Ministério da Saúde abre canal de escuta sobre desafios do tabagismo em cenário de aumento de fumantesPor Redação
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O Ministério da Saúde lançou uma iniciativa inovadora para coletar depoimentos da população sobre os impactos do tabagismo e os obstáculos enfrentados no processo de parar de fumar. A ação, intitulada “Conte o que o cigarro não mostra”, visa ir além das imagens explícitas nas embalagens de cigarros, buscando compreender as nuances da dependência e suas repercussões na vida cotidiana dos indivíduos e de suas famílias.
A campanha surge em um momento crucial, com dados recentes do Ministério da Saúde indicando uma preocupante reversão na tendência de queda do número de fumantes no Brasil. Após quase duas décadas de declínio, o percentual de adultos que fumam voltou a crescer, acendendo um alerta para a necessidade de aprimorar as estratégias de combate ao tabagismo e de apoio àqueles que desejam abandonar o vício.
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Campanha busca relatos para novas advertências e políticas
A proposta central da “Conte o que o cigarro não mostra” é dar voz a fumantes, ex-fumantes e seus conviventes, convidando-os a compartilhar suas histórias sobre como o consumo de cigarro afeta a rotina, a qualidade de vida e a saúde. O objetivo é captar experiências que as advertências sanitárias atuais, focadas em consequências físicas, não conseguem traduzir plenamente.
Esses relatos, que abordam as mudanças na dinâmica familiar, nas relações afetivas e no dia a dia, serão fundamentais. As informações coletadas servirão como base para a criação de novas imagens e mensagens a serem impressas nas embalagens de cigarros. Além disso, os depoimentos contribuirão significativamente para o aperfeiçoamento das políticas públicas de controle do tabaco, oferecendo uma perspectiva mais humana e abrangente sobre o problema, para além dos indicadores estatísticos.
Para participar, os interessados devem acessar a página #MinhaHistóriaSemFiltro no Portal da Saúde e preencher um formulário online. A plataforma de recebimento dos relatos estará disponível até novembro. Um QR Code para acesso rápido ao formulário será divulgado nas redes sociais do Ministério da Saúde até o final de setembro, contando com o apoio da Comunicação da Anvisa.
Reversão na queda de fumantes e busca por tratamento no SUS
Um levantamento recente do Ministério da Saúde, divulgado este ano, revelou um cenário preocupante: o Brasil registrou um aumento no número de fumantes após quase 20 anos de queda contínua. Em 2024, 11,7% da população adulta brasileira fumava, conforme dados do inquérito nacional Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).
Embora o percentual atual ainda esteja abaixo dos 15,7% registrados em 2006, ele representa um aumento em relação aos 9,2% contabilizados em 2023. Essa reversão destaca a complexidade do desafio do tabagismo e a necessidade de reforçar as ações de prevenção e cessação. Paralelamente a esse aumento, houve um crescimento expressivo na procura por tratamento.
A busca por apoio para parar de fumar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS) também registrou um salto notável. Em 2025, foram atendidas 2,1 milhões de pessoas, um número significativamente superior ao 1 milhão de atendimentos em 2022 e aos 351 mil em 2015. Esse dado sublinha a crescente demanda por serviços de saúde para lidar com a dependência da nicotina, evidenciando a importância do acesso facilitado a esses programas.
O suporte abrangente do SUS para a cessação do tabagismo
O Sistema Único de Saúde oferece tratamento gratuito e abrangente para quem deseja parar de fumar, com portas de entrada acessíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). O cuidado à pessoa tabagista é estruturado em diversas etapas, visando oferecer suporte contínuo e personalizado:
- Identificação e busca ativa: Profissionais de saúde atuam na detecção de fumantes e os incentivam a buscar ajuda.
- Acolhimento: Oferecimento de um ambiente de suporte e escuta, essencial para quem decide abandonar o vício.
- Avaliação clínica e do grau de dependência: Análise individualizada da saúde do paciente e do nível de sua dependência à nicotina.
- Definição e implementação do plano terapêutico: Elaboração de um plano de tratamento, que pode ser individual ou em grupo, adaptado às necessidades de cada pessoa.
- Monitoramento da evolução clínica: Acompanhamento regular do progresso do paciente ao longo do tratamento.
- Manejo de recaídas e reforço das estratégias de cessação: Suporte para lidar com eventuais recaídas e fortalecimento das táticas para manter a abstinência.
Quando indicado pelos profissionais de saúde, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos para reduzir os sintomas da abstinência, como adesivos e gomas de nicotina, além de bupropiona. A disponibilidade desses recursos, aliada ao acompanhamento profissional, reforça o compromisso do SUS em apoiar a população na superação do tabagismo.
Prevalência entre homens e o desafio dos dispositivos eletrônicos
A análise demográfica dos dados do Vigitel revela diferenças na prevalência do tabagismo entre os gêneros. Entre os homens, a taxa de fumantes registrou uma queda de 19,5% em 2006 para 13,9% em 2024, embora tenha havido um aumento em relação aos 11,6% de 2023. No caso das mulheres, o percentual de fumantes diminuiu de 12,4% em 2006 para 9,5% em 2024, também com um leve crescimento em comparação aos 7,3% registrados no ano anterior.
Um desafio emergente no combate ao tabagismo é o uso de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs). A frequência de adultos que utilizam cigarros eletrônicos ou outros DEFs passou de 2,3% em 2019 para 2,4% em 2024. O dado mais alarmante, contudo, reside na população jovem: entre 18 e 24 anos, o uso de DEFs saltou de 7,4% em 2019 para 10,1% em 2024, configurando o maior índice histórico para essa faixa etária.
Este aumento, especialmente entre jovens, representa um obstáculo significativo para as políticas de prevenção e controle do tabagismo no país. O Brasil é reconhecido internacionalmente por suas políticas abrangentes de controle do tabaco, alinhadas à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (CQCT/OMS), que incluem a proibição de propaganda, restrição do fumo em ambientes fechados e advertências sanitárias em embalagens. A inclusão da experiência individual na formulação de novas estratégias é um passo crucial para adaptar essas políticas aos desafios contemporâneos e garantir a proteção da saúde pública.















