O conselho de administração da Dexco, companhia do setor de materiais de construção e dona da marca Deca, aprovou e comunicou ao mercado na segunda-feira (19) o fechamento de sua fábrica de louças sanitárias em Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco. A decisão encerra totalmente a produção industrial do segmento na região Nordeste, aproximadamente 15 meses após a empresa desativar a unidade de João Pessoa, na Paraíba, e vai provocar demissões.
O anúncio oficial ocorreu por meio de fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado de capitais no Brasil, assinado pelo diretor de Relações com Investidores, Institucionais e ESG da Dexco, Guilherme Setubal Souza e Silva. O documento cumpre a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76) e a Resolução 44/21 da autarquia. “A decisão integra o processo contínuo de transformação do negócio de Louças Sanitárias e o plano de fortalecimento de sua competitividade, eficiência operacional, rentabilidade e sustentabilidade no longo prazo”, informou a empresa no comunicado.
Dexco transfere produção de louças sanitárias para Jundiaí
Com o encerramento das linhas produtivas em território pernambucano, parte da fabricação será transferida para o interior de São Paulo. A planta de Cabo de Santo Agostinho, adquirida pela companhia em 2008, ocupava uma área industrial aproximada de 30 mil metros quadrados e tinha capacidade produtiva de 2,8 milhões de peças por ano, fabricando itens como vasos sanitários e lavatórios das marcas Deca e Belize. Segundo a empresa, a reorganização busca concentrar a manufatura nos segmentos em que a Deca apresenta maior capacidade de diferenciação e geração de valor.
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“A unidade de Jundiaí (SP) recebeu importantes investimentos em automação, tecnologia e modernização para absorver a produção dessa unidade”, declarou a Dexco em comunicado oficial. Apesar do fim da fabricação própria na região, a companhia afirmou que o segmento de louças sanitárias continua relevante em seu portfólio e que manterá um Centro de Distribuição (CD) estratégico para atender o mercado nordestino com uma variedade mais ampla de produtos.
Plano de transição da Dexco para funcionários demitidos em Pernambuco
O fechamento da fábrica resultará no desligamento de trabalhadores, para os quais a empresa afirmou preparar um pacote de benefícios adicionais e suporte para a busca de novas vagas no mercado. “A companhia reconhece o impacto da decisão sobre os colaboradores e a comunidade local e está estruturando um processo de transição responsável e apoio à recolocação profissional”, declarou a Dexco em nota oficial.
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Mesmo com o anúncio formalizado à CVM em 19 de outubro de 2026, a empresa ainda não confirmou uma série de detalhes operacionais e financeiros sobre a desativação em Pernambuco. Até o momento, não foram divulgados o número exato de trabalhadores que serão demitidos na unidade de Cabo de Santo Agostinho, o cronograma de encerramento com a data definitiva para a interrupção das linhas de produção, o valor estimado dos custos financeiros e baixas contábeis — que ainda estão sendo calculados e serão registrados nos balanços como efeitos não recorrentes — nem a cidade ou endereço onde funcionará o Centro de Distribuição prometido para o Nordeste.
Histórico de fechamentos da Dexco na Paraíba e em Santa Catarina
A desativação da planta pernambucana altera o planejamento divulgado pela própria fabricante há pouco mais de um ano. Em 2 de julho de 2025, quando anunciou o encerramento das atividades industriais da fábrica de João Pessoa, na Paraíba, a Dexco informou ao mercado que concentraria todas as suas operações de louças sanitárias do Nordeste justamente na unidade de Cabo de Santo Agostinho, sem alterações no portfólio da divisão.
Um mês antes de fechar a fábrica paraibana, em junho de 2025, a companhia já havia executado cortes em outra frente de negócios. Na ocasião, a empresa promoveu ajustes na divisão de revestimentos cerâmicos, suspendendo temporariamente duas linhas de produção e realizando demissões nas unidades de Criciúma e Urussanga, ambas no sul de Santa Catarina.
Ações da Dexco na Bolsa e avaliação do mercado financeiro
Antiga Duratex, a Dexco tem mais de 70 anos de atuação no setor de materiais para obras, reformas e acabamentos, reunindo no portfólio as marcas Deca, Hydra, Portinari, Ceusa e Duratex. No pregão da segunda-feira (19), dia do anúncio do fechamento em Pernambuco, os papéis da companhia reagiram positivamente na Bolsa de Valores brasileira, embora não seja possível atribuir a valorização exclusivamente ao encerramento da fábrica. Em relatório sobre o fato relevante, o banco Citi avaliou que o fechamento permanente da planta apoia os esforços de eficiência e reestruturação da marca Deca ao alinhar a capacidade produtiva à demanda.
- Código de negociação na Bolsa de Valores: DXCO3
- Cotação às 10h39 de 19 de outubro de 2026: R$ 7,61 por ação (alta de 2,28% no dia)
- Recomendação do banco Citi após o anúncio: compra, com preço-alvo estipulado em R$ 10 por ação (potencial de alta de 34,4%)
- Bloco de controle ligado à Itaúsa e às famílias Setubal e Villela: fatia de 40,8% do capital acionário total
- Participação da família Seibel: fatia de 20,4% do capital acionário total
A companhia fará o cálculo final dos custos da operação em Pernambuco para incluí-los como despesas não recorrentes nos próximos balanços financeiros enviados à CVM.

