Congresso avança em regulação de streaming: Conselho sugere faixas de tributação e isenção a pequenas empresasPor Luís Pereira
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O Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional aprovou, em recente reunião, um relatório crucial com recomendações detalhadas para o projeto de lei que visa regulamentar e tributar as plataformas de vídeo sob demanda (VOD), popularmente conhecidas como serviços de streaming de filmes e séries. A iniciativa legislativa busca estabelecer um marco regulatório para um setor em constante expansão no país.
Este parecer do conselho, um órgão auxiliar do Congresso, chega em um momento chave, com o Projeto de Lei 2331/22, de autoria do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), já em fase de votação no Senado. As sugestões apresentadas pelo CCS podem influenciar diretamente o formato final da legislação, impactando tanto as grandes corporações globais quanto os pequenos produtores nacionais de conteúdo.
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Proposta de tributação progressiva para plataformas VOD
Uma das principais recomendações do Conselho de Comunicação Social foca na estrutura de tributação, especificamente na Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine). O órgão propôs um modelo progressivo que busca equilibrar a arrecadação com a proteção de empresas de menor porte no mercado.
A sugestão do CCS retoma percentuais que haviam sido previstos na versão original do projeto aprovada pelo Senado, mas que foram modificados posteriormente pela Câmara dos Deputados. As alíquotas propostas pelo conselho são:
- Isenção total: Para empresas de streaming com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
- Alíquota intermediária de 1,5%: Destinada a companhias que faturem entre R$ 4,8 milhões e R$ 96 milhões ao ano.
- Alíquota plena de 3%: Aplicável a empresas cujo faturamento ultrapasse R$ 96 milhões anuais.
Este sistema visa garantir que as menores empresas do setor audiovisual tenham um alívio fiscal, incentivando o crescimento e a produção local, enquanto as gigantes do mercado contribuem proporcionalmente para o fomento da cultura nacional. A Condecine é um tributo fundamental para financiar a produção e distribuição de obras cinematográficas e audiovisuais brasileiras, impulsionando a indústria cultural.
Foco na proteção do mercado audiovisual nacional
Além da estrutura tributária, o Conselho de Comunicação Social enfatizou a necessidade de criar mecanismos de proteção para o mercado doméstico. Entre as recomendações aprovadas, destaca-se a sugestão de implementar salvaguardas específicas para empresas de pequeno e médio porte que atuam no segmento audiovisual brasileiro. Essa medida é crucial para fomentar a diversidade cultural e a competitividade.
A proteção ao conteúdo e aos produtores nacionais é um ponto sensível e amplamente debatido, pois visa assegurar que a produção local não seja ofuscada pela vasta oferta de conteúdo estrangeiro das grandes plataformas. A inserção de tais salvaguardas no projeto de lei pode significar um impulso significativo para a criação de empregos e o desenvolvimento de talentos no Brasil, fortalecendo a identidade cultural do país no cenário global do entretenimento digital.
O papel do Conselho de Comunicação Social no Congresso
É fundamental compreender o papel do Conselho de Comunicação Social (CCS) dentro da estrutura do Congresso Nacional. Este órgão atua como uma instância consultiva, responsável por elaborar estudos aprofundados, emitir pareceres técnicos e formular recomendações sobre uma ampla gama de temas relacionados à comunicação social no Brasil. Sua atuação é vital para subsidiar o trabalho dos parlamentares com informações qualificadas e diferentes perspectivas.
A composição do conselho reflete sua natureza representativa e multidisciplinar, integrando diversas vozes da sociedade. Seus membros incluem representantes da sociedade civil organizada, de empresas do setor de comunicação e de categorias profissionais diretamente ligadas ao campo, como jornalistas, cineastas e outros segmentos da indústria audiovisual. Essa pluralidade garante que as discussões e as propostas considerem múltiplos interesses e pontos de vista, enriquecendo o debate legislativo sobre temas complexos como a regulamentação do streaming.
Impacto das mudanças e próximos passos legislativos
As recomendações do Conselho de Comunicação Social chegam em um momento decisivo para o Projeto de Lei 2331/22. O texto, que já passou por diferentes fases de tramitação e alterações entre o Senado e a Câmara, agora enfrentará a votação final no Senado, onde as sugestões do CCS poderão ser incorporadas ou servir de base para emendas. A aprovação da lei representaria um marco na forma como os serviços de streaming operam e contribuem para a economia e a cultura brasileiras.
A regulação das plataformas de vídeo sob demanda é um tema de crescente relevância global, com muitos países buscando formas de adaptar suas legislações à nova realidade digital. No Brasil, o debate envolve questões de soberania cultural, fomento à produção independente e equilíbrio concorrencial. A implementação de uma legislação clara e eficaz é vista como um passo essencial para garantir um ambiente justo e propício ao desenvolvimento do setor audiovisual nacional, ao mesmo tempo em que oferece previsibilidade para as empresas e acesso a conteúdo diverso para os consumidores.















