Congresso retoma atividades com mais de 80 vetos presidenciais travando pauta e impactando orçamento de 2026
O retorno das atividades parlamentares no Congresso Nacional neste segundo semestre é marcado por um cenário de pauta obstruída, com dezenas de vetos presidenciais aguardando deliberação. Ao todo, 87 dessas objeções do Executivo impedem o avanço de novas votações, enquanto um total de 99 vetos está sob escrutínio de deputados e senadores, exigindo atenção urgente dos legisladores para destravar a agenda.
A situação é crítica porque, de acordo com o regimento interno, vetos não apreciados em até 30 dias passam a trancar a pauta, priorizando sua análise sobre quaisquer outros projetos de lei. Essa paralisação afeta diretamente importantes propostas, como trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 e da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, cujas disposições vetadas abrangem áreas essenciais como saúde, educação, trabalho, segurança e políticas sociais.
Impacto sobre o calendário legislativo e o processo de análise
A última vez que deputados e senadores se reuniram em sessão conjunta para examinar os vetos ocorreu em maio, deixando um acúmulo significativo de matérias pendentes. O processo de reversão de um veto presidencial exige um consenso robusto: é necessária a maioria absoluta dos votos de ambas as Casas – Câmara dos Deputados e Senado Federal – para que a objeção do Executivo seja derrubada e o texto original seja restabelecido.
Dentre os vetos atualmente em análise, 16 deles representam a rejeição integral de propostas já aprovadas pelo Congresso. Essa dinâmica sublinha a tensão entre os poderes Executivo e Legislativo, onde a prerrogativa presidencial de vetar busca equilibrar a constitucionalidade e o interesse público, enquanto o Parlamento defende suas emendas e projetos aprovados após amplo debate.
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Vetos econômicos e orçamentários em destaque
A área econômica e orçamentária concentra alguns dos vetos mais sensíveis, com repercussões diretas para o planejamento financeiro do país e para categorias profissionais. Um dos exemplos mais recentes é o VET 40/26, que incidiu sobre o Projeto de Lei 2816/23, o qual visava equiparar o piso salarial dos zootecnistas ao de outras profissões como engenheiros, químicos, arquitetos, agrônomos e veterinários. O governo justificou a decisão alegando inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público, por estabelecer um novo piso sem a devida estimativa de impacto orçamentário.
Além disso, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 (VET 9/26) teve dois dispositivos vetados, totalizando quase R$ 400 milhões em emendas parlamentares que haviam sido incluídas pelos congressistas. Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do mesmo ano (VET 51/25), dos 44 trechos inicialmente vetados, quatro já foram derrubados pelos parlamentares em maio. Entre os pontos restabelecidos, estava a permissão para que municípios com até 65 mil habitantes e com pendências fiscais pudessem firmar convênios com o governo federal e acessar recursos de programas e emendas, um tema de grande interesse para as cidades menores. Os 40 trechos restantes da LDO ainda aguardam uma decisão.
A regulamentação da reforma tributária (VET 7/25) também enfrenta obstáculos, com dez dos 46 trechos vetados ainda pendentes de avaliação. Outras propostas com veto na área econômica incluem:
- O VET 8/26, relacionado ao comitê gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
- O VET 23/25, sobre a operacionalização de crédito consignado por meio de plataformas digitais.
Temas sociais e ambientais sob avaliação
Diversas propostas com impacto direto na sociedade e no meio ambiente também estão entre as matérias vetadas que aguardam apreciação. A Lei Geral do Esporte (VET 14/23) é o caso mais volumoso, com 340 dispositivos ainda pendentes de análise, apesar de 57 itens já terem sido deliberados pelos congressistas. A complexidade e a abrangência da lei exigem um exame detalhado de cada ponto.
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O Estatuto do Pantanal (VET 36/25) é outra matéria de grande importância ambiental. Os vetos neste caso abrangem regras sobre o manejo do fogo na região e uma sugestão polêmica que permitiria o uso de áreas desmatadas ilegalmente ou degradadas para a implantação de novos empreendimentos, em detrimento de sua recuperação ambiental. Este ponto específico levanta debates acalorados sobre a prioridade entre desenvolvimento econômico e preservação ecológica.
Na área social, o Projeto de Lei 727/16, que resultou na Lei 15.474/26, autorizando o uso de spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres, teve 16 dispositivos vetados (VET 39/26). Entre as objeções, destaca-se a que permitia a compra dos sprays por menores de 18 anos, desde que com autorização expressa dos responsáveis. A Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação (VET 33/26), sancionada há pouco mais de um mês, também teve 32 trechos vetados, incluindo pontos sobre triagem educacional anual em massa, identificação precoce e a criação de um centro de referência em cada unidade da Federação.
Marcos regulatórios e transporte público aguardam deliberação
Além das questões já mencionadas, marcos regulatórios cruciais para a infraestrutura e serviços públicos também estão na fila de votações. Os vetos presidenciais às propostas dos marcos regulatórios do setor elétrico e do transporte público coletivo urbano representam desafios significativos para a governança e a oferta desses serviços essenciais.
No setor elétrico, o VET 42/25 rejeitou o trecho que permitia o ressarcimento por cortes de geração que abranjam todos os eventos de origem externa, independentemente da causa. Esse ponto tem implicações para a segurança energética e a responsabilidade das empresas do setor. Já o VET 30/26, referente ao transporte público, incidiu sobre o item que tornava obrigatória a União, estados e municípios custearem gratuidades e descontos tarifários com recursos orçamentários, uma medida que geraria um impacto financeiro considerável nos orçamentos locais e federais, e que agora será novamente debatida pelos parlamentares.
















