Relembre o caso do ‘Tio Paulo’: mulher é acusada de levar homem morto a banco no RioPor Bruna
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Um dos episódios mais controversos e bizarros dos últimos anos na cena policial brasileira, o caso que ficou conhecido como “Tio Paulo” reacende debates sobre ética, cuidado com idosos e a segurança de transações financeiras. O fato, que chocou o país e o mundo em 16 de abril de 2024, envolveu uma mulher que levou um homem já sem vida a uma agência bancária para tentar obter um empréstimo, gerando ampla repercussão e levantando questões profundas sobre a vulnerabilidade e os limites da conduta humana.
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Identificação dos envolvidos no incidente do banco
O homem que apareceu sem vida na cadeira de rodas foi identificado como Paulo Roberto Braga, que tinha 68 anos de idade. A mulher que o acompanhava até o estabelecimento bancário é Erika de Souza Vieira Nunes. Ela se apresentou como sobrinha e responsável pelos cuidados do idoso. Contudo, a Polícia Civil tem investigado a verdadeira relação familiar entre os dois, levantando a possibilidade de que fossem primos.
Em seu depoimento às autoridades, Erika de Souza relatou que Paulo havia sido hospitalizado na semana anterior, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Bangu, diagnosticado com pneumonia. Ele teria recebido alta médica em 15 de abril de 2024. A UPA confirmou essa informação, afirmando que o paciente foi internado em 8 de abril.
Detalhes da sequência de eventos no Rio de Janeiro
Os acontecimentos se desenrolaram em 16 de abril de 2024, em uma agência do banco Itaú, localizada na Avenida Cônego de Vasconcelos 64, no bairro de Bangu, Rio de Janeiro. Erika e Paulo chegaram ao local utilizando um carro de aplicativo. O motorista os deixou no estacionamento do Real Shopping, a dois quarteirões do banco, uma vez que a agência se situa em uma rua com restrição de tráfego de veículos. O percurso a pé do estacionamento até o Itaú durou aproximadamente dez minutos.
Imagens de segurança, registradas às 13h02, mostram Paulo sendo transportado por Erika em uma cadeira de rodas. Ao sair do elevador do Real Shopping, ele já apresentava a cabeça tombada. Ambos seguiram para a agência do Itaú. Às 14h01, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pelos funcionários do banco, chegando ao local dez minutos depois, às 14h11. Por volta das 15h20, a Polícia Militar foi chamada. Os agentes que compareceram à agência confirmaram que um médico do Samu já havia declarado o óbito de Paulo.

A cena chocante dentro da agência bancária
Um vídeo gravado dentro da agência revela Erika tentando fazer com que Paulo assinasse um documento. Tratava-se de uma ordem de pagamento no valor de R$ 17 mil, essencial para a retirada do dinheiro. O montante era referente a um seguro de direito de Paulo, e Erika informou à polícia que ele tinha a intenção de usar o valor para adquirir uma televisão e realizar reformas em sua residência.
Ao observar Erika e Paulo, os funcionários do banco manifestaram estranhamento com a situação. Eles começaram a perceber que havia algo incomum com o idoso, decidiram filmar a cena e acionaram o Samu. Uma das funcionárias do banco comentou: “Ele não está bem, não. A corzinha não está ficando…”.
Conforme o delegado Fábio Luiz Souza, responsável pela investigação, Paulo já estava morto no momento em que chegou ao banco. “As pessoas do banco acharam que ele estivesse doente, passando mal, e chamaram o Samu. O médico do Samu, ao chegar no local, constatou que ele estava em óbito. E aparentemente, há algumas horas. Ou seja, ele já chegou morto ao banco”, declarou o delegado.
Até o presente momento, a hora exata da morte de Paulo permanece desconhecida. O que se confirmou, segundo os profissionais do Samu, é que Paulo já estava sem vida no guichê do banco. A autópsia realizada pelo Instituto Médico Legal (IML), que ainda não teve sua conclusão divulgada, será fundamental para determinar a causa e o horário preciso do falecimento.
A versão apresentada pela defesa de Erika
Erika de Souza foi detida em flagrante pelas acusações de tentativa de furto mediante fraude e vilipêndio de cadáver. Sua defesa alega que Paulo teria falecido enquanto estava dentro da agência bancária, e não antes de chegar. Em depoimento à polícia, Erika afirmou que Paulo estava “consciente, embora debilitado” antes de adentrar o banco e que somente notou que ele “parou de responder” no momento em que recebia atendimento no local.
A advogada de Erika, Ana Carla de Souza Correa, também reiterou que Paulo teria sofrido um mal-estar no banco. “O senhor Paulo chegou à unidade bancária vivo. Existem testemunhas que no momento oportuno também serão ouvidas. Ele começou a passar mal, e depois teve todos esses trâmites. Tudo isso vai ser esclarecido e acreditamos na inocência da senhora Erika”, disse a advogada.
Detalhes da investigação policial
A polícia não aceita a versão de Erika de que Paulo teria morrido na agência, baseando-se em achados fisiológicos, como certos sinais observados no corpo do idoso. A Polícia Civil esclarece que, após a morte de uma pessoa, o sangue tende a se acumular em regiões específicas do corpo devido à interrupção da circulação. Esses livores cadavéricos foram identificados na nuca de Paulo.
De acordo com o delegado Fábio Luiz Souza, a presença desses livores na nuca sugere que Paulo teria morrido enquanto estava deitado. Na agência bancária, ele se encontrava sentado em uma cadeira de rodas. Se o óbito tivesse ocorrido enquanto ele estivesse sentado, os livores cadavéricos estariam concentrados na região das pernas de Paulo, onde a perícia inicial não detectou nenhuma mancha indicativa.















