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Astrônomos flagram união de estrelas ocorrida há 60 anos

radiotelescópio ALMA - NASA, ESA, CSA, STScI
Foto: radiotelescópio ALMA - NASA, ESA, CSA, STScI
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Astrônomos mapearam a junção de duas estrelas massivas que formaram um sistema binário a 5.300 anos-luz da Terra, conforme estudo publicado em 8 de setembro. A movimentação conjunta das chamadas protoestrelas ocorreu no sistema IRAS 07299−1651.

Os dados revelaram que os corpos celestes não nasceram da mesma nuvem de gás e poeira, como costuma acontecer nesse tipo de formação no espaço. As estrelas se desenvolveram de forma separada antes de uma aproximação tardia uni-las gravitacionalmente. O registro surpreendeu a equipe.

Na Via Láctea, cerca de 90% das estrelas massivas possuem uma companheira de órbita.

Desalinhamento chamou a atenção durante as análises

A identificação começou em 2019, quando pesquisadores da Shanghai Jiao Tong University notaram que os discos de matéria que alimentam cada astro estavam completamente desalinhados. As órbitas calculadas mostraram um desenho achatado e excêntrico, distante dos círculos simétricos esperados para corpos gerados pelo mesmo disco gasoso primordial.

Se as duas estruturas tivessem surgido juntas no colapso de uma única nuvem estelar, os discos de poeira manteriam uma inclinação equivalente mesmo após qualquer divisão interna do sistema, mas os pesquisadores da Shanghai Jiao Tong University e do Instituto de Astrofísica de Andalucía constataram que esses anéis giram em ângulos acentuadamente inclinados entre si enquanto expelem jatos de matéria em direções divergentes pelo cosmos. A inclinação revelou a dinâmica incomum. O pesquisador Yao Wang relatou que o processo funcionou como a montagem de um enigma tridimensional para conectar órbitas, discos e jatos em uma visão única. Os bolsões individuais de gás suportaram o encontro inicial e conservaram as próprias propriedades estruturais.

Instrumentos combinados para detalhar a formação

O rastreamento de oito anos utilizou dados de quatro observatórios para gerar um modelo em três dimensões do sistema. As instalações mobilizadas foram:

  • Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA)
  • Very Large Array (VLA)
  • James Webb Space Telescope (JWST)
  • Very Large Telescope (VLT)

O pesquisador Rubén Fedriani afirmou que a junção de radiofrequência com imagens infravermelhas permitiu reconstruir os detalhes da protobinária. O líder do estudo, Yichen Zhang, explicou que a equipe observou o movimento orbital mútuo enquanto as estrelas ainda estavam nascendo.

Encontro ocorreu no passado recente da estrutura

O evento aconteceu há 60 anos.

A reconstituição temporal indicou que a aproximação ocorreu de forma recente frente ao tempo de vida de astros massivos, que dura bilhões de anos. O pesquisador Jonathan C. Tan pontuou que o estágio inicial de vida desses objetos astronômicos pode ser caótico antes de resultar em acoplamento gravitacional. O processo confirmou que encontros casuais podem aproximar estrelas jovens com seus casulos de matéria nativa.

Destino das estrelas massivas permanece incerto

A equipe de pesquisa ainda não determinou se os astros permanecerão unidos de maneira definitiva ou se a interação com os gases circundantes provocará um afastamento gradual ao longo dos séculos. Novas medições do sistema IRAS 07299−1651 foram programadas para monitorar as forças orbitais desse par estelar.

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