A amazona Victoria Pizzonia Simões Silva publicou uma homenagem nas redes sociais neste sábado (17) ao pai, o empresário amazonense Victor Simões da Silva, de 51 anos, e ao sogro, José Ricardo Sant’Anna, de 58 anos. Os dois morreram na tarde de sexta-feira (16), após a queda de um avião monomotor em Orlândia, a 57 quilômetros de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Na publicação acompanhada de uma foto ao lado do pai, do sogro e do companheiro, Matheus Sant’anna, a atleta de hipismo escreveu sobre a relação com as vítimas. “Quão sortuda fui por ter tido um pai e um sogro que também se tornou um pai para mim. Dois homens que foram meus exemplos, meus orgulhos e grandes amores. Que privilégio ter sido tão amada por vocês dois. Nem uma vida inteira seria suficiente para agradecer”, declarou Victoria.
Viagem para torneio de hipismo e dinâmica da queda em Orlândia
Victor Simões da Silva e José Ricardo Sant’Anna haviam desembarcado no município paulista no início da tarde de 16 de outubro de 2026 para acompanhar Victoria e Matheus no Concurso de Salto Nacional CSN5* Agromen 2026, competição de hipismo programada entre os dias 14 e 18 de outubro. No fim da tarde, os dois retornaram ao hangar no aeródromo da cidade, próximo à Rodovia Anhanguera (SP-330), e o acidente ocorreu logo após a decolagem, quando a aeronave subiu, ficou invertida de barriga para cima, retomou a posição normal, perdeu altitude bruscamente e atingiu o solo.
O Corpo de Bombeiros socorreu os dois ocupantes e os levou ao Hospital Beneficente Santo Antônio, em Orlândia, mas eles não resistiram aos ferimentos. Devido ao vazamento de combustível após o impacto, os bombeiros aplicaram espuma na área para controlar o risco de incêndio.
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Os dados oficiais do monomotor registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a cronologia do acidente reúnem as seguintes informações:
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- Modelo e prefixo: monomotor experimental Van’s RV-7A, prefixo PP-ZLC, fabricado em 2011, com capacidade para dois ocupantes e documentação regular.
- Propriedade e operação: pertencente 100% a Victor Simões da Silva desde 6 de junho de 2023 no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), tendo Rodrigo Nascimento Couto cadastrado como operador.
- Chegada das vítimas: sexta-feira (16), por volta das 13h, para acompanhar o torneio de hipismo.
- Decolagem e queda: fim da tarde de sexta-feira (16), logo após sair do aeródromo local.
Análise de manobra acrobática do avião RV-7A e perícia
O professor de aeronáutica James Waterhouse, da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, analisou as imagens gravadas por câmeras de segurança e testemunhas e apontou a realização de uma manobra em condição inadequada, sem descartar problemas mecânicos. “Era um avião experimental, um bom avião e nitidamente o piloto fez uma manobra acrobática após a decolagem, a uma baixa altura e a uma velocidade muito baixa. Isso foi um fator decisivo para o acidente”, avaliou o especialista.
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Waterhouse também observou indícios no funcionamento do equipamento. “No entanto, existe outra questão a ser investigada que é o motor do avião. Ele pode ter falhado durante a manobra acrobática, porque a hélice apresenta indícios de baixa potência na hora do impacto. Isso pode ter sido devido a uma redução de potência imediatamente antes do impacto ou eventualmente a uma falha do motor que tenha contribuído para o problema”, afirmou.
Trajetória de Victor Simões da Silva e investigações em Orlândia
Nascido em Manaus em 18 de julho de 1975 e formado em Administração de Empresas pela Jones College, em Miami, nos Estados Unidos, Victor era herdeiro do Grupo Simões, fundado em 1943 com atuação na fabricação e distribuição de bebidas na Região Norte. Ele era filho de Norma Simões e de Antonio Carlos da Silva, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). Já Victoria conquistou, em 2022, as medalhas de prata individual e de bronze por equipes no Campeonato Brasileiro de Salto de Amazonas.
A causa definitiva da queda ainda não foi confirmada e depende da conclusão dos laudos periciais que vão apontar se houve falha humana, pane mecânica no motor ou perda de sustentação. A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), acionou técnicos do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV) para a coleta de dados nos destroços.
Na esfera criminal, a Polícia Civil registrou a ocorrência como morte suspeita. “Nesse momento, cabe a nós fazer o levantamento de todos os presentes no local para ouvir posteriormente as pessoas como testemunha, ouvir os primeiros policiais e bombeiros que chegaram ao local para entender qual foi a dinâmica do acidente”, informou o delegado responsável pelo inquérito, Otávio Volpini Silva.
