Greve da Caixa atinge 14 dias e Ministério Público do Trabalho aciona TST para mediaçãoPor Janderson Luiz
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Os funcionários da Caixa Econômica Federal mantêm a paralisação nacional que alcançou 14 dias de duração nesta quarta-feira (23), após a categoria rejeitar em assembleias sindicais a terceira proposta apresentada pela direção da empresa pública para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Diante do impasse prolongado nas negociações, o Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou o Tribunal Superior do Trabalho (TST) para conduzir uma audiência de mediação pré-processual em Brasília.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) esclareceu que a medida perante a corte trabalhista não configura dissídio coletivo, funcionando como uma tentativa consensual e voluntária de diálogo antes do ajuizamento formal de qualquer ação judicial. As lideranças sindicais pretendem reforçar a presença nas unidades para pressionar por novas condições contratuais. “Entre as ações, está intensificar as visitas às agências e aos locais de trabalho. Vamos conversar com os colegas, ouvir a categoria e reforçar a importância de permanecermos mobilizados. Esse movimento tem um objetivo muito claro: aumentar a pressão para que a Caixa apresente uma nova proposta”, afirmou Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
Custeio do plano Saúde Caixa lidera divergências trabalhistas
O principal eixo de discordância nas rodadas de negociação gira em torno das novas diretrizes de custeio e funcionamento do Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. A administração do banco propôs assumir o déficit acumulado em 2026 e retirar o modelo de cobrança escalonado por faixa etária. Em contrapartida, a minuta previa a instituição de uma contribuição mensal do titular equivalente a 3,7% da remuneração-base a partir de 2027, combinada a valores específicos para dependentes e com a fixação de um teto limite de desconto de 9% sobre os rendimentos familiares. Além da assistência à saúde, a categoria reivindica a revisão do plano de carreira, melhorias específicas para os bancários admitidos após 2018 e a definição de normas formais para a jornada em regime de teletrabalho.
O cenário na empresa pública destoa do restante do sistema financeiro nacional. Enquanto bancários de bancos privados e do Banco do Brasil aceitaram as propostas salariais da convenção da categoria no início de setembro de 2026, o quadro da Caixa rejeitou os termos específicos e manteve a paralisação por tempo indeterminado.
Fechamento atinge 293 agências na Grande São Paulo
O impacto da adesão dos bancários é sentido no atendimento presencial em diversas bases operacionais do país. Na área de abrangência do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 293 agências bancárias permaneceram com as portas fechadas nas sete regionais acompanhadas pela entidade. A mobilização também recebe acompanhamento de sindicatos do interior paulista, como o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Barretos e Região (SINTRAFI Barretos), presidido por Marcelo Martins.
Quais serviços funcionam durante a paralisação bancária?
Para minimizar as filas e os impactos no atendimento ao público durante a paralisação, a Caixa Econômica Federal informou que as transferências, consultas e operações bancárias habituais continuam ativas por meio de seus canais remotos e eletrônicos. A instituição orientou os usuários a recorrer aos aplicativos para celulares, ao internet banking, aos caixas de autoatendimento, além da rede credenciada de casas lotéricas e correspondentes bancários espalhados pelo território nacional. O banco estatal garantiu ainda que o pagamento de benefícios sociais federais não foi suspenso durante o período de greve, mantendo a liberação dos calendários de assistência social aos beneficiários cadastrados em todo o país.
Cronologia das negociações e mobilização da categoria
- quinta-feira, 10 de setembro de 2026: início da greve nacional por tempo indeterminado dos funcionários da Caixa Econômica Federal;
- segunda-feira, 21 de setembro de 2026: assembleias sindicais deliberam e rejeitam a terceira proposta de Acordo Coletivo de Trabalho formulada pela direção da instituição;
- terça-feira, 22 de setembro de 2026: Contraf-CUT encaminha ofício formalizando a recusa da categoria e sindicatos recebem a notificação do processo no TST;
- quarta-feira, 23 de setembro de 2026: sessão de mediação pré-processual realizada na sede do TST entre representantes dos trabalhadores, da Caixa e do Ministério Público do Trabalho.
O desfecho da audiência de mediação e eventuais termos de consenso construídos entre a diretoria do banco público e os representantes sindicais ainda não foram divulgados pelas partes envolvidas.







