A aposentadoria do INSS é considerada insuficiente para manter o padrão de vida por 92% dos brasileiros conectados, aponta uma pesquisa nacional da Icatu Seguros realizada em parceria com a empresa de dados Conversion. O levantamento indica que 62% das pessoas ouvidas no país não possuem nenhum tipo de plano de previdência complementar privada para compensar a perda de renda na velhice.
Divulgado na quinta-feira (8), o estudo expõe uma contradição direta entre o temor em relação ao sustento financeiro no longo prazo e a falta de preparação econômica individual. Para Henrique Diniz, diretor de Previdência e Produtos de Previdência da Icatu Seguros, o suporte público precisa ser acompanhado por reservas pessoais feitas durante a fase produtiva: “A previdência social é base essencial para a aposentadoria dos brasileiros. Mas, para manter o padrão de vida e garantir mais segurança no futuro, é importante que cada pessoa tenha também uma estratégia de planejamento individual. A aposentadoria precisa ser construída muito antes do último dia de trabalho”.
Por que a aposentadoria do INSS preocupa a maioria dos trabalhadores?
As preocupações associadas à falta de dinheiro na velhice concentram 78% das respostas dos entrevistados no levantamento. A maior apreensão apontada pelos participantes é a ausência de recursos para lidar com situações de emergência, citada por 30% das pessoas. Em seguida, aparecem o receio de não ter renda mensal suficiente para quitar despesas básicas do dia a dia, com 24%, e o medo de que o patrimônio acumulado se esgote antes do fim da vida, que alcançou 23% das menções.
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A dificuldade em calcular as necessidades orçamentárias futuras amplia o sentimento de insegurança entre os trabalhadores. De acordo com a apuração, 58% dos participantes têm apenas uma noção aproximada da quantia mensal que precisarão receber para preservar o padrão atual de gastos. Outros 14% admitem não saber fazer essa conta, enquanto apenas 28% conseguem estimar com exatidão o montante necessário para a fase de inatividade.
“O brasileiro sabe que precisa se preparar, mas muitas vezes não consegue transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada”, declarou Henrique Diniz ao analisar os dados sobre o comportamento do público.
Previsibilidade da renda mensal na aposentadoria
Quando questionados sobre a forma como pretendem administrar e resgatar os recursos acumulados ao longo dos anos, os participantes demonstraram forte preferência pela estabilidade periódica. Entre as pessoas ouvidas, 63% afirmaram preferir receber uma renda mensal durante a aposentadoria, em vez de movimentar todo o montante de uma só vez. Outros 24% disseram preferir saques graduais sob demanda, retirando o capital conforme a necessidade diária, e apenas 8% manifestaram desejo de resgatar o patrimônio integral em cota única.
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A tendência de buscar fluxo contínuo de recebimentos também foi registrada na base histórica da instituição financeira. Em 2025, a procura de clientes da seguradora pela conversão do montante acumulado em contratação de renda mensal regular teve um avanço de 47% na comparação direta com os resultados apurados em 2024.
Desigualdade atinge mulheres e pessoas próximas da aposentadoria
A ausência de reservas financeiras afeta os públicos de formas distintas, com maior gravidade entre mulheres e trabalhadores que já estão perto da idade limite de atuação profissional. Do total de mulheres participantes, 29% ainda não iniciaram qualquer tipo de preparação financeira voltada para o momento em que encerrarem a carreira, índice que representa mais que o dobro do registrado entre os homens, de 14%. Além da disparidade no acúmulo de patrimônio, o levantamento indicou diferenças nos canais de diálogo sobre o tema: as mulheres costumam conversar sobre a aposentadoria prioritariamente com integrantes da própria família, enquanto os homens procuram orientações técnicas com assessores financeiros, gerentes de instituições bancárias e especialistas do setor econômico.
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Na faixa etária de 45 a 60 anos, que integra a chamada Geração X, o panorama também revela vulnerabilidade acentuada. Apenas 18% dos entrevistados desse segmento afirmaram possuir uma reserva financeira significativa para a velhice, o que significa que mais de oito em cada dez pessoas próximas de parar de trabalhar acumularam pouco dinheiro ou ainda estão muito distantes da meta necessária para manter os custos da rotina.
Acesso concentrado nas faixas de alta renda
A posse de planos de previdência complementar acompanha de forma direta o poder aquisitivo familiar. A contratação do produto alcança 71% das famílias brasileiras que declaram renda mensal superior a R$ 28 mil. Nas camadas de menor rendimento, a incidência da previdência privada cai de maneira expressiva, deixando a maior parte dos cidadãos dependente unicamente dos repasses efetuados pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
Henrique Diniz avaliou que o mercado e o país enfrentam um obstáculo educacional e distributivo: “O desafio do país não é apenas ampliar o acesso a produtos financeiros, mas tornar o planejamento de longo prazo mais compreensível, acessível e conectado à realidade de cada pessoa”.
Números e parâmetros da pesquisa nacional
- Data de divulgação dos resultados: 8 de outubro de 2026.
- Período de coleta dos dados: maio de 2026.
- Amostra consultada: 500 pessoas com acesso à internet em todas as regiões brasileiras, com divisão de 60% de mulheres e 40% de homens a partir de 18 anos.
- Percepção sobre a renda do INSS: 92% acreditam que o benefício público será insuficiente para manter o padrão de vida.
- Participantes sem plano complementar: 62% declararam não ter previdência privada.
- Acesso por renda: 71% dos lares com ganho mensal acima de R$ 28 mil possuem plano contratado.
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Dados estatísticos não detalhados
A margem de erro estatística específica e o nível de confiança amostral do estudo não foram detalhados nas divulgações técnicas da pesquisa realizada pela seguradora.
