Brasileiros passam 88% do tempo acordados sem se mexer, revela levantamento da ASICS
Os brasileiros passam 88% das horas em que permanecem acordados totalmente imóveis, o que equivale a aproximadamente 14 horas diárias sem movimentação corporal, considerando uma rotina média de 16 horas de vigília. O índice coloca o Brasil na terceira posição entre os países mais sedentários do mundo, segundo informações compiladas pelo Relatório de Preservação do Movimento 2026, estudo global financiado pela fabricante esportiva ASICS.
A pesquisa ouviu 34 mil participantes espalhados por 31 nações, reunindo dados de mil pessoas no território brasileiro durante as etapas de coleta. Diante do quadro de imobilidade generalizada, a diretora de marketing da ASICS, Constanza Novillo, alertou para o equívoco de associar exercícios a rotinas excessivamente complexas: “Tem uma parcela da população que atrela o exercício físico a uma coisa muito robusta, sofisticada, experiente e de alto rendimento. Mas no final, a gente fala de coisas que as pessoas podem inserir dentro da sua rotina”, afirmou a executiva.
Descumprimento das recomendações da OMS atinge 59% dos brasileiros
A Organização Mundial da Saúde estabelece como parâmetro preventivo mínimo a realização de 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos em ritmo vigoroso, meta ignorada por 59% dos adultos no país. Além disso, a análise identificou que 35% dos brasileiros executam menos de 30 minutos de exercícios a cada sete dias, patamar classificado tecnicamente pelos pesquisadores como ameaçado em virtude dos riscos diretos gerados à preservação da funcionalidade corporal e da saúde cardiovascular ao longo dos anos.
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Essa classificação de risco reforça o distanciamento da população em relação aos hábitos de movimento diários, consolidando a presença nacional no topo das medições de sedentarismo entre os 31 territórios pesquisados. A falta de estímulos motores básicos decorre tanto da organização das jornadas urbanas quanto da ausência de pausas ativas regulares durante os períodos dedicados às tarefas domésticas e ao trabalho.
- Taxa de pessoas que afirmam conseguir passar três dias ou mais sem sair da residência: 53% da população
- Disposição para permanecer três dias seguidos em casa entre jovens de 18 a 24 anos: 60% do público dessa faixa etária
- Incidência declarada de efeitos adversos causados pela sobrecarga digital combinada à falta de movimento: 96% dos entrevistados
- Avaliação da saúde mental em escala de 0 a 100 entre praticantes regulares de exercícios: média de 74 pontos
- Pontuação do indicador de bem-estar psicológico apurada no grupo que se exercita menos de 30 minutos semanais: média de 63 pontos
Tecnologia e comodidade moderna reduzem deslocamentos diários no Brasil
A proliferação de serviços digitais e ferramentas que viabilizam o consumo, o trabalho e a convivência sem deslocamento físico alterou expressivamente o padrão de mobilidade urbana no território nacional. Conforme a apuração da entidade esportiva, 80% dos participantes brasileiros relataram que as facilidades tecnológicas contemporâneas tornaram extremamente simples a tarefa de atravessar um dia inteiro quase sem sair do lugar, gerando quadros generalizados de letargia, desmotivação, distúrbios de sono e elevação dos níveis de estresse.
O isolamento domiciliar decorrente das facilidades eletrônicas incide de maneira mais expressiva entre os jovens de 18 a 24 anos. Constanza Novillo pontuou que o convívio social atua como elemento facilitador para a retomada de práticas corporais: “Quando você consegue praticar um exercício físico com uma amiga, um familiar, torna esse movimento mais prazeroso. Você está se conectando, socializando com essas pessoas também ao mesmo tempo”, declarou a diretora.
Estudo da ASICS aponta disparidade de 11 pontos no bem-estar mental
A mensuração do estado mental dos voluntários revelou um abismo direto entre o sedentarismo e a sensação de equilíbrio psicológico. A margem de 11 pontos verificada entre os indivíduos ativos e aqueles classificados no grupo ameaçado reflete o impacto biológico direto da contração muscular sobre o funcionamento do cérebro, mitigando manifestações depressivas e quadros de ansiedade crônica por meio da liberação de substâncias reguladoras do humor.
Histórico de inatividade física e parâmetros preventivos de saúde
O crescimento do comportamento sedentário no Brasil acompanha uma tendência verificada em escala planetária nas últimas duas décadas. Um levantamento internacional publicado em 2024, que monitorou 5,7 milhões de indivíduos distribuídos em 163 territórios, constatou que a taxa média de inatividade física no mundo avançou de 23,4% observados no ano 2000 para 31,3% apurados em 2022, evidenciando o avanço das barreiras cotidianas voltadas ao estímulo corporal.
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Em âmbito doméstico, dados de uma pesquisa nacional de 2019 sobre uso do tempo livre já demonstravam que 30% dos brasileiros gastavam seis horas diárias ou mais sentados ou deitados, número que desconsiderava o expediente profissional. Em termos biológicos, a literatura médica confirma que a introdução de apenas cinco minutos adicionais de atividades moderadas a intensas na programação cotidiana possui a capacidade de prevenir até 6% do total de mortes prematuras registradas.
Cronograma de divulgação e marcos do levantamento da ASICS
- 1 de julho de 2026: início da fase de coleta da pesquisa global de campo com 34 mil respondentes em 31 países
- 30 de setembro de 2026: apresentação oficial dos resultados consolidados no Relatório de Preservação do Movimento 2026
- 2 de outubro de 2026: veiculação setorial da reportagem pelo portal VivaBem, às 5h30
- 10 de outubro de 2026: mobilizações globais previstas para o Dia Mundial da Saúde Mental voltadas à prática de exercícios
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A relação exata e a ordem das outras 30 nações analisadas no levantamento global não foram discriminadas na íntegra nos documentos abertos pela organização da pesquisa, que destacou publicamente apenas a colocação brasileira no terceiro lugar do ranking mundial.
As iniciativas de conscientização vinculadas aos dados apresentados serão intensificadas no sábado (10), data em que se celebra o Dia Mundial da Saúde Mental, com campanhas dedicadas a incentivar pequenas pausas ativas na rotina das populações urbanas.
