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O Brasil registrou um aumento no número de empresas que não realizam os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos seus empregados. Dados atualizados até junho revelam que 11 milhões de trabalhadores enfrentam atrasos nos pagamentos, com a dívida das companhias somando R$ 12,6 bilhões.

Muitos profissionais só descobrem a irregularidade quando consultam o extrato, muitas vezes através do aplicativo oficial do FGTS. O soldador Julio Lima é um exemplo; ele percebeu que a empresa onde estava empregado não havia depositado os valores desde novembro de 2025, apesar dos descontos aparecerem no contracheque.

Julio relatou a surpresa de vários colegas que, ao verificarem o aplicativo, notaram a mesma situação. Segundo ele, a empresa inicialmente prometeu regularizar a situação, mas o problema persistiu.

Entendendo o funcionamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço

Mensalmente, os empregadores têm a obrigação de depositar uma parte do salário de cada funcionário no FGTS. Essa quantia geralmente corresponde a 8% do salário bruto do trabalhador.

Em setembro de 2025, um levantamento anterior já apontava que 9,5 milhões de brasileiros estavam sendo impactados por atrasos nos repasses do FGTS, totalizando uma dívida de R$ 10 bilhões por parte das empresas.

Um novo estudo, realizado até junho, indica uma escalada neste cenário: o montante devido cresceu para R$ 12,6 bilhões, e a quantidade de trabalhadores prejudicados pela inadimplência dos empregadores atingiu 11 milhões.

A descoberta desses atrasos frequentemente ocorre em momentos críticos para o trabalhador, como durante uma demissão, quando o acesso aos recursos do fundo se torna essencial.

Trabalhadores se deparam com atrasos nos depósitos após a dispensa

Grace e Allan, técnicos de enfermagem, são outro caso de pessoas que descobriram a falta de depósitos após o término do contrato. Eles trabalharam por quatro anos em uma organização social no Rio de Janeiro, prestando serviços a um hospital público. Ao serem dispensados, não receberam as verbas rescisórias e também encontraram irregularidades no FGTS.

Grace Kelly de Matos, técnica de enfermagem, informou que a empresa não fazia os depósitos desde agosto de 2025.

“Quando eu fui ver, a empresa desde agosto de 2025, que ela não depositava, não repassava, né, o FGTS”, disse a profissional.

Allan Felipe, também técnico de enfermagem, corroborou que os valores eram descontados de seus salários nos contracheques, mas nunca foram efetivamente depositados no fundo.

“E assim, tava sendo retirado do nosso salário, do contracheque, porém não estavam sendo depositado”, afirmou Allan.

Além da demissão sem justa causa, existem outras circunstâncias em que o trabalhador pode realizar o saque dos valores do FGTS. Elas incluem:

  • doença grave;
  • catástrofes ambientais;
  • aposentadoria;
  • financiamento da compra da casa própria.

Como proceder quando a empresa não deposita o FGTS corretamente?

Quando há atrasos nos depósitos do FGTS, o trabalhador deve procurar o Ministério do Trabalho, que oferece atendimento presencial ou via site.

As empresas que não cumprem com suas obrigações podem sofrer sanções, como a impossibilidade de emitir o Certificado de Regularidade do FGTS. Sem este documento, elas ficam impedidas de acessar empréstimos bancários e de participar de licitações públicas.

O Ministério do Trabalho informou que, desde março de 2025, a Auditoria Fiscal do Trabalho conseguiu recuperar aproximadamente R$ 6,2 bilhões para o fundo.

Especialistas da área trabalhista recomendam que todos os trabalhadores com carteira assinada consultem seus extratos do FGTS regularmente para verificar se os depósitos estão sendo feitos conforme o previsto.

“Esse aplicativo do FGTS vai permitir a ele acompanhar os depósitos. E não seja surpreendido quando for dispensado e for fazer o saque ali na Caixa Econômica dos valores a menor do que lhe era devido”, explicou a advogada trabalhista Silvia Correia.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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