortalecer laboratórios públicos.
Esse movimento é crucial para garantir que a população tenha acesso contínuo e equitativo a inovações em saúde, independentemente das flutuações do mercado global. A expectativa é que, com o tempo, o país consiga suprir grande parte de suas necessidades em saúde com produtos desenvolvidos e fabricados em território nacional, garantindo a segurança sanitária e impulsionando a economia.
Pilares da nova política: PDP, pesquisa e encomendas
A legislação recém-sancionada torna permanentes três importantes instrumentos que compõem o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). Essas ferramentas são fundamentais para a materialização dos objetivos de autonomia e desenvolvimento tecnológico no setor.
- Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP): Focadas na transferência de tecnologia entre entidades privadas e laboratórios públicos, as PDPs capacitam a produção nacional de medicamentos, vacinas e dispositivos médicos destinados ao SUS.
- Programa de Desenvolvimento e Inovação Local: Este programa oferece suporte ao avanço de fronteiras tecnológicas e ao desenvolvimento de soluções incrementais, por meio de subvenções, linhas de crédito e investimentos em inovações de alta relevância para o SUS.
- Encomenda Tecnológica: Instrumento criado para financiar pesquisas de alto risco tecnológico, com a possibilidade de contratação futura das soluções desenvolvidas pelo poder público, incentivando a exploração de novas frentes.
Avanços em projetos estratégicos e vacinas
Entre os projetos já beneficiados ou impulsionados pelas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), destaca-se a Insulina Glargina 100% Nacional. Esta iniciativa visa capacitar tecnologicamente o Brasil para a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) e ampliar a manufatura local do produto final, um avanço significativo para pacientes com diabetes.
Outro exemplo relevante é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A produção local da vacina busca viabilizar sua incorporação sustentável no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para gestantes, protegendo bebês contra uma doença respiratória comum e grave. No âmbito do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local, há o desenvolvimento integral da Vacina da Dengue, que avança para as próximas fases, e a Vacina de Preparação Epidêmica contra H5N8, a Gripe Aviária, demonstrando a capacidade do país em responder a emergências de saúde.
Critérios e o futuro do complexo industrial da saúde
A nova lei também estabelece critérios claros para o credenciamento de Empresas Estratégicas de Saúde, um passo essencial para formalizar e orientar a participação do setor privado nesse ecossistema. Além disso, a legislação define parâmetros para a identificação de Produtos Estratégicos para a Saúde, garantindo que os esforços de desenvolvimento e produção se concentrem nas necessidades mais prementes do SUS.
A criação de instrumentos destinados ao desenvolvimento e à produção de tecnologias consideradas estratégicas para o sistema público de saúde reforça o compromisso com a inovação contínua. Essa estruturação legal promete acelerar a aprovação de medicamentos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ampliar a oferta de tratamentos importantes, como a insulina glargina, já disponível para idosos e jovens entre 2 e 18 anos, impactando diretamente a qualidade de vida de milhões de brasileiros.















