SUS impulsiona saúde infantil e alcança marcos históricos na primeira infância com ações integradasPor Luís Pereira
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O Brasil tem registrado avanços significativos no cuidado com a primeira infância, com o Sistema Único de Saúde (SUS) consolidando um modelo abrangente que impacta diretamente a saúde e o desenvolvimento das crianças. Este investimento estratégico é reconhecido como fundamental para o presente dos pequenos e para a construção de um futuro mais promissor para toda a nação. A atenção integral oferecida pelo SUS abrange uma vasta gama de serviços e programas dedicados a garantir que cada criança tenha as melhores condições para crescer e aprender.
A abordagem do sistema vai além da mera sobrevivência, focando em proporcionar um ambiente propício para o aprendizado, a brincadeira e a plena expressão do potencial infantil. Desde antes do nascimento, com o acompanhamento pré-natal, até a fase crucial dos primeiros anos de vida, o SUS atua como um pilar essencial na promoção da saúde e na diminuição das disparidades sociais, conforme ressaltado pelo Ministério da Saúde em momentos de celebração como o Dia Nacional da Infância.
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Conquistas históricas na saúde infantil brasileira
Os resultados das políticas de saúde para a primeira infância são evidenciados por indicadores que demonstram uma melhoria consistente ao longo da última década. Um dos marcos mais importantes é a notável redução da mortalidade neonatal, que diminuiu aproximadamente 23% em dez anos, passando de cerca de 9,9 óbitos por mil nascidos vivos em 2014 para 7,62 em 2024. Este declínio reflete a eficácia das ações integradas de pré-natal, atenção ao parto e cuidado com o recém-nascido.
A amamentação exclusiva, um fator crucial para a redução da morbimortalidade infantil, também alcançou seu ponto mais alto na série histórica nos anos de 2024 e 2025. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) indicam que 57% dos bebês de até seis meses acompanhados pela Atenção Primária estavam em aleitamento materno exclusivo. Além disso, houve um substancial aumento da cobertura vacinal infantil, com o número de crianças que não receberam nenhuma dose das vacinas básicas caindo de 360 mil em 2023 para aproximadamente 50 mil em 2025, uma redução de cerca de 86% em apenas dois anos, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa conquista permitiu que o Brasil deixasse a lista dos 20 países com maior número de crianças “dose zero”, um feito de grande impacto para a saúde pública.
Atenção primária e o papel da caderneta de saúde
A Atenção Primária à Saúde (APS) é o alicerce do cuidado na primeira infância, estabelecendo metas claras para o acompanhamento contínuo das crianças. O objetivo é identificar precocemente qualquer desvio no desenvolvimento e garantir as intervenções necessárias para o bem-estar infantil. As diretrizes da APS incluem uma série de marcos importantes:
- Garantia da primeira consulta médica até o 30º dia de vida.
- Realização de pelo menos nove consultas e nove registros de peso e altura até os dois anos de idade.
- Duas visitas domiciliares por agentes comunitários de saúde nos primeiros seis meses.
- Cumprimento integral do esquema vacinal recomendado para a faixa etária.
Essas ações são complementadas pela Caderneta de Saúde da Criança, um instrumento vital para o monitoramento do desenvolvimento infantil. Entregue ainda na maternidade, a caderneta acompanha a criança até os nove anos, reunindo informações essenciais sobre vacinação, crescimento, desenvolvimento, alimentação, saúde bucal e prevenção de acidentes e violências. A versão digital da caderneta, integrada ao Meu SUS Digital, já superou 3,5 milhões de acessos, demonstrando a modernização e a acessibilidade dos serviços. Em termos de distribuição física, 6,5 milhões de cadernetas impressas foram entregues em 2024, e quase 4,9 milhões em 2025, reforçando a importância do registro e acompanhamento.
Estratégias de equidade e o futuro do cuidado integral
O Brasil conta com mais de 18 milhões de crianças entre 0 e 6 anos, e, em outubro de 2023, mais de 10 milhões delas, o equivalente a 55,4% da população dessa faixa etária registrada no Censo de 2022, estavam inscritas no Cadastro Único. Esse dado sublinha a necessidade de um olhar atento para crianças em contextos de maior vulnerabilidade, como aquelas em situação de pobreza, insegurança alimentar, e pertencentes a grupos étnicos e comunidades tradicionais como negras, indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
Para enfrentar as desigualdades, o SUS tem fortalecido estratégias como a territorialização, a busca ativa de crianças fora do sistema de saúde, a intensificação das visitas domiciliares, a vigilância contínua do crescimento e desenvolvimento e a articulação intersetorial com outras áreas. O novo modelo de cofinanciamento federal da Atenção Primária à Saúde (APS) incorpora um componente de equidade, que leva em conta o Índice de Vulnerabilidade Social, o porte populacional e critérios demográficos, incluindo crianças menores de cinco anos e beneficiários de programas de proteção social. Iniciativas como a Primeira Infância Antirracista, a Unidade Amiga da Primeira Infância (UAPI) – uma estratégia do UNICEF Brasil – e a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA), em conjunto com a integração entre o SUS e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), visam não apenas elevar as médias nacionais, mas principalmente identificar e oferecer respostas personalizadas às barreiras enfrentadas pelas crianças que mais necessitam de apoio.















