Missão BepiColombo conclui manobra para entrar na órbita de Mercúrio

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Mercúrio - Foto: StockByM/Istock.com

A missão espacial BepiColombo avançou para sua fase final de aproximação de Mercúrio após realizar com sucesso uma queima de motores controlada a partir do centro de operações em Darmstadt, na Alemanha. O disparo dos propulsores axiais do Orbitador Planetário de Mercúrio durou 8 minutos e 42 segundos, gerando a alteração de velocidade necessária para alinhar o conjunto à inserção orbital prevista para 21 de novembro de 2026.

O teste de queima dos propulsores axiais foi executado em 24 de setembro de 2026, marcando o primeiro acionamento do sistema na configuração atual da nave. O procedimento forneceu um impulso de 11,4 metros por segundo, etapa fundamental para a correção fina da trajetória após o descarte do componente de propulsão que acompanhou o conjunto durante a maior parte do trajeto interplanetário.

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Descarte do módulo de transferência e manobra do MPO em Darmstadt

Antes de acionar seus motores axiais, a BepiColombo concluiu uma das etapas operacionais mais delicadas do percurso interplanetário. Em 3 de setembro de 2026, às 14h no horário da Europa Central, os engenheiros confirmaram a separação e o descarte com êxito do Módulo de Transferência a Mercúrio, estrutura que forneceu propulsão ao comboio desde a saída da Terra. Com a liberação do equipamento auxiliar, os orbitadores científicos assumiram o controle direto da navegação.

Geraint Jones, cientista-chefe do projeto BepiColombo na Agência Espacial Europeia, destacou o avanço prático do teste realizado em setembro. “Embora já tenhamos excelente ciência da fase de cruzeiro e de nove sobrevoos planetários, é fantástico que tenhamos dado este primeiro passo importante para finalmente podermos usar todos os poderosos instrumentos tanto no MPO quanto no Mio para estudar Mercúrio”, afirmou o pesquisador, em tradução livre.

Desenvolvida em parceria entre a Agência Espacial Europeia e a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, a missão custou aproximadamente 2 bilhões de dólares. A arquitetura do projeto combinou três naves em um único bloco empilhado durante a viagem: o módulo propulsor de transferência e dois veículos de pesquisa independentes, o Orbitador Planetário de Mercúrio, de responsabilidade europeia, e o Mio, focado em medições magnetosféricas e operado pela agência japonesa.

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Cronograma de chegada da BepiColombo ao planeta Mercúrio

O cronograma técnico estabelecido pelas agências parceiras detalha as próximas etapas de desaceleração, captura orbital e posicionamento dos instrumentos científicos:

  • 21 de novembro de 2026: captura gravitacional e inserção orbital conjunta dos módulos MPO e Mio ao redor de Mercúrio.
  • 9 de dezembro de 2026: início dos procedimentos de separação mecânica definitiva entre o módulo europeu MPO e o orbitador japonês Mio.
  • 10 de dezembro de 2026: conclusão da divisão física das duas espaçonaves para trajetórias orbitais distintas.
  • 19 de março de 2027: chegada prevista do orbitador MPO à sua órbita de operação científica final.
  • 1 de abril de 2027: início oficial das observações científicas de rotina de ambas as sondas em Mercúrio.

Replanejamento de rota e histórico de voo desde 2018

A viagem da BepiColombo começou em outubro de 2018, quando o foguete Ariane 5 decolou do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa. Viajar rumo ao interior do Sistema Solar exige frear continuamente contra a atração gravitacional do Sol, o que demandou nove assistências gravitacionais ao longo de oito anos: uma passagem pela Terra, dois sobrevoos em Vênus e seis manobras nas proximidades do próprio planeta Mercúrio para desacelerar

o comboio sem esgotar o combustível a bordo.

O percurso original precisou ser reconfigurado após problemas técnicos ocorridos entre abril e maio de 2024. Falhas no sistema elétrico do módulo de transferência reduziram a potência máxima entregue aos motores iônicos durante uma manobra no dia 26 de abril daquele ano. A perda parcial de empuxo impediu que a nave atingisse os parâmetros planejados para a chegada original.

Planeta Mercúrio – Sergey Nivens/ Shutterstock.com

Santa Martinez, gerente de missão da BepiColombo na Agência Espacial Europeia, explicou a restrição técnica que obrigou a mudança de rota. “Após meses de investigações, concluímos que os propulsores elétricos do MTM permanecerão operando abaixo do empuxo mínimo exigido para uma inserção em órbita ao redor de Mercúrio em dezembro de 2025”, declarou a especialista na ocasião, em tradução livre. A equipe liderada por Ignacio Tanco, chefe da Unidade de Missões do Sistema Solar Interior da agência europeia, e acompanhada por Go Murakami, cientista de projeto na agência japonesa, reprogramou o voo para assegurar a chegada em novembro de 2026.

Marcos e etapas cumpridas pela missão BepiColombo

A jornada interplanetária do projeto euro-japonês reuniu os seguintes marcos operacionais:

  • 2018 — Lançamento da missão a bordo do foguete Ariane 5 na Guiana Francesa.
  • 2024 — Identificação de falha elétrica no sistema propulsor e redefinição do cronograma de aproximação.
  • 2026 — Descarte definitivo do módulo de transferência no dia 3 de setembro.
  • 2026 — Primeiro acionamento dos propulsores axiais do MPO em 24 de setembro.
  • 2026 — Inserção orbital das duas sondas programada para 21 de novembro.

Objetivos científicos e medições no primeiro planeta do Sistema Solar

Até o momento, a exploração espacial alcançou a órbita de Mercúrio apenas uma vez, por meio da missão norte-americana Messenger, que permaneceu ativa no planeta entre 2011 e 2015, enquanto a pioneira Mariner 10 realizou somente sobrevoos em 1974 e 1975. O nome da missão atual homenageia o matemático italiano Giuseppe Colombo, proponente das manobras de impulso gravitacional adotadas nessas viagens.

A partir de abril de 2027, os instrumentos da BepiColombo farão a análise detalhada da composição interna do planeta, a medição da estrutura do campo magnético e o levantamento da exosfera, a camada rarefeita de gás que envolve o corpo celeste. O posicionamento próximo à massa do Sol também permitirá a realização de medições para checar previsões da teoria da relatividade geral.