Mais de cinco mil pessoas permanecem desaparecidas no Nepal, cinco dias após uma devastadora parede de água e detritos atingir a vila ribeirinha de Devighat, conforme relatos da 31 de agosto de 2026. A lama que cobriu a região está endurecendo rapidamente, complicando severamente os esforços de busca por sobreviventes. O desastre transformou a paisagem às margens do rio Likhu, com edifícios danificados e casas totalmente encobertas.
Desafios na busca por sobreviventes em Devighat
Equipes de resgate enfrentam uma corrida contra o tempo e condições extremamente adversas para localizar pessoas. O silêncio no local do desastre é perturbador, e a solidificação da lama sob a qual milhares de indivíduos podem estar soterrados torna a tarefa de busca quase insuperável. Em meio a este cenário, sepultamentos coletivos já foram iniciados, indicando a diminuição das esperanças de encontrar mais sobreviventes. O primeiro-ministro Balendra Shah descreveu o desastre como “inimaginável”, ressaltando a dificuldade de avaliar a extensão total dos danos.
Balanço da tragédia e vítimas estrangeiras
Até o momento, o número de mortos no Nepal chegou a 903. As autoridades estimam que 4.200 pessoas estejam desaparecidas somente no lado nepalês do território. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do Nepal confirmou que 590 cidadãos estrangeiros, provenientes de 39 países diferentes, seguem desaparecidos. Felizmente, mais de 323 estrangeiros já foram resgatados com vida. No total, as operações de busca e salvamento conseguiram resgatar mais de 10 mil pessoas.
Apoio internacional e origem do desastre
A comunidade internacional mobilizou-se para prestar auxílio ao Nepal. Pelo menos sete países ofereceram ajuda, enviando uma variedade de recursos e equipamentos essenciais para os esforços de socorro. A origem da catástrofe é atribuída ao colapso parcial de uma geleira do Himalaia, que transformou o rio Bhote Koshi em uma correnteza avassaladora, atingindo o vale rapidamente.
- China
- Índia
- Japão
- Estados Unidos
- Emirados Árabes Unidos
- Coreia do Sul
Os recursos enviados abrangem desde equipamentos de socorro e kits de teste de DNA até geradores e congeladores, conforme informações do Ministério das Relações Exteriores nepalês.
Peregrinos e turistas entre os afetados
Entre os milhares de desaparecidos, muitos são turistas e peregrinos que estavam em viagem em direção ao Monte Kailash. Esta montanha, considerada sagrada, está localizada na região chinesa do Tibete e atrai visitantes de diversas partes do mundo. A presença de cidadãos de quase quarenta nações eleva a complexidade das operações de busca e identificação das vítimas, exigindo cooperação internacional em diversas frentes.
O impacto das mudanças climáticas nos Himalaias
O derretimento acelerado das geleiras no Himalaia, um fenômeno frequentemente associado às mudanças climáticas globais, tem sido um fator preocupante. Eventos como a ruptura de geleiras e as consequentes inundações glaciais e deslizamentos de terra, como o ocorrido em Devighat, tornam-se mais frequentes e intensos. Esta tragédia serve como um lembrete severo da vulnerabilidade das comunidades que habitam regiões montanhosas, sublinhando a urgência de desenvolver estratégias robustas de mitigação de riscos e adaptação para enfrentar os desafios ambientais futuros.
