Gustavo Munis de Santana morre atingido por 27 tiros da PM em SP

Gustavo Munis de Santana - Reprodução Foto: Gustavo Munis de Santana - Reprodução

Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu após ser atingido por policiais militares durante uma abordagem na Alameda dos Guaramomis, no bairro de Moema, Zona Sul de São Paulo. A perícia técnica recolheu apenas um aparelho celular escuro ao lado do corpo da vítima, que recebeu 27 tiros na madrugada de sábado, 10 de outubro de 2026.

O jovem não possuía antecedentes criminais, morava com a mãe e as irmãs, trabalhava em um hospital e tratava depressão com remédios desde 2025. Ao todo, quatro policiais militares dispararam 45 vezes com pistolas calibre .40 após alegarem que confundiram o telefone com uma arma de fogo durante o cerco policial.

Abordagem da Polícia Militar na Alameda dos Guaramomis

A Polícia Militar foi acionada inicialmente pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) por volta das 2h35 para prestar atendimento a um homem em sofrimento psíquico, que estaria ameaçando tirar a própria vida na região. Quando as equipes chegaram às proximidades da Avenida Moreira Guimarães, por volta das 2h45, Gustavo correu por uma passarela e buscou abrigo no recuo de um imóvel comercial na Alameda dos Guaramomis.

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Os policiais militares declararam no registro da ocorrência que o rapaz saiu repentinamente de uma área escura e estendeu os dois braços na direção da rua segurando um objeto, gesto interpretado pela equipe como uma ameaça iminente de disparo. A equipe do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) fez uma análise inicial das câmeras corporais dos agentes e apontou em relatório: “Tivemos acesso e o que se observou foi o seguinte: o indivíduo surge vindo de uma área escura, junto à fachada do imóvel, e estende os braços apontando algo na direção da rua, onde estavam os policiais”.

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Disparos efetuados pelos quatro policiais em Moema

Oito agentes de segurança distribuídos em quatro viaturas participaram da ação em Moema, mas quatro policiais realizaram os tiros com armas calibre .40. As lesões atingiram partes como cabeça, pescoço, tórax, braços, mãos, pelve e pernas do jovem, que não portava armamento. A divisão dos 45 disparos efetuados ocorreu da seguinte forma:

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  • Primeiro policial militar: 14 disparos
  • Segundo policial militar: 13 disparos
  • Terceiro policial militar: 12 disparos
  • Quarto policial militar: 6 disparos

Repercussão da morte de Gustavo Munis entre familiares e vizinhos

A mãe da vítima compareceu ao endereço nas primeiras horas do sábado e acompanhou a preservação da área pela perícia criminal. Em uma mensagem gravada em áudio para um vizinho da família, ela desabafou sobre a situação na calçada: “Meu filho tá morto aqui na rua. Eu tô aqui sentada no meio da rua do lado dele, conversando com ele. Mas ele tá morto, ele não me responde mais. Ele não me responde”. O corpo do rapaz permaneceu no local por mais de oito horas, com liberação formal para transporte ao Instituto Médico Legal (IML) às 11h04.

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Eguinaldo Ferreira, técnico de refrigeração e vizinho de infância da família, declarou que Gustavo costumava consertar objetos de pessoas próximas e cuidava de animais no bairro. “É um moleque bom, gente boa, sempre que precisava ele arrumava bicicleta da minha filha”, afirmou o morador.

Investigação conduzida pelo DHPP e pela Corregedoria

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa registrou o caso como resistência e morte decorrente de intervenção policial. A Corregedoria da Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para analisar a atuação dos agentes. As quatro pistolas usadas no episódio, as imagens captadas pelas câmeras operacionais dos uniformes e o aparelho celular Samsung da vítima foram recolhidos pela polícia científica.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo não divulgou a identidade dos quatro policiais que atiraram nem informou se eles foram afastados das funções de patrulhamento de rua. Os laudos balísticos e o exame necroscópico definitivo do Instituto Médico Legal continuam em elaboração para determinar a trajetória exata dos projéteis disparados.

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