Campanha nacional para rastrear diabetes tipo 5 tem início e prioriza Norte e NordestePor Bruna
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O Brasil vai começar a monitorar os casos de diabetes tipo 5, uma condição diretamente ligada à desnutrição. Esta iniciativa surge após a Federação Internacional de Diabetes (IDF) reconhecer formalmente a doença em abril de 2025, integrando-a ao rol de diagnósticos oficiais. As primeiras regiões a participar do rastreamento serão o Norte e o Nordeste, que concentram o maior número de ocorrências de desnutrição e insegurança alimentar no país, o que realça a importância de um olhar mais atento para as necessidades específicas dessas populações.
A endocrinologista Hermelinda Cordeiro Pedrosa, que é vice-presidente global da IDF e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), enfatizou a importância desse avanço. “A IDF dá agora visibilidade a uma condição há muito negligenciada. Precisamos identificar essas pessoas, corrigir classificações equivocadas e avançar para um tratamento mais adequado às características desse tipo de diabetes”, afirmou.
O cenário atual da doença é marcado pela subnotificação, problema que Hermelinda Pedrosa associa diretamente a diagnósticos imprecisos, muitas vezes confundidos com diabetes tipo 1 ou tipo 2. Essa classificação errônea impede o tratamento correto e aumenta significativamente o risco de complicações graves, como retinopatia, neuropatia e doença renal.
A nova ferramenta de rastreamento será desenvolvida com base em pesquisas conduzidas por instituições brasileiras de renome, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A iniciativa é resultado de uma parceria entre a IDF, a SBEM, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Fiocruz, e foi apresentada durante o Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia ocorrido este ano.
Entenda como funciona a diabetes tipo 5

Frequentemente confundida com a diabetes tipo 1, a diabetes tipo 5 foi descrita pela primeira vez há 71 anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Contudo, ela só foi oficialmente incluída nos documentos da Federação Internacional de Diabetes (IDF) como parte do grupo de diabetes em abril de 2025.
Esta forma de diabetes é causada pela desnutrição, que se refere à falta de alimentação adequada em fases críticas do desenvolvimento do pâncreas na infância. Por essa razão, pessoas com diabetes tipo 5 apresentam uma produção reduzida de insulina, mesmo que o organismo continue respondendo ao hormônio.
Além da deficiência na produção de insulina, outros indicativos importantes da doença incluem um Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 18,5 kg/m², o diagnóstico geralmente antes dos 30 anos, um histórico de desnutrição na infância ou adolescência, e episódios de hiperglicemia intensa.
Hermelinda esclarece os principais sinais que devem levar o médico a investigar o diagnóstico. “São pessoas muito magras, com baixa reserva pancreática, mas que não apresentam a resistência à insulina típica do diabetes tipo 2 nem evidências de autoimunidade como no tipo 1. Essa combinação é um dos principais sinais para o médico investigar o diagnóstico”, disse.
O diagnóstico preciso é estabelecido pela combinação do histórico clínico e nutricional do paciente com exames específicos. Entre eles, destacam-se a dosagem de peptídeo C, que auxilia na avaliação da capacidade do pâncreas de gerar insulina, e a pesquisa de autoanticorpos.
O tratamento da diabetes tipo 5 difere significativamente dos demais tipos. Pacientes com essa condição não podem receber insulina em doses elevadas, como é comum para os tipos 1 e 2, pois o excesso do hormônio pode provocar hipoglicemia. A intervenção nutricional é fundamental e deve ser direcionada para corrigir as deficiências de nutrientes.
“A pessoa com diabetes tipo 5 produz pouca insulina, mas mantêm sensibilidade ao hormônio, eles podem precisar de insulina em baixas doses, enquanto outros podem ser tratados com medicamentos orais. Ainda não há, porém, um medicamento ou esquema terapêutico estabelecido como padrão internacional”, informou Hermelinda.
Globalmente, a diabetes tipo 5 impacta pelo menos 25 milhões de pessoas, sendo sua ocorrência mais frequente em países em desenvolvimento.







