UFC cria tecnologia de realidade virtual para idosos e combate 9 mil mortes anuais por quedas no BrasilPor Luís Pereira
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Uma pesquisa inovadora desenvolvida na Universidade Federal do Ceará (UFC) está aplicando a realidade virtual para mitigar um grave problema de saúde pública: as quedas em pessoas idosas. O estudo resultou na criação de um jogo interativo que visa fortalecer o equilíbrio e prevenir acidentes domésticos, demonstrando alta aceitação com 91,42% de concordância em usabilidade e impressionantes 100% na experiência do usuário entre os participantes.
A iniciativa não apenas oferece uma ferramenta tecnológica de ponta, mas também se destaca pela abordagem participativa, envolvendo diretamente o público-alvo no processo de concepção. Essa metodologia garantiu que a dinâmica do jogo e suas interfaces fossem totalmente adaptadas às necessidades motoras e cognitivas da terceira idade, promovendo maior adesão aos treinamentos e, consequentemente, melhores resultados na promoção da saúde e segurança dos idosos.
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Tecnologia e participação no desenvolvimento
O pilar central do projeto foi a construção colaborativa da ferramenta digital. Ao integrar os próprios idosos na fase de desenvolvimento, os pesquisadores da UFC asseguraram que o jogo de realidade virtual fosse intuitivo e eficaz. Este método de design centrado no usuário é crucial para a aceitação de novas tecnologias por grupos específicos, especialmente aqueles com diferentes necessidades de interação.
O “gerontecnologia” em questão é um “jogo sério” – uma aplicação de software criada para um propósito além do entretenimento, neste caso, a reabilitação e prevenção. A experiência imersiva e lúdica do ambiente virtual estimula o fortalecimento muscular e aprimora a coordenação motora, habilidades essenciais para a manutenção do equilíbrio e a redução do risco de quedas. A alta taxa de satisfação dos usuários reflete o sucesso dessa abordagem inclusiva.
Aplicação comunitária e acesso aberto
Atualmente, a tecnologia de realidade virtual é empregada em ações de educação em saúde, integrando projetos de extensão da UFC. Professores e pesquisadores utilizam o jogo junto a grupos comunitários de idosos, garantindo que o conhecimento gerado na pós-graduação seja transferido para a prática diária de promoção da saúde. Essa conexão entre a academia e a comunidade é fundamental para o impacto social da pesquisa.
Apesar da proposta inovadora para a prevenção de quedas, o registro de patente do jogo não foi concedido, pois se enquadra em uma modalidade com tecnologias correlatas já existentes. No entanto, essa decisão regulatória mantém a ferramenta disponível para uso educacional, científico e assistencial de forma aberta pela comunidade acadêmica, democratizando seu acesso e potencializando sua aplicação em larga escala.
O cenário alarmante das quedas no Brasil
A relevância de estratégias preventivas como a desenvolvida pela UFC é sublinhada pela urgente demanda do sistema de saúde. Dados do Ministério da Saúde revelam um panorama preocupante em 2025, com números expressivos de atendimentos e óbitos relacionados a quedas de idosos no país.
- 85.169 atendimentos ambulatoriais registrados.
- 48.576 internações no Sistema Único de Saúde (SUS).
- 9.050 óbitos, o que equivale a uma média de aproximadamente 24 mortes por dia.
A maioria dessas ocorrências acontece no ambiente residencial, com destaque para quarto e banheiro. Fatores de risco comuns incluem pisos escorregadios, ausência de barras de apoio, iluminação deficiente, tapetes soltos e o uso de múltiplos medicamentos que podem provocar tontura. A prevenção abrange desde a adaptação de espaços físicos até a orientação sobre o uso correto de dispositivos de auxílio à marcha, acompanhamento médico regular e incentivo a exercícios de equilíbrio.
Reconhecimento científico e impacto acadêmico
Pela sua relevância social e pelo rigor metodológico, a tese que deu origem ao projeto, intitulada “Gerontecnologia do tipo jogo sério de realidade virtual para prevenção de quedas em pessoas idosas”, recebeu o prestigiado Prêmio Capes de Tese de 2026. A autoria é da pesquisadora Jamylle Lucas Diniz, no âmbito do programa de pós-graduação em enfermagem.
Concedido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), o Prêmio Capes de Tese é uma das mais importantes distinções acadêmicas do Brasil. Anualmente, ele reconhece os melhores trabalhos de doutorado defendidos nos programas de pós-graduação do país. A seleção abrange 50 áreas do conhecimento, avaliando critérios como originalidade, inovação, impacto social e a contribuição para o avanço da ciência nacional, reforçando a importância da pesquisa da UFC.














