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Pesquisadores da Universidade de Ege apresentaram em 10 de setembro de 2026 simulações que apontam que o jovem Sol engoliu uma super-Terra com massa entre cinco e dez vezes maior que a do nosso planeta nos primórdios do Sistema Solar. O material desse corpo rochoso deixou marcas químicas preservadas que ajudam a decifrar anomalias térmicas e estruturais observadas atualmente na estrela central.

O professor Mutlu Yildiz, da Universidade de Ege e integrante da equipe, explicou o cenário: “Nosso novo estudo sugere que um planeta várias vezes mais massivo que a Terra pode ter caído no jovem Sol e deixado uma impressão química duradoura em seu interior.”

Impactos químicos detectados no interior da estrela

A investigação científica utilizou dados de heliossismologia para analisar como as ondas sonoras se propagam pelo interior do Sol e mapear camadas que permanecem inacessíveis à observação direta. Os dados coletados mostravam divergências graves entre as projeções teóricas tradicionais e a velocidade sonora registrada logo abaixo da chamada zona de convecção. Os cálculos convencionais também falhavam em esclarecer a baixa presença do elemento químico lítio na superfície da estrela.

Yildiz declarou: “Estávamos interessados em saber se esses problemas poderiam ter uma origem comum na história química inicial do Sol.”

A incorporação de um planeta desse porte introduziu elementos densos na composição estelar e alterou parâmetros físicos que persistem mensuráveis até os dias atuais. Os efeitos identificados pelos cientistas envolvem quatro pontos centrais:

  • Alterações na estrutura interna e nas camadas profundas do Sol.
  • Variações na velocidade de propagação do som sob a zona de convecção.
  • Mudança na profundidade estimada dessa mesma região solar.
  • Respostas para os baixos índices de lítio observados na superfície.
Sol tempestade geomagnética
Sol tempestade geomagnética – Artsiom P/shutterstock.com

Evidências de mundos extintos no Sistema Solar

O passado do Sistema Solar abrigava uma quantidade maior de corpos celestes em comparação com os oito planetas existentes hoje. Registros astronômicos indicam que o protoplaneta Theia, de proporções semelhantes às de Marte, colidiu contra a Terra primitivamente para dar origem à Lua. Outros modelos teóricos sustentam que o planeta Júpiter expulsou gravitacionalmente um mundo de grande porte para fora do sistema estelar.

Super-Terras são bastante comuns no Universo.

Embora nenhuma super-Terra orbite o Sol atualmente, um trabalho publicado há cerca de uma década demonstrou que formações dessa categoria podiam surgir no interior da órbita do planeta Mercúrio. Essa pesquisa anterior descreveu a formação dos mundos internos, mas evitou estabelecer o destino dessas massas rochosas após o nascimento da estrela.

Simulações computacionais definiram a massa do corpo rochoso

Para verificar se o desaparecimento de um mundo rochoso explicaria as anomalias químicas solares, os cientistas utilizaram o software MESA para simular diversos modelos de evolução estelar com taxas distintas de acréscimo de matéria e compararam minuciosamente as projeções com as propriedades físicas medidas na superfície e no núcleo do Sol. A simulação que atingiu a maior precisão diante das características do Sol moderno estabeleceu que a super-Terra destruída possuía entre cinco e dez vezes a massa da Terra. Yildiz afirmou: “Pensávamos que a ingestão de um planeta poderia afetar a estrutura solar, mas não esperávamos que os cálculos convergissem para uma faixa de massa tão específica.”

Os cientistas buscam novas pistas.

Próximos passos dependem de validação independente

O grupo de pesquisadores concentra esforços na busca direta pelas impressões digitais químicas que a super-Terra espalhou pela matéria estelar. A confirmação das medições por equipes independentes definirá se os vestígios químicos detectados comprovam a destruição do planeta pelo Sol.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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