Vulcão Krasheninnikov: satélite da NASA e da Índia registra erupção rara na Rússia

Vulcão Krasheninnikov - NASAVulcão Krasheninnikov - NASA

Vulcão Krasheninnikov - NASA

O satélite NISAR, desenvolvido em parceria pela Nasa e pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), registrou em uma animação em lapso de tempo a progressão contínua de lava do vulcão Krasheninnikov, situado na Península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia. A estrutura geológica voltou a entrar em erupção após passar quase 500 anos sem apresentar atividade registrada.

As medições reuniram 17 quadros de radar capturados entre 25 de dezembro de 2025 e 17 de agosto de 2026, revelando em alta definição o material incandescente transbordando da cratera norte em direção ao oceano Pacífico. O geofísico Matthew Pritchard, da Universidade de Cornell e membro da equipe científica da missão espacial, afirmou que o monitoramento regular abre novas frentes de análise: “Estamos vendo vulcões ao redor do mundo que nunca tínhamos observado dessa forma antes”, declarou, em tradução livre.

Imagens de radar revelam transbordamento de magma

O conjunto de imagens documenta o fluxo de rocha derretida preenchendo inicialmente uma caldeira interna menor localizada na cratera norte do monte. Em seguida, a lava transborda para uma cratera mais ampla e se espalha em formato de leque voltado para o leste. Os registros também revelaram outro fluxo secundário direcionado para o noroeste, formado provavelmente antes do início das medições do satélite.

O processamento por radar de abertura sintética (SAR, na sigla em inglês), técnica desenvolvida pelo Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL), no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, emite milhares de pulsos de micro-ondas a cada segundo em direção ao solo e capta os sinais que retornam. Essa tecnologia atravessa a escuridão da noite, a fumaça das explosões vulcânicas e a espessa cobertura de nuvens típica do clima da península russa, permitindo compor cenas nítidas em que cada ponto equivale a uma área de 10 por 10 metros na superfície terrestre.

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A lava resfriada e a rocha expelida aparecem com tonalidades mais claras nas projeções de radar por refletirem os pulsos de micro-ondas com maior intensidade do que o terreno vizinho, que costuma alternar entre solo exposto e camadas de neve durante as estações do ano.

Despertar vulcânico ocorreu após sismo no Pacífico

A atividade eruptiva teve início poucos dias após um terremoto de magnitude 8,8 atingir o oceano vizinho em 30 de julho de 2025, abalando a península russa. Registros indicam que a primeira emissão de lava ocorreu em 3 de agosto de 2025. O Krasheninnikov permanecia adormecido desde meados do século XVI, por volta de 1550, razão pela qual não possuía sensores terrestres fixados em suas encostas, ao contrário de outros vulcões da região que entram em atividade frequentemente.

O monitoramento regular do local começou no fim de 2025, logo após a conclusão dos testes de calibragem da sonda espacial em órbita terrestre. As etapas do fenômeno e as características da observação reúnem os seguintes marcos:

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  • 30 de julho de 2025: terremoto de magnitude 8,8 ocorre no oceano Pacífico perto da Península de Kamchatka.
  • 3 de agosto de 2025: Krasheninnikov inicia erupção após quase cinco séculos de dormência.
  • 25 de dezembro de 2025: satélite NISAR capta o primeiro quadro do vulcão após ajustes pós-lançamento.
  • 17 de agosto de 2026: registro da última imagem de radar integrada à sequência em vídeo divulgada pelos cientistas.
  • 24 de setembro de 2026: comunicado oficial e dados da missão são disponibilizados ao público pelos pesquisadores.

Satélite opera em órbita com dois radares

Orbitando a 747 quilômetros de altitude em relação à superfície da Terra, o satélite NISAR passa sobre a mesma coordenada a cada 12 dias em duas trajetórias distintas, uma no sentido sul-norte e outra de norte a sul. Essa periodicidade garante uma cobertura contínua e repetível da evolução do relevo planetário. Pritchard destacou a importância dessa cadência regular: “A consistência é crucial. Duas vezes a cada 12 dias, adquirindo dados nesse modo de alta resolução e em duas direções de observação, isso mostra o potencial do NISAR para monitorar de perto os riscos naturais”, afirmou o pesquisador, em tradução livre.

A espaçonave é a primeira em voo livre a operar conjuntamente com dois radares SAR em faixas complementares de frequência: o sistema em banda L, concebido pelo JPL junto a uma antena refletora em formato de tambor com 12 metros de largura, e o radar em banda S, fornecido pela agência espacial indiana em conjunto com o corpo principal do veículo orbital. O refletor de 12 metros é a maior estrutura desse tipo já enviada ao espaço pela agência norte-americana.

Enquanto a banda S consegue rastrear copas de árvores com base na dimensão da folhagem, o comprimento de onda mais longo da banda L é capaz de atravessar a vegetação densa para mapear deformações e movimentações milimétricas diretamente na crosta. Todos os conjuntos de dados obtidos na banda L são disponibilizados publicamente para a comunidade científica por meio do centro de arquivos do Alaska Satellite Facility, localizado em Fairbanks, no estado norte-americano do Alasca.

Até o momento, os relatórios científicos não apontam previsão para o encerramento da atividade eruptiva do vulcão Krasheninnikov nem estimativas do volume total de material expelido.