Anvisa libera 12 canetas contra diabetes e obesidade em 2026Por Beatriz
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A Anvisa ampliou em 2026 a oferta de remédios injetáveis para combater diabetes tipo 2 e obesidade no Brasil. A expiração da proteção patentária do Ozempic, fármaco de semaglutida fabricado pela Novo Nordisk que venceu em 20 de março, impulsionou a liberação de versões genéricas e similares dessa substância, junto a novas fórmulas contendo liraglutida.
O mercado brasileiro recebeu 12 canetas autorizadas ao longo do ano, sendo dez compostas por semaglutida e duas formuladas com liraglutida. O surgimento de opções comerciais variadas não autoriza a troca automática de marcas sem orientação especializada. Pacientes continuam dependentes de prescrição médica antes de iniciar as injeções.
A médica Bruna Marinho, chefe do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho em Belo Horizonte, afirmou que a prescrição depende do diagnóstico clínico, da meta de redução de peso corporal, do histórico de doenças paralelas, das evidências científicas de cada fórmula e da capacidade financeira do paciente de bancar as doses por tempo prolongado.
A continuidade terapêutica define o sucesso do tratamento contra quadros crônicos de saúde. O composto Mounjaro, tirzepatida da Eli Lilly com alto índice de perda ponderal, perde utilidade se o paciente abandona as doses devido ao valor cobrado.
Reações adversas frequentes também pesam na escolha do princípio ativo ideal para cada organismo. Esses medicamentos agem diretamente no trato gastrointestinal humano. Náuseas, cólicas abdominais, refluxo gástrico e prisão de ventre aparecem entre os sintomas relatados por usuários.
A médica Alana Rocha, docente na Afya Educação Médica Vitória, informou que as comorbidades do paciente determinam a possibilidade técnica de substituir uma substância por outra.

“A gente precisa avaliar várias coisas, principalmente as comorbidades que o paciente possui. Se é um paciente obeso e diabético, se é um paciente obeso com problemas no fígado ou com problemas cardíacos. Nem sempre a transição é possível”, declarou Rocha.
A maior movimentação comercial ocorreu com a semaglutida, princípio ativo popularizado pelos produtos Ozempic e Wegovy da fabricante dinamarquesa Novo Nordisk. Esse hormônio sintético atua diretamente no organismo para equilibrar os índices glicêmicos. O componente também prolonga a saciedade dos pacientes.
A molécula imita a função do hormônio biológico GLP-1, que regula os níveis de glicose no sangue e o apetite no cérebro. A estimulação direta desses receptores reduz a fome diária e facilita o emagrecimento corporal.
A exclusividade terminou.
Em 26 de maio de 2026, a agência reguladora concedeu registro ao Ozivy, fabricado pelo laboratório EMS como a primeira versão pós-patente. O medicamento tem indicação aprovada para tratar adultos portadores de diabetes tipo 2 não compensado. Em 10 de julho de 2026, a autarquia federal incluiu o Ozivy na Lista de Medicamentos de Referência.
Em 29 de julho de 2026, o órgão deferiu o registro de cinco novas formulações com a mesma substância ativa. A lista abrangeu Owozy da Ávita Care, Seemasun da Sun Farmacêutica, Zempneo da Brainfarma, Semavy da Cosmed e Orsema da Ranbaxy.
Em 17 de agosto de 2026, a farmacêutica EMS obteve a concessão para distribuir o primeiro produto genérico com semaglutida no mercado nacional. A embalagem traz unicamente o nome da substância química, atendendo às exigências da legislação sanitária brasileira. O produto Semaclique, similar desenvolvido pela Germed, obteve sinal verde na mesma data.
Em 24 de agosto de 2026, os técnicos aprovaram o segundo genérico de semaglutida, também pertencente à Germed. A legislação nacional proíbe a substituição direta de remédios similares sem autorização prévia expressa do médico responsável.
Em 31 de agosto de 2026, a autoridade sanitária liberou o medicamento similar Yluméc, registrado pela EMS sob a classificação de produto clone.
Relação reúne opções com semaglutida autorizadas em 2026
- Ozivy, desenvolvido pela EMS e aprovado em 26 de maio
- Semavy, registrado pela Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos em 29 de julho
- Owozy, registrado pela Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos em 29 de julho
- Zempneo, produzido pela Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica em 29 de julho
- Seemasun, registrado pela Sun Farmacêutica do Brasil em 29 de julho
- Orsema, fabricado pela Ranbaxy Farmacêutica em 29 de julho
- Semaglutida genérica registrada pela EMS em 17 de agosto
- Semaclique, aprovado pela Germed em 17 de agosto
- Semaglutida genérica autorizada para a Germed em 24 de agosto
- Yluméc, registrado pela EMS em 31 de agosto
O Ozempic atinge valores de R$ 975 nas doses de 0,25 mg e 0,5 mg no comércio digital por meio de programa de fidelidade do fabricante, alcançando R$ 999 no dosador de 1 mg. As unidades do Ozivy entraram no varejo com preços que oscilam entre R$ 452 e R$ 498 por aplicação.
A legislação brasileira estabelece que medicamentos genéricos cheguem ao público com valor no mínimo 35% mais baixo que a marca referencial. As estimativas financeiras calculadas com base nas vendas do Ozivy indicam faixas de R$ 293 a R$ 323 para essas opções sem nome comercial. Esse patamar reduz o custo mensal para quem trata obesidade e diabetes.
Os demais produtos registrados pela agência ainda dependem de etapas burocráticas para alcançar as prateleiras das farmácias. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos precisa fixar os valores máximos autorizados para venda antes da distribuição comercial.
O mercado já contava com apresentações adicionais de semaglutida trazidas por meio de associação entre a Novo Nordisk e a empresa brasileira Eurofarma.
A Eurofarma distribui os medicamentos Extensior e Poviztra desde outubro de 2025. O Extensior utiliza a composição do Ozempic, enquanto o Poviztra traz a fórmula do Wegovy.
A classe de liraglutida também recebeu registros adicionais em 2026.
Em 8 de setembro de 2026, a agência reguladora autorizou dois genéricos de liraglutida fabricados pela EMS contra obesidade e diabetes. O processo ampliou as alternativas terapêuticas disponíveis aos médicos brasileiros.
Os registros usam como referencial os fármacos Olire e Linux, da própria EMS, disponíveis nas drogarias desde o encerramento de 2025.
As canetas de Olire e Linux trazem dosagens de 6 mg e custam a partir de R$ 84 em redes farmacêuticas pela internet. A regra geral de desconto obrigatório de 35% incide sobre as versões genéricas dessa classe terapêutica. Esse desconto diminui a despesa do consumidor final.
O cronograma de injeções da liraglutida difere do regime adotado na semaglutida e na tirzepatida. Semaglutida e tirzepatida exigem aplicação semanal, enquanto a liraglutida demanda picadas diárias na pele.
O médico Júlio Américo Batatinha, pesquisador no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, declarou que a posologia diária afastou parte dos consumidores da liraglutida.
“A liraglutida tem um efeito intermediário na perda de peso e também tem um efeito bom no controle do diabetes. A principal desvantagem é que ela exige uso diário, então o paciente precisa fazer a aplicação todos os dias”, disse Batatinha.
A semaglutida entrega resposta clínica mais favorável na balança e garante comodidade pelo intervalo de sete dias entre as doses. O composto da Novo Nordisk, contudo, provoca maior incidência de desconfortos estomacais do que a tirzepatida. A escolha depende da tolerância individual.
A tirzepatida constitui o princípio do Mounjaro, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly com aval da agência para diabetes tipo 2 e sobrepeso corporal. O fármaco integra protocolos hospitalares internacionais.
A molécula age de forma dupla ao atingir receptores dos hormônios GLP-1 e GIP no metabolismo.
A vigência da patente comercial da tirzepatida segue ativa em território brasileiro. O medicamento Mounjaro detém o monopólio da molécula no país.
A dulaglutida representa outra opção da família dos agonistas do hormônio GLP-1 comercializada no país pela Eli Lilly sob o nome Trulicity. A fórmula possui indicação para diabetes tipo 2 e permanece blindada por direitos de patente industrial. O setor produtivo aguarda o fim dessa barreira regulatória.
A potência da dulaglutida para eliminação de massa corporal fica abaixo dos resultados observados com semaglutida e tirzepatida. A chegada de substâncias injetáveis com desempenho metabólico superior reduziu o uso do Trulicity nas prescrições médicas focadas em emagrecimento.







