Estudantes da UFPE terão doutorado no exterior após destruição de laboratórios

Incêndio em prédio da UFPE - Reprodução/WhatsApp Foto: Incêndio em prédio da UFPE - Reprodução/WhatsApp

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) prorrogou os prazos das bolsas de pesquisa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e garantiu um programa emergencial de doutorado no exterior para os alunos afetados pelo incêndio no campus Recife. O anúncio ocorreu nesta sexta-feira (9) em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que liberou um aporte de R$ 40 milhões para recomposição de equipamentos científicos.

O sinistro começou na noite de 7 de outubro de 2026 no prédio que abrigava a antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo e o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. As chamas causaram um prejuízo estrutural e científico avaliado em R$ 100 milhões pela administração universitária, atingindo trabalhos sobre câncer, Covid-19 e doenças raras. “Nossa grande preocupação é que nós temos aproximadamente 200 dissertações e teses em andamento aqui nos diversos laboratórios, e precisamos evitar que essas pesquisas parem, ou seja, precisamos dar continuidade. E estamos também colocando nossos serviços de Psicologia, nossos serviços de outras áreas, para apoiar os nossos estudantes e também os nossos professores e professoras que estão aqui trabalhando”, declarou o reitor da UFPE, Alfredo Gomes.

Quais medidas atendem os pesquisadores da UFPE após o incêndio?

Incêndio na UFPE - Reprodução/TV Globo
Foto: Incêndio na UFPE – Reprodução/TV Globo

Os pós-graduandos vinculados aos laboratórios destruídos terão acesso estendido aos benefícios de mestrado, doutorado e pós-doutorado da Capes para impedir o cancelamento dos projetos acadêmicos. Para os doutorandos em fase final de tese, a instituição abriu vagas por meio de edital especial do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior. A transferência temporária permitirá a conclusão de análises em instituições parceiras da Alemanha, da França e dos Estados Unidos.

A recomposição do parque tecnológico destruído receberá R$ 40 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, operados pela Financiadora de Estudos e Projetos. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, visitou o prédio danificado e detalhou o plano de resposta: “Essa é uma ajuda emergencial. Junto ao que o ministro da Educação relatou ontem, vamos somar esforços para atender a outras necessidades. Concomitantemente, a equipe do reitor Alfredo Gomes está reunida fazendo levantamentos, de modo que possamos, da maneira mais célere possível, garantir a retomada plena das atividades de pesquisa e desenvolvimento que existiam aqui”. O Ministério da Educação prevê outros R$ 28 milhões destinados à construção de uma nova sede com 7 mil metros quadrados.

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Dados do incêndio no campus Recife e perdas científicas

  • Data de início do fogo: 7 de outubro de 2026, durante o período noturno
  • Local atingido: prédio da Dine e Nupit, no campus Recife da UFPE
  • Recursos federais anunciados: R$ 40 milhões para equipamentos e R$ 28 milhões previstos para obras
  • Impacto acadêmico: cerca de 200 pesquisas, dissertações e teses afetadas
  • Prejuízo material total estimado: R$ 100 milhões

Histórico de ocorrências e perícia da Polícia Federal na UFPE

O fogo debelado pelo Corpo de Bombeiros na madrugada de 8 de outubro de 2026 representou a terceira ocorrência com chamas registrada em prédios da universidade no intervalo de oito dias, após episódios no Departamento de Física e no Centro de Biociências. O edifício danificado reunia uma unidade de Nível de Biossegurança 3, além de biobancos com vinte anos de amostras genéticas e testes de chikungunya mantidos a 80 graus Celsius negativos.

A Polícia Federal instaurou inquérito sob condução do delegado regional executivo e superintendente substituto da corporação em Pernambuco, Rodrigo Bastos. Peritos do Instituto Nacional de Criminalística utilizam drones e robôs na área interditada. A apuração técnica ainda não confirmou se o incêndio teve causa acidental ou origem criminosa ligada a ameaças recentes contra o campus, enquanto a Advocacia-Geral da União designou força-tarefa jurídica para acompanhar as investigações.

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