Deltan Dallagnol e Filipe Barros são eleitos senadores pelo Paraná

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Deltan Dallagnol - Reprodução/Instagram Foto: Deltan Dallagnol - Reprodução/Instagram

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo) e o deputado federal Filipe Barros (PL) conquistaram as duas vagas ao Senado Federal pelo estado do Paraná nas Eleições de 2026, realizadas neste domingo (4). Com o resultado das urnas em Curitiba e nos demais municípios paranaenses, a confirmação definitiva da posse de Dallagnol ainda depende de uma deliberação do plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já que sua candidatura segue sob condição sub judice.

O primeiro colocado na disputa foi Filipe Barros, que somou cerca de 3.100.000 votos, correspondendo a aproximadamente 27,37% dos votos válidos. Deltan Dallagnol terminou na segunda colocação ao alcançar por volta de 2.880.000 votos, o equivalente a 25,27% dos sufrágios válidos apurados, garantindo matematicamente a segunda cadeira destinada à bancada do Paraná.

Deltan Dallagnol enfrenta disputa jurídica no TSE antes do resultado

A definição dos votos paranaenses ocorreu após uma sequência de decisões judiciais divergentes em Brasília durante o fim de semana da votação. No sábado (3 de outubro de 2026), às 19h32, o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques havia indeferido individualmente a chapa de Dallagnol e ordenado a anulação dos votos recebidos por ele, acolhendo recursos apresentados contra o registro.

A situação processual foi alterada na manhã deste domingo (4), antes da abertura das seções eleitorais, quando o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, concedeu medida cautelar para suspender a liminar de Floriano de Azevedo Marques. Com isso, os votos atribuídos a Dallagnol voltaram a ser processados normalmente no sistema de totalização da Justiça Eleitoral, mas com a condição formal de deferido com recurso.

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“O poder de decidir sozinho é excepcional e depende de delegação normativa expressa, em hipóteses fechadas. Fora delas, a competência é do Plenário. A colegialidade é a forma ordinária de manifestação do Tribunal e não fica à disposição de quem relata o feito”, afirmou Kassio Nunes Marques em sua decisão cautelar.

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Após a confirmação do resultado das urnas, Deltan Dallagnol declarou que sua equipe enfrentou restrições severas durante a reta final de mobilização no estado: “15 dias sem poder pedir votos, sem fazer campanha, sem tempo de TV, sem dinheiro, sem redes sociais, por dias, combatendo fake news com uma decisão na véspera que dizia que ia tirar meu nome e jogar os votos no lixo. Mas o Paraná não se dobra, o Paraná não se cala, o Paraná não desacredita, o Paraná luta”.

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Mandato de oito anos no Senado e cronologia das eleições no Paraná

Os dois representantes eleitos pelo Paraná assumem mandatos de oito anos na 58ª Legislatura, exercendo as funções de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2035. Eles entram nas vagas atualmente ocupadas pelos senadores Oriovisto Guimarães e Flávio Arns.

  • 3 de outubro de 2026: Decisão individual do ministro Floriano de Azevedo Marques barra candidatura de Dallagnol às 19h32.
  • 4 de outubro de 2026: Kassio Nunes Marques revoga a decisão monocrática pela manhã e garante a contagem dos votos nas urnas.
  • 4 de outubro de 2026: Apuração oficial confirma Filipe Barros com 3,1 milhões de votos e Deltan Dallagnol com 2,88 milhões de votos.
  • 1º de fevereiro de 2027: Data prevista para a posse formal dos senadores eleitos no Congresso Nacional.
  • 31 de janeiro de 2035: Encerramento do mandato de oito anos conquistado no pleito deste ano.

Histórico de cassações e o caminho de Deltan Dallagnol até a vitória

O ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato havia estreado na política institucional em 2022, ocasião em que concorreu pelo Podemos e foi eleito o deputado federal mais votado do Paraná com mais de 344 mil votos. No entanto, o plenário do TSE cassou o mandato do parlamentar em 2023, sob a interpretação de que ele cometeu fraude à Lei da Ficha Limpa ao pedir exoneração do Ministério Público Federal enquanto tramitavam procedimentos disciplinares internos que poderiam deixá-lo inelegível.

Em setembro de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) havia autorizado o registro de Dallagnol ao Senado por um placar de 4 votos a 3. Inconformadas com o desfecho regional, a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, além da Unidade Popular (UP), recorreram à instância máxima eleitoral, motivando a suspensão preventiva de recursos e da propaganda partidária até o posicionamento da presidência da corte.

Definição do resultado depende do plenário do TSE

O desfecho do processo de Deltan Dallagnol permanece em aberto no âmbito judicial. O registro de candidatura segue condicionado à análise colegiada definitiva do mérito pelos ministros do TSE, que examinarão os argumentos sobre a Lei da Ficha Limpa.

O tribunal ainda não confirmou a data exata em que a sessão de julgamento ocorrerá. Da mesma forma, não está definido se o estado do Paraná precisará convocar uma nova eleição suplementar para a segunda cadeira caso a maioria dos magistrados da corte decida anular os votos obtidos por Dallagnol.

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