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O Ministério de Minas e Energia (MME) colocou em consulta pública, em 23 de outubro de 2026, um diagnóstico sobre a expansão da infraestrutura de recarga de veículos elétricos no país. A decisão vem depois de as vendas desse tipo de carro superarem em cerca de 70% o total registrado em todo o ano de 2025.

Segundo a pasta, a meta é reunir informações técnicas do mercado para descrever a atividade no país. Os dados também devem apontar barreiras legais e regulatórias e embasar ajustes em normas. Outro objetivo é integrar os aparelhos de recarga às redes de distribuição e melhorar o planejamento energético diante da expansão acelerada da frota eletrificada.

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Vendas de elétricos e híbridos avançam acima das projeções oficiais

O levantamento do MME usa como referência os números da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) referentes aos nove primeiros meses de 2026. Para o governo, a adoção de modelos elétricos e híbridos pelos consumidores ficou acima do que previam os órgãos de planejamento do setor energético. Em nota técnica publicada na abertura do processo, a pasta afirmou que a fatia dos eletrificados em setembro supera as projeções oficiais disponíveis.

Carro elétrico
Foto: Carro elétrico – onurdongel/ Istockphoto.com

A Anfavea, por sua vez, informou em 7 de outubro de 2026 que foram emplacados 433.931 carros eletrificados entre janeiro e setembro, alta de 126% ante o mesmo período de 2025. Os números da entidade não coincidem com os da ABVE para o mesmo intervalo.

  • Emplacamentos de janeiro a setembro de 2026: 381.609 veículos leves eletrificados vendidos no Brasil.
  • Crescimento: cerca de 70% nos nove primeiros meses de 2026 em relação ao total de vendas de 2025.
  • Rede disponível: 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos em operação, segundo levantamento da ABVE com a Tupi Mobilidade.

Pontos de recarga se concentram em São Paulo e no Sul

A localização dos equipamentos define o uso diário dos carros elétricos, e a rede brasileira tem forte concentração regional. Dados da ABVE e da Tupi Mobilidade, citados pelo governo, mostram que os eletropostos estão centralizados no Sudeste e no Sul. Grandes áreas do território nacional, por isso, têm baixa cobertura.

  • Estado de São Paulo: 26,3% de todos os pontos de recarga em funcionamento no país.
  • São Paulo somado aos três estados do Sul: 50,7% do total de aparelhos.
  • Região Norte, com sete estados: 3,4% da rede de carregamento do país.

Novas fábricas e planos de R$ 130 bilhões até 2030 puxam a oferta

O governo aponta a entrada de novas fabricantes estrangeiras como um dos motivos para a alta nas vendas. Os anúncios de aportes diretos na produção e na montagem local dos carros, por sua vez, ampliam a oferta de modelos ao consumidor.

A chinesa BYD já avança na nacionalização de componentes e deu início aos pedidos de licenças para dobrar a capacidade anual da fábrica de Camaçari, na Bahia, com meta de 600 mil veículos por ano. Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM também incluíram carros elétricos e híbridos no centro de seus cronogramas de investimento, que somam cerca de R$ 130 bilhões até 2030, segundo levantamentos do governo federal.

Acompanhe: Ministério de Minas e Energia descarta horário de verão em 2026

Consumo de 15 TWh em 2036 exige preparo das redes de distribuição

A estimativa oficial é que o consumo de energia voltado exclusivamente à eletromobilidade chegue a cerca de 15 terawatts-hora (TWh) em 2036. Um TWh corresponde a 1 bilhão de quilowatts-hora, segundo a nota técnica da pasta, que compara esse volume a outras novas cargas do planejamento setorial.

O desafio técnico, porém, não está só na quantidade de energia. Importa também como essa procura se distribui no tempo e no espaço, já que muitos carros ligados às tomadas nos mesmos horários e regiões podem sobrecarregar a rede local. Por isso, as concessionárias precisam se preparar com antecedência.

O ministério afirmou que a recarga pode gerar concentrações de demanda em áreas urbanas, condomínios, garagens de empresas, centros logísticos e corredores rodoviários. Esses pontos podem afetar os circuitos de distribuição e transformação que os atendem.

  • Eixo 1: acesso à recarga.
  • Eixo 2: conexão das instalações de recarga às redes.
  • Eixo 3: planejamento das redes de distribuição e gestão da demanda.
  • Eixo 4: dados e projeções.
  • Eixo 5: barreiras legais e regulatórias.
  • Eixo 6: cargas concentradas, como frotas de ônibus urbanos, frotas logísticas e de aplicativo, e recarga rápida em rodovias.

Contribuições podem ser enviadas até 22 de novembro de 2026, por formulário disponibilizado pelo MME no portal da pasta ou pela plataforma Brasil Participativo. Os participantes também podem anexar estudos, pesquisas, bases de dados e notas técnicas, e não precisam responder a todas as perguntas orientadoras.

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