Empregados da Caixa votam acordo coletivo para encerrar grevePor Jeronimo Santos
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Os empregados da Caixa Econômica Federal votam em 21 de setembro a proposta de acordo coletivo apresentada pela direção do banco público após 11 dias de greve nacional. A deliberação ocorre em assembleias virtuais convocadas em todo o país entre 11h e 18h.
A divergência central entre a categoria e o banco envolve a forma de divisão das contas do Saúde Caixa, convênio médico próprio que atende ativos, aposentados e dependentes.
Esse modelo operava desde 2004 com o pagamento de 70% dos gastos assistenciais pelo banco e 30% pelos funcionários. Essa estrutura substituiu regras antigas com limites menores para o banco.
A direção da empresa alterou a regra de desembolso financeiro em 2017 ao fixar em estatuto um teto institucional de 6,5% da folha salarial e dos benefícios da Fundação dos Economiários Federais para custear a assistência.
Essa trava estatutária restringiu o repasse financeiro do banco mesmo com a redação dos acordos mantendo o parâmetro da divisão 70/30. A medida transferiu despesas aos bancários.
A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal cobra o fim desse limite de 6,5% sob a alegação de que o teto sobrecarrega os usuários do plano.
Em resposta às entidades, a direção da Caixa Econômica Federal declarou que a manutenção das contas assistenciais requer responsabilidade orçamentária perante o avanço contínuo dos gastos do setor. A sustentabilidade guia a gestão.
A administração do banco sustentou em nota pública que decisões nos tribunais não determinam automaticamente a retomada da divisão 70/30 porque o financiamento depende de negociação entre as partes.
Apresentação da oferta inicial com reajuste gradual no limite financeiro
A Caixa Econômica Federal formalizou a versão inaugural para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2028 em 2 de setembro. Essa etapa ocorreu após dez rodadas de negociação iniciadas em julho.
A minuta previa manter o teto de gastos do banco em 6,5% da folha em 2026 e iniciar trâmites a partir de 2027 para alcançar 8%, o que injetaria cerca de R$ 600 milhões adicionais no plano de saúde.
Essa primeira oferta atrelava o repasse maior à instituição de cobranças progressivas por faixa de idade nos planos médicos. Essa mudança alteraria o pacto intergeracional que rege o modelo assistencial.
O formato tradicional divide os custos igualmente entre os participantes por meio de um desconto linear de 3,5% sobre os vencimentos de cada titular, dispensando diferenciação etária.
A proposta inicial pretendia cobrar de 2,7% a 4,5% sobre a renda de titulares da ativa, fixar 4,5% para aposentados e instituir mensalidades fixas de R$ 480 a R$ 660 para dependentes conforme o grupo etário. O pacto entre gerações seria extinto.
Déficit operacional e aumento nas despesas médicas motivam divergência
A pressão orçamentária sobre o Saúde Caixa acelerou devido à expansão contínua das despesas com procedimentos médicos nos últimos anos.
Os custos do plano somaram R$ 4,39 bilhões em 2025, o que representou avanço superior a 22% sobre o exercício anterior. As receitas atingiram R$ 3,76 bilhões no mesmo período, marcando alta de aproximadamente 5%. A conta fechou com déficit operacional de R$ 627,8 milhões.
O custo médio assistencial por participante no Saúde Caixa saltou de R$ 9,85 mil registrados em 2022 para R$ 15,82 mil em 2025, o que representou uma disparada acumulada de 61% no período citado nas reuniões.
A instituição justificou as mudanças com base nesse rombo financeiro. Os sindicatos argumentaram que aumentar as tarifas dos empregados enfraquece o princípio de solidariedade construído em 2004 sem solucionar a base do problema financeiro.
Mobilização nacional da categoria recusou duas tentativas anteriores
As assembleias de 3 e 4 de setembro rejeitaram a primeira oferta e aprovaram o início da greve, com índice de desaprovação de 90% no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
O Saúde Caixa concentrou o motivo das contestações dos trabalhadores. Os sindicatos consideraram insuficiente a elevação para 8% porque a mudança dependia de procedimentos marcados apenas para 2027 e criava cobrança por idade.
Os dirigentes sindicais exigiram a volta da divisão integral de 70% arcados pela Caixa e 30% pelos empregados, sem a aplicação de travas orçamentárias sobre o volume global desembolsado pelo banco.
A greve nacional dos funcionários da Caixa Econômica Federal começou em 10 de setembro. O banco apresentou uma segunda proposta imediata no mesmo dia, elevando o limite de custeio para 8% sem postergar o índice.
Essa segunda oferta previa alíquotas de 2,3% a 4,1% para os funcionários da ativa, 3,9% para quem já se aposentou e valor de R$ 640 por dependente.
Os bancários rejeitaram a segunda formulação em votação realizada em 11 de setembro. A recusa na base do sindicato em São Paulo chegou a 68% dos votantes.
A direção da Caixa Econômica Federal apresentou a terceira proposta na madrugada de 17 de setembro, elevando o teto empresarial para 9% da folha salarial, eliminando as faixas por idade para manter o modelo intergeracional com taxa de 3,7% para ativos e aposentados, e submetendo os novos termos para decisão dos empregados em 21 de setembro.
O texto novo estipula que a Caixa assume o rombo do plano sem reajuste de mensalidades em 2026. A proposta também corta o custo da consulta de pronto atendimento de R$ 150 para R$ 120 e preserva a gratuidade nas consultas de telemedicina.
A Federação Nacional das Associações dos Gestores da Caixa Econômica Federal informou em nota que a redação final traz fundamentos favoráveis para a celebração do acordo.
A entidade afirmou que a decisão soberana cabe exclusivamente aos bancários durante as votações convocadas pelas entidades sindicais locais. A votação ocorreu de forma virtual.








