Amazônia e Cerrado registram menores taxas de desmatamento em 2026

Brasil anuncia as maiores quedas históricas no desmatamento da Amazônia e do Cerrado

Brasil anuncia as maiores quedas históricas no desmatamento da Amazônia e do Cerrado

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Governo Federal divulgaram nesta sexta-feira (16), em Brasília, os dados do sistema Prodes 2026, que apontam as menores taxas históricas de desmatamento na Amazônia Legal e no Cerrado. Entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, a supressão de vegetação nativa na Amazônia caiu 41,8%, atingindo 3.335 km², enquanto o Cerrado teve redução de 23,8%, com 5.516,69 km² desmatados.

A apresentação oficial ocorreu no Salão Leste do Palácio do Planalto com a presença dos ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Miriam Belchior (Casa Civil) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública). Para a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, “essa conquista histórica é um patrimônio do povo brasileiro”.

Foto: Brasil anuncia as maiores quedas históricas no desmatamento da Amazônia e do Cerrado

Estados com maior área desmatada na Amazônia e no Cerrado

No período de 2025 a 2026, o desmatamento na Amazônia Legal concentrou-se principalmente nos estados do Pará, com 1.130 km², Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km². Apesar de liderar a perda florestal na região, o Pará registrou queda anual de 45,3% em relação aos 2.064 km² contabilizados em 2025, alcançando cinco anos seguidos de retração e o menor índice estadual desde o início da medição em 1988. Já no Cerrado, a região do Matopiba — formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — concentrou 74,3% de toda a área suprimida no bioma, liderada pelo Maranhão (1.718,59 km²), Tocantins (1.263,06 km²) e Piauí (625,24 km²).

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No acumulado dos últimos quatro anos, de 2022 a 2026, a retração do desmatamento atingiu 71,2% na Amazônia Legal e 48,4% no Cerrado. Durante o terceiro mandato do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2023 e 2026, a perda acumulada na Amazônia somou 24.648 km², volume 46% menor que os 45.586 km² registrados nos quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, avaliou os números divulgados pelo governo. “Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”, declarou.

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Fiscalização do Ibama e evolução histórica do Prodes

Em nota oficial, o Greenpeace Brasil atribuiu os números à manutenção de políticas públicas e ao fortalecimento de órgãos de controle. “Manter a queda do desmatamento dependerá muito da atuação do governo federal e da forma como ele conduz o tema. Colocaremos tudo em risco se tivermos um governo antiambiental novamente”, afirmou a organização. Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou 76.095 ações de fiscalização no país, aplicou R$ 11,8 bilhões em multas distribuídas em 25.101 autos de infração contra a flora e embargou 18.630 km². No mesmo intervalo, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, somando R$ 2,4 bilhões em multas e mais de 5 mil km² embargados.

A medição do Prodes contabiliza o corte raso e a degradação progressiva com perda de dossel florestal entre agosto e julho, motivo pelo qual incêndios florestais ocorridos em outubro de 2026 não entram automaticamente no cálculo. Os marcos da série histórica e das ações de controle incluem:

  • 1988 — Início da série histórica de monitoramento do sistema Prodes na Amazônia Legal.
  • 2012 — Registro do menor índice anterior de desmatamento na Amazônia Legal, que havia atingido 4.571 km².
  • 2019 — Registro da menor taxa anterior de supressão de vegetação na série do Cerrado, com 6.319 km².
  • 16 de outubro de 2026 — Divulgação das menores taxas históricas para o ciclo 2025-2026 na Amazônia (3.335 km², frente aos 5.731 km² do período 2024-2025) e no Cerrado (5.516,69 km², ante os 7.235,27 km² do ciclo anterior).

Investimento de R$ 147,6 milhões no projeto SIM-Biomas

Durante o anúncio em Brasília, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do Fundo Amazônia, e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima aprovaram o repasse não reembolsável de R$ 147,6 milhões para o Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas). Até outubro de 2026, o Fundo Amazônia soma R$ 7,8 bilhões comprometidos em 160 projetos aprovados.

Com prazo de execução de 60 meses sob gestão administrativa da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) e coordenação técnica do INPE, o projeto usará inteligência artificial para integrar o Prodes e o Deter (sistema de alertas rápidos para orientar a fiscalização). “Será um novo salto estratégico no monitoramento e detecção de incêndios e desmatamento, com integração de sistemas do Inpe”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. A iniciativa vai expandir os alertas do Deter para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa, além de ampliar a resolução do mapeamento de áreas queimadas de 1 quilômetro para 30 metros em todos os biomas brasileiros.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.