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O exoplaneta HD 3167 b apresenta indícios consistentes de atmosfera detectados por astrônomos com o Telescópio Espacial James Webb, segundo pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Chicago. A medição revelou que o corpo rochoso, situado a 154 anos-luz de distância na constelação de Peixes, registra no lado diurno temperaturas sensivelmente inferiores às estimadas para uma superfície sólida e desprotegida exposta à radiação de sua estrela hospedeira.

O resultado consolida o exoplaneta como o mundo de lava mais frio com atmosfera já identificado por astrônomos. “O que é tão surpreendente é que, quanto mais próximo um planeta rochoso orbita a sua estrela, mais difícil deveria ser ter uma atmosfera, porque ele é bombardeado pelo vento estelar e recebe mais fótons de alta energia da estrela. Mas parece que muitos desses mundos de lava têm”, afirmou Edwin S. Kite, professor associado de ciências geofísicas da Universidade de Chicago e coautor do estudo, em tradução livre.

Veja também: Equipe descobre exoplaneta GJ 3090 b com órbita retrógrada

Detecção térmica pelo instrumento MIRI do James Webb

Telescópio James Webb
Foto: Telescópio James Webb – 24K-Production/ Shutterstock.com

Para aferir as condições da super-Terra, a equipe utilizou o instrumento de infravermelho médio MIRI (Mid-Infrared Instrument) instalado no telescópio espacial. O trabalho observacional baseou-se na técnica de eclipse secundário, etapa na qual o planeta passa diretamente atrás de sua estrela a partir da linha de visão do observatório. Esse alinhamento permite mensurar a queda de luminosidade no infravermelho médio e extrair a parcela exata de radiação emitida pelo próprio planeta.

Se o corpo celeste fosse apenas uma rocha exposta sem camada gasosa, a superfície voltada continuamente para a estrela atingiria o nível máximo de calor previsto pela distância orbital e pelas propriedades reflexivas dos minerais. Contudo, a temperatura observada ficou abaixo do patamar teórico máximo, o que comprova a existência de circulação de calor para o hemisfério noturno ou a formação de nuvens que rebatem a luz estelar. A pesquisa com as análises completas foi publicada na revista The Astrophysical Journal Letters.

Confira também: Astrônomos descobrem exoplaneta com menos de 1 milhão de anos

Características físicas do exoplaneta HD 3167 b

  • Distância do Sistema Solar: 154 anos-luz, em direção à constelação de Peixes.
  • Raio planetário: 1,6 vez o raio da Terra, equivalente a cerca de 60% a mais que a dimensão terrestre.
  • Massa estimada: cerca de 4,8 vezes a massa do planeta Terra.
  • Período de translação orbital: 0,96 dia terrestre, o que representa uma volta completa em torno de 23 horas.
  • Temperatura teórica de equilíbrio: 1.786 Kelvin, correspondente a cerca de 1.510 °C.

Conexões entre mundos de lava e a Terra primitiva

O estudo de ambientes extremos traz parâmetros de comparação para entender a evolução inicial dos planetas terrestres do Sistema Solar. Há bilhões de anos, a Terra recém-formada enfrentou um estágio caracterizado como oceano de magma, no qual colisões sucessivas de planetesimais mantiveram a crosta totalmente derretida. “Estamos interessados em estudar esse tipo de planeta porque pensamos que a Terra primitiva pode ter sido muito parecida com um mundo de lava”, explicou Brandon Park Coy, pesquisador e estudante de doutorado da Universidade de Chicago, que assina como primeiro autor do artigo científico, em tradução livre.

Acompanhe: Exoplaneta Mega-Terra GJ 523b intriga astrônomos por ter 23 vezes a massa terrestre

Pesquisas anteriores com o James Webb indicavam que a grande maioria dos mundos rochosos situados em órbitas muito próximas de estrelas menores eram rochas nuas, despidas de qualquer atmosfera em virtude da agressividade do vento estelar. No catálogo geral da astronomia contemporânea, que já conta com mais de 6.300 exoplanetas confirmados, somente cinco corpos terrestres ultraquentes apresentaram assinaturas consistentes de atmosferas preservadas. Por situar-se na margem inferior de temperatura desse grupo, HD 3167 b funciona como peça-chave para delimitar a fronteira térmica onde a retenção gasosa ainda se sustenta.

Programa LAVA LAMPS investiga limites de retenção gasosa

A coleta de dados sobre HD 3167 b representa a primeira entrega do programa científico LAVA LAMPS (Looking At Vaporized Atmospheres of LAva/Magma Planets Survey), formalizado no ciclo de pesquisa do observatório sob a designação GO Program 4818. O projeto de observação internacional é coordenado por Megan Weiner Mansfield, pesquisadora da Universidade de Maryland, e examina uma amostra de dez mundos de lava para determinar em qual patamar térmico esses corpos celestes conseguem sustentar camadas gasosas espessas.

Leia também: Exoplaneta gigante e ultra-denso desafia teorias de formação planetária

A investigação busca responder se há uma faixa de temperatura em que minerais vaporizados se condensam em camadas de nuvens de silicatos, capazes de refletir a radiação estelar incidente e resfriar a superfície líquida. A descoberta mobilizou novas discussões na comunidade astronômica a partir de terça-feira, 29 de setembro de 2026, com a publicação de análises em portais de divulgação científica. “Estes planetas são quentes demais para abrigar vida, mas, ao estudá-los, podemos tirar conclusões sobre os processos que são importantes para outros mundos rochosos”, afirmou Edwin S. Kite, em tradução livre.

A composição química exata dos gases presentes em HD 3167 b permanece como uma incógnita e não foi determinada nesta fase inicial de medições térmicas. Modelos teóricos previam que mundos ultraquentes abrigariam exclusivamente rocha vaporizada, mas evidências recentes sugerem a possibilidade de retenção de compostos como dióxido de carbono, monóxido de carbono e vapor de água. A caracterização definitiva das moléculas dependerá de observações espectroscópicas de alta resolução programadas com o instrumento NIRSpec do James Webb.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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