Dia Mundial do Pão celebra setor que lidera ranking no Brasil

Pães artesanais - Erich Sacco/ istockphoto.com

Pães artesanais - Erich Sacco/ istockphoto.com

O Brasil celebra o Dia Mundial do Pão nesta sexta-feira (16) na liderança global em número de padarias independentes e com a abertura de 81.437 pequenos negócios de panificação entre janeiro e setembro de 2026. O volume de novas microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais representa uma alta de 22,5% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com base em dados da Receita Federal.

Nas vitrines do país, o pão francês mantém a dianteira e responde por 34,39% do volume total de panificados vendidos, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) e o Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria (ITPC). “Comercializar cerca de 300 mil pães franceses por mês mostra a importância desse produto na rotina dos nossos clientes. Temos orgulho de preservar os clássicos da panificação e oferecer receitas especiais para diferentes paladares. Nosso compromisso é manter a qualidade em cada fornada, respeitando a história da Padaria Brasileira e acompanhando as preferências dos consumidores”, afirmou Henrique Afonso Júnior, diretor-geral da rede Padaria Brasileira.

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Números do setor de panificação no Dia Mundial do Pão

A Pesquisa Nacional da Panificação 2025, conduzida pela consultoria Euromonitor International a pedido da Feira Internacional da Panificação, Confeitaria e Varejo Independente de Alimentos (FIPAN), mostra que o território brasileiro supera mercados tradicionais em quantidade de pontos de venda. Já a produção industrial do setor cresceu 92,8% entre 2014 e 2024, conforme estudo divulgado em 16 de outubro de 2026 pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que analisou bases do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

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  • Padarias independentes no Brasil: 70.235 estabelecimentos, à frente dos Estados Unidos (30.379) e do Reino Unido (13.745).
  • Concentração regional: o Sudeste reúne 46% das unidades independentes do país, com 32.276 lojas.
  • Consumo anual: a média nacional por habitante é de 29,3 quilos de pão artesanal por ano.
  • Frequência diária: cerca de 50 milhões de brasileiros visitam padarias e confeitarias todos os dias, segundo estimativa da Abip.
  • Indústria de panificados: atingiu 3,14 milhões de toneladas e R$ 18 bilhões em receita líquida de vendas na década encerrada em 2024.
  • Geração de postos de trabalho: o setor soma 2,76 milhões de empregos diretos e indiretos no país.
  • Ação em São Paulo: o sindicato Sampapão distribuiu gratuitamente 20 mil pães franceses a partir das 7h na Avenida Paulista, em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reunindo 26 estabelecimentos.

Por que o pão francês brasileiro é diferente do europeu e muda de nome pelo país?

Pão francês – Mailson Pignata/ istockphoto.com

Apesar da referência no nome, a receita vendida no Brasil foi desenvolvida nacionalmente entre o final do século XIX e o início do século XX. Viajantes da elite brasileira que provavam as baguetes em Paris pediam aos padeiros locais que reproduzissem o alimento, o que resultou em um pão de tamanho individual, com casca dourada e crocante e miolo branco e macio. Desde 2013, a norma técnica ABNT NBR 16170 define 13 atributos de padronização de qualidade para o produto, cujo preparo tem o uso de bromato de potássio proibido por lei desde 2001.

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A relevância do item na mesa doméstica foi medida pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018 do IBGE, divulgada em 2020. O levantamento apontou que 50,9% dos entrevistados haviam consumido o produto nas 24 horas anteriores à consulta — índice de 51,7% entre os homens e de 50,1% entre as mulheres —, com ingestão média diária de 49,4 gramas por pessoa. O alimento ficou na quarta posição na dieta diária nacional, atrás apenas do café (78,1%), do arroz (76,1%) e do feijão (60,0%).

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Em todo o território nacional, a mesma receita recebe nomes distintos conforme a tradição de cada estado ou município:

  • Pão francês: São Paulo e maior parte do país.
  • Pão de sal: Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.
  • Cacetinho: Rio Grande do Sul e parte da Bahia.
  • Pão de trigo: Norte de Santa Catarina.
  • Pão d’água: Sul de Santa Catarina.
  • Massa grossa: Maranhão, Piauí, Roraima e Amazonas.
  • Carioquinha: Ceará.
  • Pão careca: Pará e Amapá.
  • Pão jacó: Sergipe.
  • Pão aguado: Paraíba.
  • Média: Baixada Santista, no litoral paulista.
  • Filão: interior de São Paulo e divisa com o Paraná.

Vestígios de 14,4 mil anos na Jordânia e recorde turco no Dia Mundial do Pão

Instituído no ano 2000, em Nova York, pela União Internacional de Padeiros e Confeiteiros (UIBC) para coincidir com o aniversário da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Dia Mundial do Pão celebra um alimento que surgiu antes mesmo da agricultura organizada. Em 16 de julho de 2018, pesquisadores da Universidade de Copenhague, da University College London e da Universidade de Cambridge publicaram na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) a análise de 24 restos carbonizados encontrados no sítio arqueológico de Shubayqa 1, no Deserto Negro, nordeste da Jordânia. Liderado pela arqueobotânica Amaia Arranz-Otaegui, da Universidade de Copenhague, o estudo comprovou que caçadores-coletores da cultura natufiana preparavam massas achatadas há cerca de 14,4 mil anos utilizando tubérculos aquáticos e ancestrais silvestres de cereais, como aveia, cevada e trigo einkorn (espécie primitiva de trigo cultivada na antiguidade).

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Na história recente do consumo mundial, a Turquia estabeleceu a maior marca já registrada pelo livro dos recordes Guinness World Records. No ano 2000, o país alcançou a média anual de 199,6 quilos (440 libras) de pão por habitante, volume superior a meio quilo diário e equivalente a mais de três vezes o peso médio de um adulto ao longo de um ano. “Cada cultura traz sua assinatura: grãos, fermentações, formatos e recheios diferentes. Um produto de qualidade começa por ingredientes bem selecionados, fermentação no tempo certo e um cuidado que se percebe no aroma, na textura e no sabor. É essa diversidade que mantém o pão sempre presente e surpreendente na mesa”, declarou Patrícia Santos Neves, chef executiva do Empório Joaquim.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.