Estação Espacial registra formação geológica em Madagascar similar ao solo lunar

Rocha comum na superfície lunar - Divulgação/NASA/JSC

Rocha comum na superfície lunar - Divulgação/NASA/JSC

Um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional fotografou no sul de Madagascar o maciço de Saririaky, uma formação de rocha ígnea idêntica àquela que compõe os planaltos claros da superfície da Lua. O registro espacial mostra um afloramento de anortosito com cerca de 100 quilômetros quadrados, estrutura que serve como modelo de estudo geológico para compreender a formação do satélite natural.

A imagem foi obtida por um integrante da tripulação da Expedição 75 e divulgada pelo Observatório da Terra da Nasa como imagem do dia nesta segunda-feira (5), sob o título de Madagascar semelhante à Lua, em tradução livre. Cientistas utilizam esse tipo de estrutura geológica terrestre para suprir a escassez de amostras lunares recolhidas pelas missões espaciais tripuladas.

Origem do maciço de Saririaky no relevo de Madagascar

O anortosito registrado pelos tripulantes é uma rocha ígnea intrusiva formada a partir do resfriamento lento de magma sob a superfície terrestre, caracterizada pela concentração de cristais minerais ricos em plagioclásio feldspato. De acordo com os pesquisadores, o maciço de Saririaky se consolidou no final do período Pré-Cambriano, há pelo menos 600 milhões de anos, mantendo sua composição preservada ao longo das eras geológicas.

A formação rochosa está inserida em uma zona de cisalhamento dúctil orientada no sentido norte-sul, onde condições extremas de pressão e temperatura alteraram a rocha ao longo de milhões de anos. Geólogos explicam que essas deformações e o metamorfismo associado ocorreram durante a colisão de massas continentais que envolveu partes da África, Índia, Madagascar, Austrália e Antártica para formar o antigo supercontinente Gondwana. A tectônica de placas também separou outro maciço de anortosito localizado a cerca de 60 quilômetros ao norte de Saririaky, processo que gerou uma estrutura de boudinagem em grande escala.

Foto: Lua, espaço – Rawpixel.com/Shutterstock.com

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Anortosito da Terra auxilia pesquisas sobre o relevo da Lua

A comparação entre as rochas de Madagascar e a crosta lunar ocorre porque as anortositas formam as chamadas terras altas lunares, regiões mais claras visíveis na superfície do satélite. Enquanto o maciço terrestre possui ao menos 600 milhões de anos, as formações anortosíticas da Lua superam a marca de 4 bilhões de anos. Os cientistas dependem dessas semelhanças minerais na Terra porque o volume de rochas lunares disponíveis em laboratório é limitado, com amostras originais coletadas exclusivamente durante as missões do programa Apollo entre 1969 e 1972.

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Além de Madagascar, formações de anortosito análogas às rochas lunares ocorrem em outras partes do planeta, incluindo o leste do Canadá, a Escandinávia, o sul da Índia e as formações do Complexo Stillwater, localizadas nas montanhas Beartooth, no estado de Montana, nos Estados Unidos. Essas reservas minerais permitem que equipes científicas conduzam experimentos e formulem modelos sobre a diferenciação magmática primitiva que deu origem à crosta da Lua sem consumir o acervo limitado trazido pelas viagens espaciais.

Detalhes técnicos do registro obtido na Estação Espacial Internacional

  • Data da fotografia na órbita terrestre: 28 de agosto de 2026
  • Localização da formação geológica: sul de Madagascar
  • Identificação do arquivo oficial: código ISS075-E-85249
  • Equipamento fotográfico: câmera digital Nikon Z9 com lente de 400 milímetros
  • Área aproximada do afloramento: 100 quilômetros quadrados ou 40 milhas quadradas
  • Data de publicação no Observatório da Terra da Nasa: segunda-feira, 5 de outubro de 2026

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A identidade individual do astronauta que realizou o disparo da câmera fotográfica a bordo do laboratório orbital não foi divulgada pela agência espacial norte-americana, que registrou o crédito do arquivo apenas como membro da tripulação da Expedição 75.

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