FDA aprova Juvmo para tratar a doença de Parkinson em adultos

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Parkinson - LightField Studios - shutterstock.com Foto: Parkinson - LightField Studios - shutterstock.com

O medicamento Juvmo recebeu a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento da doença de Parkinson em adultos nos Estados Unidos. A nova terapia oral, desenvolvida pela farmacêutica AbbVie com o princípio ativo tavapadon, atua como o primeiro e único agonista parcial seletivo direcionado aos receptores D1 e D5 de dopamina no sistema nervoso central.

A decisão da agência norte-americana contempla duas frentes de aplicação clínica: a monoterapia, voltada para pessoas em estágios iniciais que ainda não utilizam o tratamento padrão, e a terapia combinada, como adjuvante à levodopa oral para pacientes que sofrem com flutuações motoras ao longo do dia. A fabricante planeja disponibilizar os comprimidos de dose única diária nas farmácias norte-americanas durante o mês de outubro de 2026.

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Mecanismo do Juvmo foca nos receptores D1 e D5 da dopamina

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Foto: Parkinson – Fabian Montano Hernandez/shutterstock.com

A levodopa oral permanece como a principal intervenção farmacológica contra o Parkinson há várias décadas, mas a progressão do distúrbio neurodegenerativo frequentemente exige ajustes graduais de dosagem que causam efeitos colaterais. Entre os problemas mais comuns associados ao aumento contínuo da substância estão os períodos de perda súbita de eficácia motora e o surgimento de discinesia, caracterizada por movimentos corporais involuntários e desordenados que comprometem a qualidade de vida.

Medicamentos de gerações anteriores que tentavam poupar a levodopa concentravam sua ação nos receptores dopaminérgicos D2 e D3, como o pramipexol, o ropinirol e a rotigotina. Embora funcionais para atenuar tremores e rigidez, esses compostos tornaram-se notórios pela incidência de reações adversas comportamentais severas, incluindo sonolência diurna incontrolável, episódios alucinatórios e transtornos de controle de impulsos, como compras e jogos compulsivos.

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O diretor científico e vice-presidente executivo de pesquisa e desenvolvimento da AbbVie, Roopal Thakkar, afirmou que a aprovação representa um avanço expressivo para a área médica. “A aprovação do Juvmo marca o primeiro avanço dopaminérgico para a doença de Parkinson em décadas. Pessoas que vivem com Parkinson e os médicos que cuidam delas enfrentam há muito tempo escolhas difíceis entre controle motor, sobrecarga do tratamento e tolerabilidade. Os médicos contam agora com uma nova opção de tratamento que atua nas vias da dopamina de maneira diferente e reduz os dilemas difíceis associados aos agonistas dopaminérgicos seletivos D2 e D3”, declarou o executivo, em tradução livre.

A diretora associada de pesquisa da organização Parkinson’s UK, Claire Bale, destacou a diferenciação molecular da substância. Em declaração sobre a decisão regulatória, ela observou, em tradução livre, que “o tavapadon tem como alvo tipos ligeiramente diferentes de receptores de dopamina em relação aos agonistas de dopamina atualmente presentes no mercado”.

Resultados dos ensaios clínicos TEMPO com o tavapadon

O respaldo científico para a liberação do produto decorre dos resultados do programa internacional de ensaios clínicos de fase 3, batizado de TEMPO. Os estudos avaliaram a eficácia, a tolerabilidade e a estabilidade motora propiciadas pelo tavapadon em diferentes perfis de pacientes adultos, demonstrando resposta sustentada sem a necessidade de intervenções adicionais imediatas.

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Nos testes do ensaio TEMPO-3, que analisou a integração do fármaco à rotina de quem já utilizava levodopa mas sofria com períodos de perda de mobilidade, a adição do novo composto gerou um ganho de cerca de 1 hora adicional de tempo diário ativo sem a presença de discinesia incômoda, superando o grupo submetido ao placebo. Já na extensão TEMPO-4, focada no longo prazo, a resposta terapêutica evitou a progressão rápida da dependência de doses maiores.

A Cleveland Clinic Lerner College of Medicine participou ativamente da coordenação científica dos ensaios clínicos. O professor de neurologia e pesquisador principal do programa TEMPO, Hubert Fernandez, explicou o impacto dessa seletividade para a prática neurológica cotidiana.

“O tratamento da doença de Parkinson há muito tempo exige que os profissionais de saúde equilibrem a necessidade de um controle confiável dos sintomas motores com considerações sobre a tolerabilidade do tratamento. Agora temos uma nova terapia que tem como alvo seletivo os receptores D1 e D5, o que atende a uma necessidade antiga de inovação e oferece aos profissionais de saúde maior flexibilidade para adaptar o tratamento às necessidades individuais de cada paciente”, declarou Fernandez, em tradução livre.

  • Cerca de 70% das pessoas diagnosticadas com Parkinson precisam aumentar a quantidade diária de levodopa logo no primeiro ano de uso convencional.
  • 94% dos voluntários em estágio inicial mantidos em monoterapia com o tavapadon completaram 85 semanas de acompanhamento sem necessidade de introduzir levodopa oral.
  • 93% dos participantes do estudo TEMPO-4 permaneceram com a dosagem estável de levodopa ao final das 85 semanas de tratamento contínuo com o novo remédio.
  • Ganho adicional médio de 1 hora por dia em estado de mobilidade adequada, classificado clinicamente como tempo ativo sem discinesia prejudicial.

Quando o Juvmo deve chegar aos pacientes e ao Brasil?

A farmacêutica AbbVie incorporou o tavapadon ao seu catálogo após concluir a compra da empresa de biotecnologia Cerevel Therapeutics em 2023, uma transação financeira avaliada em US$ 8,7 bilhões. Nos Estados Unidos, a distribuição física dos comprimidos começará diretamente pelos canais hospitalares e redes farmacêuticas credenciadas até o término de outubro de 2026, mediante prescrição médica obrigatória.

Em relação ao mercado brasileiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que não recebeu nenhuma submissão formal de registro para o tavapadon e que não existem novidades no processo até o momento. Pacientes com Parkinson no Brasil que buscam opções terapêuticas devem consultar médicos neurologistas em hospitais e unidades básicas do Sistema Único de Saúde (SUS) ou na rede privada para avaliar as alternativas disponíveis no país.

Existem marcos administrativos distintos entre o registro documental e o anúncio oficial do fármaco no exterior, conforme os registros técnicos da agência reguladora e da fabricante farmacêutica.

  • 2023: AbbVie adquire a Cerevel Therapeutics por US$ 8,7 bilhões e assume a condução clínica do tavapadon.
  • Sexta-feira, 25 de setembro de 2026: registro formal da autorização sanitária do medicamento nos sistemas da FDA.
  • Segunda-feira, 28 de setembro de 2026: comunicado oficial da farmacêutica AbbVie anunciando a liberação do produto ao mercado norte-americano.
  • Quinta-feira, 1 de outubro de 2026: Anvisa confirma no Brasil a ausência de solicitações de análise da fórmula.
  • Outubro de 2026: previsão de chegada efetiva dos lotes de comprimidos aos pacientes nos Estados Unidos.

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Até o momento, não há previsão de envio de pedidos de autorização do Juvmo a outras agências reguladoras internacionais, como a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), do Reino Unido, ou a Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Os custos finais para o consumidor, eventuais programas de coparticipação e o preço público definitivo do tratamento seguem sem definição nos canais governamentais.

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