O tratamento da hiperplasia prostática benigna por enucleação a laser consolidou-se como substituto da cirurgia aberta para homens com glândulas muito volumosas nesta sexta-feira (9). O método retira a porção central do tecido sem cortes no abdome e atende pacientes com volume prostático acima de 80 mL, patamar que historicamente exigia incisões cirúrgicas invasivas e internações prolongadas.
A expansão do procedimento foi detalhada pelo médico urologista Ivan Selegatto, formado pela Universidade Estadual de Campinas e membro da Brazil Health, em artigo publicado em 9 de outubro de 2026. Segundo o especialista, a tecnologia permite preservar a integridade da parede abdominal e atua de maneira precisa: “As diretrizes europeias de 2026 colocam a enucleação endoscópica em posição de destaque e recomendam a HoLEP como alternativa tanto à tradicional ressecção transuretral da próstata quanto à cirurgia aberta”.
Como a técnica a laser HoLEP opera a próstata pelo canal urinário
O procedimento cirúrgico é executado inteiramente por via endoscópica, introduzindo instrumentos médicos pela uretra até alcançar a região glandular. No interior do canal, a fibra de laser separa o adenoma obstrutivo, que consiste no miolo aumentado da próstata, deslocando o bloco de tecido para a bexiga. Em seguida, um aparelho chamado morcelador mecânico fragmenta essa massa no interior da bexiga e aspira os fragmentos, enviando todo o material retirado para análise anatomopatológica laboratorial.
A enucleação endoscópica da próstata utiliza fontes de energia como o holmium laser, conhecido pela sigla HoLEP, ou o laser de túlio, denominado ThuLEP. Durante o corte, a energia térmica realiza a hemostasia instantânea dos vasos sanguíneos, cauterizando as estruturas vasculares no momento exato da incisão. Esse mecanismo estanca hemorragias de forma imediata, permitindo que a equipe médica mantenha visibilidade contínua do campo operatório e reduza o tempo de internação hospitalar e de uso da sonda vesical.
Saiba mais: Anvisa barra o suplemento Peptistrong e manda recolher todos os lotes
Números da hiperplasia prostática e critérios clínicos de indicação
O aumento da próstata decorre de alterações celulares benignas comuns ao envelhecimento masculino, mas pode provocar compressão severa da uretra e impedir a saída adequada da urina. Dados levantados pela Sociedade Brasileira de Urologia e pela literatura médica revelam a dimensão epidemiológica e os marcos de corte da condição:
- 50% dos homens desenvolvem hiperplasia prostática benigna a partir dos 50 anos de idade;
- 80% a 90% dos homens apresentam crescimento da glândula entre 70 e 85 anos;
- 80 mL representa o volume prostático de corte acima do qual o caso é considerado volumoso e costumava exigir abertura do abdome;
- Indicação de intervenção cirúrgica direta em episódios de retenção urinária aguda com uso obrigatório de sonda;
- Necessidade de cirurgia quando surgem complicações graves como infecções urinárias de repetição, cálculos na bexiga, sangramento persistente ou risco de insuficiência renal.
A decisão de operar surge quando o uso de medicamentos orais deixa de surtir efeito ou quando os exames indicam danos iminentes ao trato urinário. Os pacientes que sofrem com o problema relatam fluxo urinário enfraquecido, interrupção do jato, esforço excessivo para urinar, sensação de esvaziamento incompleto e necessidade de acordar repetidas vezes durante o período noturno.
Histórico da cirurgia aberta e as diretrizes da Associação Europeia de Urologia
Antes do aperfeiçoamento das ferramentas endoscópicas, homens com próstatas volumosas eram submetidos à prostatectomia simples aberta. Essa operação tradicional envolvia uma incisão no abdome inferior e a abertura direta da bexiga ou da cápsula prostática externa. Embora solucionasse a obstrução mecânica, a técnica aberta provocava sangramento intraoperatório considerável, exigia dias adicionais com drenos e demandava semanas de repouso para cicatrização da parede muscular abdominal.
Com as evidências acumuladas em ensaios clínicos internacionais, a Associação Europeia de Urologia passou a recomendar formalmente o HoLEP como procedimento de referência. O protocolo internacional estabelece a técnica como opção direta tanto diante da cirurgia aberta quanto da ressecção transuretral convencional, que possui restrições técnicas para órgãos de grandes proporções. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia destaca que tanto o HoLEP quanto o ThuLEP possuem aprovação regulatória na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e integram a rotina dos principais centros médicos.
Veja também: Câncer colorretal atinge jovens sem histórico familiar em 80% dos casos
Cuidados no procedimento a laser e avaliação com o urologista
Embora o avanço tecnológico represente um ganho de segurança para o paciente, a execução da cirurgia depende de treinamento especializado da equipe cirúrgica. A manipulação do morcelador dentro da bexiga e a dissecção rente à cápsula exigem controle instrumental rigoroso para evitar lesões em tecidos adjacentes, manter a continência urinária e assegurar a desobstrução completa do canal.
O urologista Ivan Selegatto alerta que os recursos técnicos modernos não anulam a análise criteriosa de cada quadro clínico. “A tecnologia mudou a forma de chegar à próstata. A indicação correta e a experiência de quem realiza o procedimento continuam sendo tão importantes quanto o laser”, afirmou o médico. Homens que percebem dificuldades miccionais ou alterações no ritmo urinário devem procurar atendimento médico em serviços urológicos de saúde para realização de exames clínicos, avaliação do tamanho da glândula e definição da conduta terapêutica apropriada.
