Anfavea eleva projeção e prevê 3,1 milhões de veículos em 2026

transito estradas rodovias pedagio Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A venda de veículos novos no Brasil deve alcançar 3,099 milhões de unidades em 2026, segundo a nova projeção oficial divulgada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) na quarta-feira (7). O montante representa um crescimento de 15,2% em comparação com o total comercializado em 2025 e recoloca o mercado interno acima da barreira de 3 milhões de emplacamentos anuais pela primeira vez desde 2014.

O resultado foi impulsionado pelo desempenho registrado no mês de setembro de 2026, quando 281,4 mil autoveículos foram emplacados no país, marcando o índice mensal mais elevado da indústria automotiva brasileira desde dezembro de 2014. O presidente da entidade, Igor Calvet, destacou durante apresentação em São Paulo que a revisão para cima reflete a reação consistente das compras no mercado interno. “As revisões foram feitas de forma técnica”, afirmou o dirigente, acrescentando que “a Anfavea trabalha com qualquer governo eleito”.

O que explica a revisão para 3,099 milhões de veículos em 2026?

Multas e Detran
Foto: Multas e Detran – Foto: Governo de SP

O novo cálculo da associação substitui a previsão intermediária anterior, que apontava para uma expansão de 12,1% e 3,014 milhões de veículos licenciados até o encerramento do período anual. No início de 2026, a perspectiva inicial dos fabricantes era ainda mais conservadora, estimando uma modesta evolução de apenas 2,7% na demanda por veículos no território brasileiro. Entre janeiro e setembro de 2026, os emplacamentos acumulados somaram aproximadamente 2,26 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, número que consolidou uma expansão de 18,1% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

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A composição dessa demanda, no entanto, apresenta uma dinâmica diferente em relação aos ciclos passados de crescimento, com uma participação relevante de veículos importados que disputam espaço direto com os modelos produzidos localmente. A maior fatia dessa oferta vinda do exterior tem origem em marcas chinesas, que aumentaram a penetração comercial e alteraram o perfil da concorrência nas concessionárias brasileiras, dividindo o mercado em proporções distintas das observadas quando o setor operava em patamares equivalentes.

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  • Licenciamento de veículos novos em 2026: estimativa de 3,099 milhões de unidades, com expansão calculada em 15,2% sobre 2025
  • Licenciamento anterior projetado para 2026: previsão de 3,014 milhões de unidades, o equivalente a avanço de 12,1%
  • Volume mensal registrado em setembro de 2026: 281,4 mil autoveículos emplacados, melhor marca mensal em quase doze anos
  • Desempenho acumulado de janeiro a setembro de 2026: cerca de 2,26 milhões de veículos vendidos, alta de 18,1%
  • Estimativa no início do ano: perspectiva original de crescimento fixada em 2,7% para o fechamento de 2026

Produção de veículos avança menos com retração nas exportações

Embora as concessionárias registrem aceleração nas entregas, a atividade nas linhas de montagem brasileiras cresce em ritmo mais moderado do que o consumo doméstico. A Anfavea elevou a expectativa de produção nacional de autoveículos de 5,8% para 6,7% em 2026, o que deve levar o total montado no país a cerca de 2,822 milhões de veículos. No acumulado entre janeiro e setembro, a produção industrial registrou 2,17 milhões de unidades fabricadas, apontando avanço de 8,7% na base anual.

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Parte do avanço reportado nas fábricas decorre da utilização de sistemas de montagem em regime CKD e SKD, que utilizam conjuntos de peças e componentes importados diretamente de outras matrizes fabris. Essa modalidade resulta em operações industriais com menor intensidade de transformação de matérias-primas nacionais, processo classificado pelo presidente da Anfavea, Igor Calvet, como atividades realizadas “com baixa densidade produtiva”.

Ao mesmo tempo, as vendas externas de automóveis fabricados no Brasil continuam a perder tração diante do acirramento da concorrência de fornecedores asiáticos nos principais destinos de exportação da América Latina. Diante desse cenário de perda de competitividade regional, a entidade reviu para baixo a projeção de exportações de 2026, projetando agora retração de 17,7%, com 435 mil veículos embarcados para o exterior, frente ao recuo de 12,8% projetado quatro meses antes.

Histórico das vendas de veículos e comparação desde 2012

O mercado brasileiro de autoveículos operou abaixo da casa de 3 milhões de unidades licenciadas por doze anos consecutivos, após o recuo observado no fim da década passada. A última ocasião em que as concessionárias nacionais haviam superado essa marca ocorreu em 2014, quando o setor comercializou 3,49 milhões de unidades, patamar que encerrou um período de expansão contínua nas vendas e na produção.

  • 2005: ápice histórico dos embarques de veículos ao exterior, quando o Brasil exportou 897,1 mil unidades
  • 2012: recorde absoluto de emplacamentos de veículos na história do mercado brasileiro, somando 3,8 milhões de unidades
  • 2013: topo da produção de veículos automotores nas plantas nacionais, totalizando 3,71 milhões de unidades montadas
  • 2014: marca de 3,49 milhões de unidades vendidas e 3,15 milhões de unidades produzidas nas fábricas locais
  • 2015 a 2025: intervalo de onze anos consecutivos em que as vendas anuais permaneceram abaixo do piso de 3 milhões

Capacidade fabril ociosa atinge parque industrial de 4,6 milhões

A disparidade entre o volume comercializado internamente e a produção local mantém expressiva capacidade desocupada nas montadoras estabelecidas no Brasil. O parque industrial automotivo conta com estrutura física instalada para produzir anualmente até 4,6 milhões de veículos, dimensão construída para atender aos recordes observados no início da década anterior.

Com a projeção de 2,822 milhões de autoveículos manufaturados para todo o ano de 2026, as fábricas em operação mantêm cerca de 1,778 milhão de unidades em potencial não utilizado. O próximo acompanhamento dos números consolidados de licenciamento, montagem e exportação será apresentado pela Anfavea ao término da apuração das vendas de outubro de 2026.

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