INSS: tecnologia de reconhecimento facial registra 5 vezes mais erros em idosos, revelam estudos

Meu INSS - Foto: Divulgação
Foto: Meu INSS - Foto: Divulgação

Sistemas de reconhecimento facial podem apresentar uma taxa de erros até cinco vezes maior ao identificar pessoas idosas, em comparação com usuários mais jovens. Essa é a conclusão de um estudo realizado pelo NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos), um órgão de referência similar ao Inmetro no Brasil. A pesquisa aponta que, enquanto a taxa de falhas gira em torno de 1% para indivíduos na faixa dos 20 anos, ela pode chegar a 5% ou mais para aqueles com 70 anos ou acima.

Esses dados ajudam a compreender a série de relatos de pessoas idosas que enfrentam dificuldades constantes para acessar serviços digitais. Muitos usuários reportam problemas ao tentar validar a identidade em aplicativos bancários ou plataformas governamentais, como o Gov.br, devido à imprecisão da tecnologia.

Impacto no dia a dia: de aplicativos bancários à prova de vida do INSS

A imprecisão dos sistemas de reconhecimento facial tem um efeito direto e significativo na rotina de muitos idosos no Brasil. As dificuldades vão desde a impossibilidade de realizar transações bancárias online até a falha na comprovação de vida junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A tecnologia se tornou central para diversos serviços, exigindo uma adaptação que nem sempre é acessível para todos.

A prova de vida, por exemplo, é um procedimento anual obrigatório para aposentados e pensionistas do INSS. Ela pode ser feita digitalmente através do aplicativo Meu INSS, utilizando justamente o reconhecimento facial para confirmar a existência do beneficiário. No entanto, para muitos idosos, essa facilidade se transforma em um obstáculo, gerando estresse e a necessidade de buscar alternativas.

Falsos positivos e falsos negativos: os perigos da falha

Os erros no reconhecimento facial não se manifestam de uma única forma. Existem duas categorias principais que trazem consequências distintas e preocupantes:

  • Falso positivo: Ocorre quando o sistema identifica uma pessoa incorretamente como sendo outra. Este tipo de falha é considerado mais grave, pois pode permitir que indivíduos não autorizados acessem contas ou informações sigilosas de terceiros, comprometendo a segurança e a privacidade.
  • Falso negativo: Acontece quando o sistema não consegue identificar corretamente a pessoa, mesmo que ela seja quem diz ser. Embora menos crítico em termos de segurança, o falso negativo impede o acesso do usuário legítimo ao serviço, gerando transtornos e atrasos no uso de plataformas essenciais.

Especialistas alertam para os riscos crescentes desses sistemas, especialmente quando aplicados em contextos sensíveis como o financeiro e o previdenciário. A busca por conveniência digital não deve negligenciar a segurança e a acessibilidade para todos os cidadãos.

Alternativas e orientações para beneficiários do INSS

Diante das dificuldades no uso do reconhecimento facial, o INSS oferece outras opções para que os beneficiários possam realizar a prova de vida. O Instituto Nacional do Seguro Social esclarece que aqueles que não conseguem utilizar o aplicativo Meu INSS ou que enfrentam problemas com a validação biométrica em bancos têm alternativas.

É possível indicar um procurador para representá-lo no procedimento, ou solicitar a visita de um servidor do INSS na residência do beneficiário para a comprovação de vida. Para quem tem o acesso ao aplicativo bloqueado ou encontra obstáculos na biometria, a orientação é buscar os canais oficiais do Instituto de Previdência para regularizar a situação e evitar a suspensão de pagamentos.

Desafios na inclusão digital para a terceira idade

A questão dos erros no reconhecimento facial para idosos transcende a esfera da tecnologia e toca em desafios maiores de inclusão digital. Muitos sistemas são desenvolvidos sem considerar as particularidades do envelhecimento, como mudanças na pele, na acuidade visual ou na compreensão de interfaces complexas. Isso cria uma barreira significativa para a participação plena da terceira idade na sociedade digital.

A dependência crescente de tecnologias digitais para serviços essenciais – de saúde a finanças – exige um olhar mais atento para o design inclusivo. Garantir que esses sistemas sejam robustos, confiáveis e acessíveis para todas as faixas etárias é fundamental para evitar a exclusão de milhões de pessoas e para promover um avanço tecnológico que beneficie realmente a todos os cidadãos. A pesquisa do NIST serve como um alerta importante sobre a necessidade de aprimorar essas ferramentas com base nas necessidades reais dos usuários.

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