NOAA eleva para 83% a chance de Super El Niño recorde em 2026

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Tempestade El Niño - lixu/Istock.com Foto: Tempestade El Niño - lixu/Istock.com

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 83% a probabilidade de o Super El Niño estabelecer um novo recorde de força entre outubro e dezembro de 2026. O boletim da agência norte-americana, atualizado em 8 de outubro de 2026, indica que o aquecimento das águas no Oceano Pacífico tem potencial para superar todos os episódios monitorados desde 1950, com reflexos diretos no regime de chuvas e nas temperaturas do território brasileiro até o início de 2027.

Projeções de dezembro e o avanço medido pelo Inmet

O período de máxima atividade do fenômeno, que em julho tinha probabilidade calculada em 81%, agora converge para o último mês do ano. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta dezembro de 2026 como o momento mais provável para o ápice do evento, projetando uma anomalia térmica média de 3,7°C acima do padrão na região Niño 3.4 — faixa central e leste do Pacífico Equatorial usada como referência global para medir o fenômeno.

Já o Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI), vinculado à Universidade Columbia, divulgou na segunda-feira (19) que a média geral dos modelos climáticos dinâmicos e estatísticos subiu entre 0,1°C e 0,2°C em relação a setembro, alinhando o pico estimado em +3,5°C. Cientistas acompanham os dados para verificar se a elevação, que pode atingir picos de 3°C a 4°C em áreas do Pacífico Centro-Leste, confirmará o evento como o mais forte dos últimos 150 anos.

No Brasil, o monitoramento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgado na terça-feira (13) comprova a aceleração desse aquecimento oceânico. Os registros oficiais mostram a evolução das temperaturas nas diferentes faixas de medição:

  • Região central do Pacífico (setembro de 2026): anomalia média de 2,08°C acima da normalidade, a segunda maior para o mês desde 1950, atrás apenas dos 2,15°C medidos em setembro de 1997.
  • Região Niño 3.4 (outubro de 2026): o indicador semanal ultrapassou a marca de 2,4°C, superando as médias mensais de setembro de 2026 e de 1997.
  • Faixa central do Pacífico (outubro de 2026): o aquecimento chegou a 3,4°C, volume inferior somente ao pico histórico de dezembro de 1982.
  • Costa da América do Sul (fim de setembro de 2026): as águas ficaram 4,5°C acima do normal, a apenas 0,1°C do recorde absoluto da série histórica, datado de 1983.

Velocidade de formação supera episódios de 1982, 1997 e 2023

A rapidez com que o oceano aqueceu diferencia o ciclo de 2026-2027 dos eventos severos anteriores. Nos episódios de 1982, 1997 e 2023, a marca de +2°C de anomalia — patamar técnico que caracteriza um Super El Niño — só foi atingida nos últimos meses do ano.

Em 2026, esse limite de +2°C foi alcançado já na metade do ano, e na região Niño 1+2, próxima ao litoral sul-americano, os desvios chegaram a +3,9°C no balanço da NOAA. Esse aquecimento precoce, impulsionado pelo enfraquecimento dos ventos alísios que normalmente empurram as águas quentes para a Ásia e a Oceania, prolonga a janela de atuação das instabilidades atmosféricas sobre a América do Sul.

Tempestades severas no Sul e bloqueios atmosféricos no Norte e Nordeste

A redistribuição do calor oceânico divide o mapa climático brasileiro em dois extremos. O Rio Grande do Sul, que já havia sofrido severas inundações entre 2023 e 2024, permanece ao lado de Santa Catarina e do Paraná na rota principal das precipitações volumosas e do risco de cheias.

Os efeitos começaram a ser registrados no território gaúcho ainda no inverno. Em 22 de julho de 2026, rios das regiões central, norte e dos vales do Rio Grande do Sul transbordaram após chuvas que atingiram o dobro da média histórica para o mês. Com o avanço para o trimestre final do ano, a previsão aponta maior frequência de tempestades acompanhadas de granizo, vendavais e risco de formação de microexplosões atmosféricas e tornados na região Sul, embora meteorologistas ressaltem que tragédias de grande porte dependem da combinação de fatores de curto prazo e não repetem automaticamente o cenário de 2024.

Na outra ponta do país, o fenômeno favorece bloqueios atmosféricos que inibem a formação de nuvens carregadas. O Nordeste e o extremo norte — com foco nos estados de Roraima, Amapá e norte do Pará — enfrentam redução das chuvas e maior exposição à seca e às ondas de calor. Um estudo do consórcio acadêmico Climate Impact Lab, conduzido por pesquisadores das universidades de Chicago e da Califórnia em Berkeley, calculou que o atual El Niño deve gerar 44% mais dias de calor extremo em relação a um ano neutro, mantendo sua influência sobre o clima até o trimestre de janeiro a março de 2027.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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