Expedição busca avião de Amelia Earhart após 89 anos no mar

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Amelia Earhar - Everett Collection / Shutterstock.com Foto: Amelia Earhar - Everett Collection / Shutterstock.com

Uma expedição científica em busca do avião de Amelia Earhart iniciou levantamentos subaquáticos no atol desabitado de Nikumaroro, na República de Kiribati, na quarta-feira (14). Liderada pelo Instituto do Legado Arqueológico (ALI, na sigla em inglês) e pela Universidade Purdue, a missão investiga o Objeto Taraia, uma anomalia na lagoa local que pode corresponder aos destroços da aeronave Lockheed Electra 10-E, desaparecida há 89 anos no oceano Pacífico Sul.

As operações de campo precisaram ser temporariamente pausadas nesta quinta-feira (15), pois ventos fortes e o mar agitado impediram que a equipe utilizasse os botes de transporte do navio de apoio Marin Mainiku para desembarcar na ilha. “É incrivelmente gratificante estarmos tão perto de concluir nossa inspeção do Objeto Taraia e, potencialmente, desvendar, finalmente, o mistério do desaparecimento de Amelia Earhart e Fred Noonan há mais de 89 anos”, afirmou Richard Pettigrew, diretor-executivo do Instituto do Legado Arqueológico e líder da expedição, em tradução livre.

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Varredura com sonar e estrutura da expedição em Nikumaroro

O grupo desembarcou pela primeira vez na ilha na manhã de terça-feira (13), atravessando um canal artificial no recife com barcos menores para montar os equipamentos de pesquisa. A operação reúne representantes do ALI, da Universidade Purdue, da Purdue Research Foundation (PRF), da empresa RECON Offshore e de ministérios do governo de Kiribati, sob a coliderança de Steve Schultz, vice-presidente sênior e conselheiro geral da universidade norte-americana.

Na quarta-feira (14), a equipe de arqueologia marítima começou a examinar a superfície da península de Taraia e o fundo da lagoa próxima à costa. Os pesquisadores utilizaram um magnetômetro, aparelho que detecta variações no campo magnético causadas por metais ferrosos como cabos de aço, além de um sonar de varredura lateral, tecnologia que emite ondas sonoras para mapear objetos cobertos por sedimentos a cerca de três metros da margem, em águas rasas.

  • Local da investigação: lagoa próxima à península de Taraia, no atol de Nikumaroro, Ilhas Fênix, Kiribati.
  • Efetivo da missão: 17 pesquisadores de quatro instituições e 17 tripulantes da embarcação Marin Mainiku, pertencente à Kiribati National Shipping Line.
  • Distância marítima percorrida: 830 milhas náuticas entre o porto de Tarawa e o atol de Nikumaroro, em cinco dias de navegação.
  • Duração prevista para o trabalho de campo: cinco dias de operações na ilha, sujeitos às condições das marés e do clima.

Divergências sobre o Objeto Taraia e o avião Lockheed Electra 10-E

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O alvo central das buscas ganhou visibilidade após a passagem de um ciclone tropical pela região em 2015, que movimentou o sedimento da lagoa. A formação foi avistada inicialmente em 2020 por Michael Ashmore, observador e ex-militar da Marinha dos Estados Unidos, ao analisar imagens de satélite em um aplicativo de mapas, sendo posteriormente localizada pela equipe de pesquisa em fotografias aéreas históricas feitas em 1938.

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Enquanto Richard Pettigrew e os especialistas da Universidade Purdue apontam que o Objeto Taraia apresenta dimensões, brilho metálico e formato compatíveis com a fuselagem do Lockheed Electra 10-E soterrada na lagoa, outros investigadores rejeitam a hipótese. Ric Gillespie, diretor-executivo e cofundador do Grupo Internacional para a Recuperação de Aeronaves Históricas (TIGHAR, organização que pesquisa aviões desaparecidos), sustenta que a imagem mostra apenas uma árvore da espécie pandanus arrancada por uma tempestade e levada pela água. “Você pode ver o torrão da raiz. Você pode ver os galhos”, declarou Gillespie sobre a formação visual, ressaltando que sua equipe varreu a mesma área com detectores de metais em 2001 e 2007 sem encontrar destroços de aeronaves.

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Desaparecimento de Amelia Earhart em 1937 e buscas anteriores

Amelia Earhart ganhou notoriedade mundial em 1932 ao se tornar a primeira mulher a cruzar sozinha o oceano Atlântico pilotando um avião. Em 1937, a aviadora norte-americana e o navegador Fred Noonan partiram para uma viagem de circunavegação de 29.000 milhas acompanhando a Linha do Equador, a bordo do bimotor Lockheed Electra 10-E, apelidado de Laboratório Voador. A compra da aeronave havia sido financiada pela Purdue Research Foundation por meio do Fundo Amelia Earhart para Pesquisa Aeronáutica, e o plano original previa que a piloto devolvesse o avião à universidade após concluir o trajeto de volta ao mundo.

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Quando já haviam cumprido 22.000 milhas do percurso total, Earhart e Noonan desapareceram no Pacífico após decolarem da Nova Guiné rumo à Ilha Howland, onde fariam uma parada de reabastecimento. Um navio da Guarda Costeira dos Estados Unidos captou transmissões de rádio da piloto indicando que ela seguia uma linha de navegação norte-sul em busca de terra firme antes do fim do combustível, rota que passava por Nikumaroro, localizada a cerca de 400 milhas (640 km) a sudeste de Howland. Entre 1989 e 2019, o TIGHAR realizou 12 expedições ao atol para investigar a hipótese de que a dupla teria pousado no recife e sobrevivido como náufragos, encontrando fragmentos de alumínio, acrílico, um zíper e partes de um canivete, além de estudar o registro de ossos humanos achados na ilha em 1940 e perdidos na Segunda Guerra Mundial. Em 2019, o oceanógrafo Robert Ballard também liderou uma busca nas águas profundas ao redor do atol, mas nenhuma missão comprovou a localização do avião.

Cronologia das investigações sobre o voo de Amelia Earhart

  • 2 de julho de 1937 — Amelia Earhart e o navegador Fred Noonan desaparecem no Pacífico após decolarem de Lae, na Nova Guiné, em direção à Ilha Howland.
  • 27 de abril de 2015 — O Objeto Taraia torna-se visível pela primeira vez em registros de satélite modernos, logo após a passagem do ciclone tropical Pam por Kiribati.
  • 2 de outubro de 2026 — Os primeiros integrantes da nova expedição partem do Aeroporto da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, às 14h no horário local, rumo ao Pacífico Sul.
  • 7 de outubro de 2026 — A equipe completa embarca no navio Marin Mainiku em Tarawa, capital de Kiribati, para iniciar a travessia marítima.
  • 12 de outubro de 2026 — A embarcação chega à costa oeste do atol de Nikumaroro por volta das 20h no horário local.
  • 14 de outubro de 2026 — Pesquisadores iniciam os levantamentos subaquáticos na lagoa com sonar de varredura lateral e magnetômetro.

Análise de dados e próximos passos na lagoa de Taraia

A missão atual estava originalmente programada para o final de 2025, após ter sido anunciada em julho daquele ano, mas precisou ser adiada por causa do início da temporada de ciclones no Pacífico Sul e de etapas adicionais para a liberação de licenças junto ao governo da República de Kiribati. Ainda não há confirmação se o Objeto Taraia é de fato o avião Lockheed Electra 10-E de Amelia Earhart, pois os dados coletados por sonar e magnetômetro na quarta-feira (14) seguem em fase de análise técnica e a remoção de sedimentos para inspeção visual de peças, tipos de metal e padrões de rebites não foi concluída devido ao mau tempo desta quinta-feira (15).

“Nosso próximo passo é a análise completa dos dados que coletamos e, em seguida, começar a usar uma draga hidráulica para remover o sedimento do fundo”, afirmou Pettigrew sobre a sequência do trabalho na ilha, acrescentando que “encontrar a aeronave Electra de Amelia Earhart seria a descoberta de uma vida”. O cronograma da expedição prevê mais dois dias de operações em Nikumaroro assim que as condições marítimas permitirem o desembarque, com a divulgação de uma atualização oficial sobre a identificação do objeto programada para as próximas 48 horas.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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