Mente em aviso: neurocientista lista 5 sinais de socorro do cérebro antes de adoecimento sérioPor Carolina Costa
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O cérebro envia alertas sutis quando a saúde mental está em risco, muitas vezes confundidos com cansaço ou uma “fase ruim”. A neurocientista Carol Garrafa, CEO da Santé, descreve cinco padrões cruciais que indicam que a mente precisa de ajuda, um tema que ganha destaque no limiar de setembro, mês das campanhas de saúde mental. A identificação precoce desses sinais pode interromper um ciclo de estresse prolongado antes que o sofrimento evolua para um adoecimento mais grave.
“O cérebro é programado para nos proteger. Quando passamos por um período prolongado de estresse, pressão ou sofrimento emocional, ele começa a economizar energia e reorganizar prioridades”, explica Carol Garrafa. Essa estratégia de autopreservação pode se manifestar de maneiras que, se ignoradas, contribuem para um cenário preocupante: em 2025, a Previdência Social registrou um recorde de afastamentos por transtornos mentais, concedendo 546.254 benefícios por incapacidade temporária, um aumento significativo de 15,66% em relação a 2024.
Como identificar os alertas do cérebro
A especialista enfatiza a importância de observar alterações persistentes, e não eventos isolados, no comportamento e nas emoções. Reconhecer esses padrões é o primeiro passo para o cuidado.
Mudanças nos padrões de sono
Dormir muito mais ou muito menos do que o habitual é um dos primeiros indicadores de que algo não vai bem. O sono desempenha um papel vital na regulação das emoções, na consolidação da memória e na restauração de energia. Embora uma noite de sono ruim seja comum, dificuldades para dormir, despertares frequentes ou o excesso de sono se tornando uma rotina exigem atenção redobrada.
Aumento da irritabilidade e baixa tolerância
O sofrimento emocional nem sempre se manifesta como tristeza. Pode surgir como impaciência ou reações desproporcionais a situações cotidianas. A irritabilidade persistente, segundo a neurocientista, pode sinalizar um cérebro em estado de alerta permanente, interpretando estímulos pequenos como ameaças e gastando mais energia do que o normal.
Tendência ao isolamento social
Evitar conversas, cancelar compromissos e perder o interesse no convívio com familiares e amigos pode ser um sinal de sobrecarga mental. “Somos seres sociais. O isolamento prolongado costuma indicar que a pessoa enfrenta dificuldades para lidar com suas emoções ou simplesmente não tem energia mental para manter as relações que antes eram naturais”, afirma Garrafa.
Queda de concentração e falhas na memória
Quando a mente está exausta e gasta energia para administrar uma carga emocional intensa, a capacidade para atenção, memória e tomada de decisões diminui. Muitos interpretam essa dificuldade como uma simples queda de produtividade, mas a leitura da especialista é de um pedido de socorro do organismo, indicando que o cérebro está sobrecarregado.
Perda de interesse em atividades prazerosas
A motivação que desaparece de forma persistente merece investigação. “Um cérebro saudável busca recompensa e conexão. No período em que isso deixa de acontecer, é um indicativo de que os circuitos ligados ao bem-estar podem estar comprometidos”, explica Carol Garrafa. A falta de prazer em hobbies e atividades que antes animavam é um forte sinal de alerta.
A importância da persistência nos sinais
É fundamental ressaltar que um sinal isolado não configura um diagnóstico de depressão ou outro transtorno. O que realmente importa é a combinação desses fatores: a intensidade, a frequência e a duração das mudanças. Ignorar esses padrões, por outro lado, aumenta os riscos de um agravamento do quadro.
Recorde de afastamentos por transtornos mentais em 2025
O alerta da especialista ressoa com dados alarmantes da Previdência Social. Em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais. Este é o maior volume registrado na série recente, superando os 472.328 de 2024.
Os transtornos que mais impulsionaram esse recorde foram os que se alinham diretamente com os sinais apontados por Carol Garrafa: outros transtornos ansiosos (166.489 concessões) e episódios depressivos (126.608). Transtorno afetivo bipolar e transtorno depressivo recorrente também registraram números elevados. Esses números demonstram a seriedade do adoecimento quando o sofrimento deixa de ser uma “fase” e se torna uma incapacidade que afeta a vida profissional e pessoal.
Onde buscar ajuda especializada
Cuidar da saúde mental é um processo contínuo. Buscar ajuda profissional ao identificar esses sinais não é sinal de fraqueza, mas sim uma forma essencial de cuidado com o próprio bem-estar. Em vez de perguntar “estou só cansado?”, é crucial observar se o sono, o humor, o convívio social, o foco e o prazer se alteraram em conjunto e se mantiveram por semanas. Nesses casos, a avaliação com um profissional de saúde é recomendada. Para escuta imediata e sigilosa, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito 24 horas pelo telefone 188. Avaliações clínicas mais aprofundadas devem ser realizadas com psicólogos ou psiquiatras.







