Curiosity fotografa amanhecer natural e revela yardangs em Marte

Curiosity - Instagram Foto: Curiosity - Instagram

O rover Curiosity registrou um panorama do amanhecer marciano sem o balanço de branco tradicional, revelando detalhes de cristas rochosas conhecidas como yardangs no Monte Sharp. As fotografias foram divulgadas pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) na terça-feira (6), a partir do processamento realizado no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), em Pasadena, na Califórnia.

A composição visual reúne seis imagens capturadas pela câmera Mastcam no início da manhã do planeta vermelho, exibindo estruturas esculpidas por forças eólicas ao longo de bilhões de anos. A ausência de filtros artificiais para corrigir as cores permitiu manter os tons azulados característicos da iluminação matinal marciana no primeiro plano, criando uma perspectiva visual incomum para o trabalho de campo da missão científica.

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Mastcam registra luz natural e cristas no Monte Sharp

As fotos foram obtidas às 8h30 no horário local de Marte, aproximadamente uma hora depois do nascer do sol, quando a iluminação baixa realçou as sombras e os recortes acidentados do relevo. O mosaico foi gerado a partir do envio dos arquivos brutos para a Terra, onde a equipe técnica realizou a junção dos seis quadros sem aplicar a compensação de cor que simula a luz do dia terrestre.

Diferentemente da maior parte dos registros públicos disponibilizados pela agência espacial norte-americana, que passam pelo balanço de branco para facilitar o reconhecimento de minerais por comparação com rochas da Terra, a cena manteve a iluminação original do ambiente marciano. A escolha técnica evidenciou o contraste entre o piso arenoso da Cratera Gale e as camadas rochosas situadas adiante.

A câmera responsável pelo registro foi projetada e é gerada pela empresa Malin Space Science Systems, sediada em San Diego. O dispositivo capturou os relevos durante o sol 4.982, designação dada a cada dia marciano contado a partir do momento em que o veículo pousou no planeta. Operando atualmente em sua quinta extensão de missão, o veículo já superou a marca histórica de 5.000 sóis de atividade contínua no solo extraterrestre.

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Origem geológica de 3 bilhões de anos nos yardangs

Os yardangs observados no horizonte são cristas e penhascos alinhados que se formaram pela passagem incessante do vento sobre depósitos sedimentares antigos. Essa faixa rochosa específica tem idade calculada em cerca de 3 bilhões de anos e se prolonga por aproximadamente 16 quilômetros na encosta noroeste do Monte Sharp, elevação que alcança 5 quilômetros de altitude no interior da Cratera Gale.

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O cientista Ashwin Vasavada, pesquisador de projeto da missão Curiosity no JPL da Nasa, avaliou a relevância da nova observação visual das encostas marcianas em comunicado oficial emitido pelo centro de pesquisa. Ele ressaltou que a disposição dessas camadas sedimentares difere fortemente de tudo o que o equipamento analisou desde o início do percurso geológico.

“Os picos escarpados e brilhantes à distância são uma camada de rocha com aparência bastante diferente de todas as camadas pelas quais o rover passou até agora. Acreditamos que ela já foi sedimento soprado pelo vento, talvez areia ou talvez até cinzas expelidas para a cratera por atividade vulcânica próxima. Depois que o sedimento endureceu e virou rocha, éons de vento esculpiram a camada rochosa em cristas chamadas yardangs”, afirmou Ashwin Vasavada, em tradução livre.

A inclinação das estruturas intriga a equipe de engenheiros e geólogos, pois o estrato parece sobreposto de modo abrupto em relação às formações vizinhas. “A camada de yardangs parece fora de lugar. Tem a cor errada, as camadas inclinam-se em um ângulo incomum e quase parece ter sido colada ali. Mas é isso que torna emocionante alcançá-la. Ninguém tem certeza exata do que criou essa camada, mas uma ideia é que possam ser cinzas depositadas por erupções vulcânicas antigas”, disse Ashwin Vasavada, em tradução livre.

Dados do registro visual capturado pelo Curiosity

  • Data da captura em Marte: terça-feira, 11 de agosto de 2026, às 8h30 no horário local marciano
  • Momento da missão: sol 4.982, correspondente ao 4.982º dia marciano de operação do robô
  • Equipamento fotográfico: câmera Mastcam, montada no mastro do Curiosity e operada a partir da Califórnia
  • Formato da imagem: panorama composto por 6 fotografias unificadas na Terra sem balanço de branco
  • Dimensão do alvo: faixa de yardangs com 16 quilômetros de extensão no noroeste do Monte Sharp
  • Divulgação oficial: terça-feira, 6 de outubro de 2026, pela Nasa e pelo Laboratório de Propulsão a Jato

Subida de 1 quilômetro na encosta da Cratera Gale

O Curiosity chegou à superfície de Marte em 6 de agosto de 2012, quando pousou no assoalho da Cratera Gale para investigar se o planeta já apresentou condições ambientais favoráveis à existência de vida microbiana. Depois de passar dois anos estudando o solo plano da depressão, o veículo deu início, em 11 de setembro de 2014, à escalada contínua pelas rampas inferiores do Monte Sharp.

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Durante essa trajetória pelas encostas da montanha, o veículo alcançou 1 quilômetro de ganho vertical de elevação em relação ao seu ponto de partida, estabelecendo o recorde histórico de maior subida realizada por um veículo motorizado fora da Terra. A ascensão permitiu aos cientistas examinar diferentes eras da evolução climática marciana, já que as rochas mais baixas continham sinais claros de água corrente e lagos estáveis.

À medida que subiu as encostas, o jipe encontrou horizontes minerais enriquecidos por sais, carbonatos e sulfatos, materiais deixados para trás no período em que a água líquida evaporou por completo da bacia da cratera. A transição entre estratos aquosos e formações secas esculpidas pelo ar marca a perda definitiva da atmosfera úmida primitiva de Marte.

Próximos passos e chegada física prevista para 2027

A composição química exata do material original dos yardangs permanece não confirmada pelas equipes científicas da Nasa, subsistindo como hipóteses concorrentes o acúmulo de cinza vulcânica ou a consolidação de dunas de areia fina trazidas pelo vento. A confirmação do modelo geológico dependerá de testes físicos diretos executados pelos sensores de contato instalados na extremidade do braço mecânico do rover.

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A equipe do Laboratório de Propulsão a Jato calcula que o Curiosity conseguirá alcançar a base física dos yardangs ao longo do ano de 2027, momento em que utilizará sua broca de perfuração e seu espectrômetro para coletar amostras internas do estrato sedimentar.

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