Falta de procuração e falhas cadastrais travam repasses de benefícios do INSS

INSS - Divulgação/Gov.br Foto: INSS - Divulgação/Gov.br

O Instituto Nacional do Seguro Social mantém famílias sem acesso a recursos financeiros essenciais devido a entraves cadastrais, bloqueio de procuração legal e atrasos em pagamentos de valores acumulados. Os impasses administrativos impedem a retirada de quantias autorizadas por perícias médicas e atrasam a liberação de quantias que ultrapassam R$ 16.000,00.

Os relatos envolvem a interrupção do auxílio por incapacidade temporária, conhecido anteriormente como auxílio-doença, e o Benefício de Prestação Continuada, previsto pela Lei Orgânica da Assistência Social. Nos dois casos, a falta de validação documental rápida por parte do órgão público sobrecarrega lares que dependem exclusivamente dessa renda para despesas básicas de subsistência e saúde.

Falta de reconhecimento de procuração trava saque de auxílio

A situação enfrentada por Cláudia começou quando seu marido foi internado para tratar um tumor cerebral, quadro clínico que já dura mais de um ano e meio. O segurado recebia o auxílio por incapacidade temporária, mas teve o repasse suspenso após o INSS conceder uma alta médica no início do ano. Mesmo com uma perícia médica realizada no próprio ambiente hospitalar atestando a gravidade contínua do paciente, a liberação dos valores seguiu inviabilizada.

O impedimento para o recebimento do benefício ocorre porque a instituição previdenciária ainda não reconheceu Cláudia formalmente como procuradora e representante legal do segurado. Sem a validação do documento que autoriza o terceiro a movimentar a conta e realizar os saques em nome do titular internado, o dinheiro permanece retido no sistema bancário, impossibilitando o sustento da família.

Com a renda familiar paralisada e sob a responsabilidade de cuidar de dois filhos menores de idade, Cláudia acumula 12 meses de dívidas em contas de aluguel e taxas de condomínio. A sobrevivência cotidiana da casa passou a depender de doações de cestas básicas entregues por pessoas próximas, enquanto a resposta sobre a procuração não é emitida.

meu inss beneficios saques
Foto: rafastockbr/shutterstock.com

Espera por retroativos do BPC supera R$ 16 mil

Continue lendo: INSS e MDS unificam pedido do BPC com saída do Bolsa Família

Em outro caso de entrave com o órgão, Bruna busca receber parcelas atrasadas do Benefício de Prestação Continuada destinadas à filha, que convive com problemas neurológicos. O pagamento mensal do benefício assistencial havia sido interrompido em novembro e foi reativado posteriormente, mas as parcelas que deixaram de ser depositadas durante o período de corte continuam pendentes de liberação.

A quantia acumulada em valores retroativos devida pelo instituto à criança é superior a R$ 16.000,00. Bruna aponta que as exigências documentais e as falhas de comunicação interna do sistema previdenciário ampliam o tempo de espera das famílias, gerando prejuízos no custeio dos tratamentos contínuos de saúde.

Saiba mais: Servidores do INSS votam greve nacional que pode atrasar pedidos

O Benefício de Prestação Continuada e o auxílio por incapacidade temporária exigem perícias e manutenções cadastrais periódicas, sendo alvos frequentes de filas de espera e exigências documentais complementares em todo o território nacional. Essa rotina de revisões frequentes costuma paralisar os pagamentos de segurados vulneráveis sempre que há divergência de dados ou necessidade de atualização nos registros federais.

Valores retidos e prazos informados pelo INSS

  • Mais de R$ 16.000,00: total acumulado em parcelas retroativas do BPC devido à filha de Bruna.
  • 12 meses: período em que Cláudia acumula atrasos no pagamento de aluguel e condomínio.
  • Mais de um ano e meio: tempo contínuo de internação do marido de Cláudia para tratamento de tumor cerebral.
  • Dois: número de filhos menores dependentes da renda do segurado representado por Cláudia.
  • Até dez dias úteis: tempo previsto pelo INSS para quitar os retroativos após o envio das pendências documentais.

O que fazer para regularizar documentos e liberar valores pendentes?

O INSS afirmou que enviou comunicados a Bruna por meio de correio eletrônico e mensagens de texto SMS informando sobre a existência de pendências na documentação exigida. De acordo com o posicionamento oficial da autarquia, assim que os comprovantes solicitados forem anexados e regularizados pela responsável, o valor retroativo acumulado será depositado em até dez dias úteis.

Sobre o pedido de Cláudia, a instituição informou que o requerimento para incluí-la como representante legal e procuradora do marido internado está em análise e tramita dentro do prazo regulamentar. Para os segurados que enfrentam problemas semelhantes, a recomendação é acompanhar as notificações emitidas pelo sistema, cumprir as exigências de documentação médica ou procurações por meio dos canais oficiais de atendimento e aguardar a validação cadastral da representação legal.

Veja também: Beneficiários do INSS devem emitir a Carteira de Identidade Nacional até 2028

Os sobrenomes completos de Cláudia e de Bruna não foram informados pela reportagem veiculada na terça-feira, 6 de outubro de 2026, às 09h49, assim como as cidades e os estados de residência das famílias envolvidas.

A liberação dos recursos devidos às duas famílias depende agora da conclusão da análise da procuração de Cláudia pelo instituto e do envio final dos documentos pendentes solicitados a Bruna para o pagamento no prazo de dez dias úteis.

Notícias relacionadas