Execução em Rochedo teve chamada no WhatsApp com 16 pessoas

Troca de mensagens com orientações para execução de jovens - Reprodução Foto: Troca de mensagens com orientações para execução de jovens - Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul extraiu mensagens de WhatsApp que comprovam que a execução das jovens Ellen Vitória Moreira da Cruz, de 20 anos, e Vitória Gabriely Souza Cordeiro, em Rochedo, a 83 quilômetros de Campo Grande, foi coordenada à distância. O crime ocorreu na madrugada de 23 de setembro de 2026 e teve ordens enviadas em tempo real por lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) a partir de uma linha telefônica com DDD 11, de São Paulo.

Os dados divulgados nesta terça-feira (13) foram recuperados do celular de Luiz Carlos Vieira Rodrigues, conhecido como Bob Esponja, apontado como líder da ação no imóvel. Às 5h41 da data do crime, um perfil salvo como Estado KeNNYEL enviou a determinação para o assassinato: “Mata elas sem elas fzr escândalo”. Na sequência, o mesmo interlocutor orientou os executores com as frases “Elas não vai grita”, “Fica de boa na calma ae” e “Vcs tranca a casa e sai de boa”.

Depoimento de Lucas Batista Ferreira detalha motivação do PCC em Rochedo

Lucas durante um dos depoimentos à Polícia Civil - Reprodução
Foto: Lucas durante um dos depoimentos à Polícia Civil – Reprodução

Em interrogatório conduzido pelo delegado da Polícia Civil de Rochedo, Valmir Messias Moura Fé, o suspeito preso em flagrante Lucas Batista Ferreira, de 20 anos, confessou a participação nas mortes e relatou que a ordem partiu da facção paulista porque Ellen Vitória era suspeita de vínculo com o grupo rival Comando Vermelho (CV) e de guardar drogas na casa contra a vontade do PCC. Lucas afirmou que tentou poupar Vitória Gabriely por entender que ela não tinha relação com a disputa, mas disse ter sido ameaçado de morte caso não colaborasse com Luiz Carlos.

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“Foi deles lá de cima. É, lá de lá. Foi deles, claro. Falou para o Luiz Carlos. Porque a menina era de outra facção. E o comando não estava contente com isso”, afirmou Lucas em depoimento à Polícia Civil. O investigado admitiu que segurou uma das jovens pelo pescoço e tapou a boca dela com as mãos enquanto Luiz Carlos a enforcava, além de ter manuseado uma faca, recolhido quatro celulares do imóvel e entregado entorpecentes da residência para um adolescente guardar.

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Cronologia do crime na Avenida Evangelina Vieira e chamadas no WhatsApp

A perícia no aparelho de Luiz Carlos identificou que a invasão e as mortes na Avenida Evangelina Vieira foram acompanhadas por integrantes da facção em chamadas de vídeo, sendo a principal com 16 participantes — incluindo dois detentos que já cumpriam pena por outros crimes — e duração aproximada de quatro minutos. O histórico do aplicativo registrou os contatos Estado Abravanel, Estado Macumbeiro, Time Irmão Nathaniel, Regional Irmão Branquinho, Gabriel Tinho e o grupo Disciplina Rochedo nos seguintes horários de 23 de setembro de 2026:

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  • 02h30: Parte dos amigos deixa a casa após reunião iniciada na noite de 22 de setembro em um estúdio de tatuagem.
  • 02h42, 03h20 e 04h30: Horários das três chamadas de vídeo em grupo registradas no celular periciado.
  • 03h00: Início das agressões com socos, chutes com coturnos, cortes de faca e asfixia com as mãos e corda.
  • 04h26 a 05h44: Troca de mensagens com o contato Estado KeNNYEL, com envio de foto de uma vítima caída às 05h38 e a ordem de execução às 05h41.
  • 06h27: Mensagens relatam movimentação de moradores ao lado da residência incendiada.

Prisão em Rio Negro e investigação sobre o número de São Paulo

A investigação policial desmontou a versão inicial de que dois desconhecidos encapuzados haviam invadido a casa sem relação prévia, comprovando que Lucas já estava no imóvel horas antes bebendo e consumindo drogas com as vítimas e com Otávio, irmão de criação de Vitória Gabriely. Após jogar bebida alcoólica nos corpos e nos colchões e atear fogo à residência com um isqueiro para destruir provas, Luiz Carlos escondeu os quatro celulares roubados enterrando-os no quintal da casa da irmã, mas morreu na tarde do mesmo dia em confronto armado com a Força Tática da 11ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) e o Grupo de Operações e Investigações (GOI).

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Lucas fugiu para Rio Negro, a cerca de 70 quilômetros de Rochedo, onde foi detido no mesmo dia e autuado por duplo homicídio qualificado, tráfico de drogas e corrupção de menores — o adolescente que guardou a droga foi apreendido e o delegado descartou feminicídio por ausência de vínculo afetivo ou familiar. A polícia ainda aguarda os laudos periciais definitivos sobre a causa exata das mortes e a duração precisa das ligações, mantém diligências para identificar o titular do número com DDD 11 e abrirá um inquérito separado para apurar a participação de todos os 16 integrantes da videochamada.

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