Intestino guarda o segredo da obesidade e do diabetes, indica pesquisa de HarvardPor Beatriz
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Uma revelação significativa no campo da ciência metabólica aponta que o controle da obesidade e do diabetes tipo 2 talvez vá além da alimentação e da hereditariedade. O foco se volta para pequenas moléculas que se deslocam do intestino em direção ao fígado, conforme uma pesquisa divulgada em 15 de dezembro de 2025.
Coordenado pela Universidade de Harvard, com suporte da FAPESP, um novo estudo identificou metabólitos, que são moléculas geradas pelas bactérias da microbiota intestinal. Esses compostos atuam como importantes mensageiros químicos, controlando o metabolismo energético e a sensibilidade à insulina no fígado.
Como os mensageiros do intestino chegam ao fígado
Diferentemente de pesquisas anteriores, que usualmente analisavam o microbioma através de amostras de fezes ou sangue em outras partes do corpo, a nova investigação concentrou-se no sangue da veia porta hepática. Este é o primeiro ponto onde chegam os produtos da ação bacteriana intestinal, permitindo uma compreensão detalhada de como esses compostos atingem o fígado e afetam as vias metabólicas.
Os cientistas constataram que elementos como uma alimentação com alto teor de gordura e a própria genética influenciam significativamente a quantidade e o equilíbrio desses metabólitos na circulação sanguínea.
Em testes com camundongos predispostos a enfermidades metabólicas, uma dieta rica em lipídios resultou na diminuição de metabólitos favoráveis na veia porta. Esse achado ilustra a intrincada relação entre fatores ambientais, herança genética e a microbiota intestinal.

Uma nova perspectiva para o tratamento de doenças metabólicas
O aspecto mais animador da investigação concentra-se no metabólito mesaconato. Depois de identificarem essa substância em camundongos, os pesquisadores realizaram experimentos com hepatócitos, as células do fígado, em ambiente laboratorial.
Os resultados foram conclusivos: a aplicação de mesaconato otimizou a sinalização da insulina e colaborou para ajustar os genes ligados ao processo de acúmulo de gordura no fígado, conhecido como lipogênese.
O estudo indica que, ao invés de abordagens tradicionais focadas na eliminação de bactérias prejudiciais ou na restrição alimentar, futuros tratamentos para doenças metabólicas poderiam envolver a modulação ou o complemento dos metabólitos gerados pelo microbioma intestinal. O reconhecimento e a descrição desses “mensageiros” são essenciais para criar inovações terapêuticas contra a resistência à insulina, a obesidade e o diabetes tipo 2.







